EDUCAÇÃO ESCOLAR E SOCIEDADE

Rouberval Barboza do Amaral

RESUMO

Educação escolar e sociedade. Princípios de cidadania com bases na Constituição Federal de 1988, Parâmetros Curriculares Nacionais, Os Quatro Pilares da Educação e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Concepções de educação para a cidadania planetária, conforme descrito por Moacir Gadotti: Ecopedagogia. Trabalhando os conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais, na prática. As mudanças na estrutura familiar e seu reflexo na educação das crianças: a mulher toma o seu lugar na sociedade deixando, assim, a educação das crianças pequenas por conta da escola.

Palavras-chave: Educação. Escola. Família. Sociedade. Ecopedagogia.

1 INTRODUÇÃO

O presente estudo versará sobre a educação escolar e a sociedade. Como acontece a interação entre escola e sociedade. O que a Constituição Federal de 1988 e a LDBN n° 9394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, dizem a respeito. Formar pressupõe aprendizado, vamos à escola para aprender. Mas, que saberes são ensinados nas instituições de ensino. O que as pessoas precisam aprender para viver em uma sociedade?

Vivemos em uma sociedade democrática, que prisma pela liberdade de expressão, cultural, de religião. As pessoas são livres para interagirem entre si, claro, observando seus direitos e deveres.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais têm como fundamento básico, a educação para a cidadania, ou seja, educar para aprender a viver em sociedade. Formar cidadãos éticos é dever da escola.

Veja o que diz o PCN Temas Transversais, terceiro e quarto ciclo do ensino fundamental, p. 49.

Os seres humanos convivem em sociedade e a aventura da convivência desafia-os a enfrentar e procurar responder a todo o momento a pergunta: “Como agir na relação com os outros?” Trata-se de uma pergunta fácil de ser formulada, mas difícil de ser respondida. Ora, esta é a questão central da Moral e da Ética.

Os Quatro Pilares da Educação, documento da UNESCO, ressalta que o cidadão do século XXI deve aprender quatro saberes fundamentais. São eles: “Aprender a aprender; Aprender a fazer; Aprender a viver juntos e aprender a ser”. É fundamental que o indivíduo aprenda os saberes socialmente construídos, para compreender como chegamos onde estamos. Mas, também, deve evoluir o conhecimento. Aprender a pensar e formular novos conhecimentos, ser criativo, evoluir. Todos devem aprender um ou mais ofícios. Ao concluir seus estudos escolares, o cidadão seguirá sua vida, para isso, deve saber fazer alguma coisa para prover seu sustento. O terceiro saber: aprender a viver juntos, diz respeito à diversidade existente na sociedade: culturais, raciais, econômica, religiosas. Por fim, aprender a ser, desenvolver a cidadania.

2 AS MUDANÇAS DA EDUCAÇÃO COM O TEMPO

Ao longo dos séculos a educação tem se modificado, se adequado conforme a época e as necessidades das pessoas. Na pré-história a educação era passada de geração a geração através de pessoas mais velhas. Ou seja, de pai para filho, pelas experiências do cotidiano. Os saberes não eram amplos, como em nossos dias. Eram ensinadas as maneiras de subsistências: caçar; pescar; remédios naturais para sanar os males do grupo, o feiticeiro era o médico. Nessa época não havia a escrita, portanto, todo o conhecimento estava gravado no consciente das pessoas.

Não existindo educação formal, as crianças aprendiam de formas diferentes, conforme o grupo a que pertenciam. Conforme Felix apud Moser, 2007, p. 5:

Nas comunidades tribais as crianças aprendem imitando os gestos dos adultos nas atividades diárias e nas cerimônias dos rituais. Nas tribos nômades, ou que já se sedentarizaram, ocupam-se com a caça, a pesca, o pastoreio ou a agricultura, as crianças aprendem “para a vida e por meio da vida”, sem que alguém esteja especialmente destinado para a tarefa de ensinar.

Com o passar do tempo a educação foi se modificando até o modelo atual. A escola é a responsável pela educação formal da sociedade, começando na Educação Infantil. No Brasil, a Constituição Federal de 1988 em seu capítulo III do artigo 205 a 214, trata exclusivamente da Educação. Veja o que diz o artigo 205: “Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.”

Além da C.F., temos uma lei que trata da educação em todos os seus aspectos, a LDBN. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, lei 9.394/96, “Art. 1º A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais.”

Portanto, leis que formalizam a Educação no Brasil, não faltam. Mas, quais saberes o cidadão do século XXI precisa aprender para desenvolver plena cidadania?  E como a escola deve mediar tais conhecimentos? Para Jacques Delors em Os Quatro Pilares da Educação, documento da UNESCO, diz que:

Para poder dar resposta ao conjunto das suas missões, a educação deve organizar-se em torno de quatro aprendizagens fundamentais que, ao longo de toda vida, serão de algum modo para cada indivíduo, os pilares do conhecimento: aprender a conhecer, isto é adquirir os instrumentos da compreensão; aprender a fazer, para poder agir sobre o meio envolvente; aprender a viver juntos, a fim de participar e cooperar com os outros em todas as atividades humanas; finalmente aprender a ser, via essencial que integra as três precedentes. É claro que estas quatro vias do saber constituem apenas uma, dado que existem entre elas múltiplos pontos de contato, de relacionamento e de permuta.

Esses quatro fundamentos: aprender a conhecer; aprender a fazer; aprender a viver juntos e aprender a ser, são os fundamentos nos quais a escola deve dar ênfase, segundo a UNESCO, órgão da ONU.

Aprender a pensar por si só, é fator determinante para o cidadão da atualidade. Compreender o mundo que nos cerca e, saber interagir com esse mundo. Observe o que diz o professor Norberto Siegel:

Ninguém nasce cidadão, mas torna-se cidadão pela educação. Assim como a ética, a cidadania é hoje questão fundamental na educação, na família, no trabalho e em outras instituições, como aperfeiçoamento de um modo de vida mais humano e digno entre as pessoas. Não é apenas o desenvolvimento científico e tecnológico que tornará a vida das pessoas melhor, mas as relações que se estabelece entre elas. Uma boa ou razoável convivência na comunidade não depende apenas da quantidade de bens materiais que possuo, mas pela forma como me relaciono com os outros, pelo respeito que eu tenho pelos demais. (SIEGEL, 2005, p. 51)

Vamos entender melhor o conceito de cidadania, os Parâmetros Curriculares Nacionais, PCNs, têm como fundamento essencial, a formação cidadã. O PCN Temas Transversais diz que devemos:

Compreender a cidadania como participação social e política, assim como exercício de direitos e deveres políticos, civis e sociais, adotando, no dia a dia, atitudes de solidariedade, cooperação e repúdio às injustiças, respeitando o outro e exigindo para si o mesmo respeito. (BRASIL/MEC, 1988, p. 7)

Perceba que cidadania abrange uma vasta gama de qualidades que o indivíduo deve aprender. Desenvolver a cidadania, não é somente aprender os conteúdos científicos e culturais, vai muito além.

Deveres políticos; sociais; civis; solidariedade; cooperação; repúdio as injustiças; respeito a si mesmo e ao outro, São os princípios fundamentais para exercer a cidadania. Sendo assim, esses saberes devem ser à base da educação escolar para a formação de uma sociedade capaz de transformar o mundo.

3 SOCIEDADE DO SÉCULO XXI

O século XXI está se destacando com as novas tecnologias, mudando assim, os paradigmas que até o século passado norteavam a sociedade. Com a chegada das novas tecnologias, está se formando um novo modelo de sociedade. Fala-se hoje, em uma economia da informação. Tal economia, aos poucos, tomará o lugar da economia industrial.

Vivemos em uma sociedade, na qual, a presença das novas tecnologias de informação, comunicação, entretenimento é cada vez maior, e com elas, os conceitos de informação, conectividade e interatividade. A informação, crescendo continuamente, predomina sobre a energia, e a imagem de representação é dada pelo computador, ao invés de turbinas, silos ou os chaminés das fábricas. Ao trabalhar poeticamente a proposta da leveza, Ítalo Calvino nos apresenta a idéia deste novo paradigma ao dizer que neste mundo “não temos imagens esmagadoras como prensas de laminadores ou corridas de aço, mas bits de um fluxo de informação que corre pelos circuitos sob a forma de impulsos eletrônicos. As máquinas de metal continuam a existir, mas obedientes aos bits sem peso”. Agora, a acumulação de informação é a força orientadora do capitalismo pós-moderno, assim como a acumulação do capital industrial foi do capitalismo moderno.  (Holgonsi Soares Gonçalves Siqueira). Disponível em: http://www.angelfire.com/sk/holgonsi/informacional.html) Acesso em: 18/05/2010.

Nesse sentido, as novas tecnologias devem fazer parte da sala de aula. É saber fundamental para a sociedade atual e, a escola, não pode negar tal conhecimento aos alunos. É chegada a hora do giz e do quadro negro ficar em segundo plano. A escola pública brasileira deve se adequar aos novos tempos, às novas ferramentas tecnológicas existentes no mercado.

Escolas conectadas proporcionam aos alunos maior interação com o mundo. A internet também pode ser usada nas escolas para que, os pais de alunos, participem efetivamente da educação de seus filhos. Uma forma inteligente de interação e aprendizagem.

A educação é motivo de preocupação em todas as esferas sociais. Quem não quer dar a melhor educação a seu filho? No entanto, atualmente, principalmente nos grandes centros urbanos, as famílias não têm tempo para acompanhar o desenvolvimento das crianças. Vamos estudar um pouco como se dá a estruturação familiar e a educação formal e informal das crianças, na atualidade, para que possamos entender a formação da sociedade.

Até pouco tempo, a educação informal das crianças era de responsabilidade das mães. Porém, com a mudança do modelo de família patriarcal, onde o homem era o líder da família, sua obrigação se consistia em prover sustento e a segurança familiar. À mulher cabiam os demais afazeres, entre eles educar as crianças.

O pai era o chefe da família, cabendo-lhe a função de prover o sustento material dos membros, que lhe deviam obediência. Ele tinha acesso livre ao espaço público, vida social e mercado de trabalho. A mãe tinha acesso restrito ao espaço público, sendo que lhe cabia a responsabilidade pelas tarefas doméstica e educação dos filhos […]. (SILVA, 2005, p. 50. Grifo meu).

A mudança na estrutura familiar resultou uma nova concepção de educação. Atualmente, são raros os casos que pai e mãe não trabalham fora. A mulher toma seu espaço que sempre lhe fora negado. Com isso, as crianças passam a serem educadas por um estranho às convivências do lar, o professor (a).

Já, que as famílias não participam ativamente da educação de seus filhos. Cabe a escola desenvolver as atividades educacionais em todos os aspectos. “Ocupando grande parte da vida de seus alunos, a escola ensina técnicas, valores e ideais, e cada vez mais substitui as famílias na orientação sexual, profissional, ou seja, a vida como um todo.” (SILVA, 2005, p. 55).

Mesmo que a escola tome total iniciativa na educação formal, cabe à família passar outros saberes. Conforme Silva, 2005, p.53:

Os pais são para os filhos os modelos de como os adultos se comportam, ou seja, como resolvem conflitos, tratam as visitas, portam-se à mesa, o que pensam sobre acontecimentos do mundo, etc. São os pais os primeiros modelos de como é ser homem e ser mulher, que se referem aos padrões culturais de conduta. A criança internalizará a cultura que a família reproduz em seu interior.

Perceba, a importância que a família tem para a criança se socializar. Infelizmente devido à desestruturação de muitas famílias, quando tem uma família, muitas crianças são levadas a marginalização.

4 CIDADANIA PLANETÁRIA

Moacir Gadotti fala em uma cidadania planetária. Assim, deve-se educar visando o global. Somos todos pertencentes ao mesmo princípio de vida, a terra. Portanto, devemos aprender a respeitar nosso planeta, só assim estaremos respeitando a nós mesmos. A grande questão é: aprender pensar de forma a compreender as diversidades existentes no meio, e respeitá-las.

Educar para a cidadania planetária implica muito mais do que uma filosofia educacional, do que o enunciado de seus princípios. A educação para a cidadania planetária implica uma revisão dos nossos currículos, uma reorientação de nossa visão de mundo da educação como espaço de inserção do indivíduo não numa comunidade local, mas numa comunidade que é local e global ao mesmo tempo. Educar, então, não seria como dizia Émile Durkheim, a transmissão da cultura “de uma geração para outra”, mas a grande viagem de cada indivíduo no seu universo interior e no universo que o cerca. (GADOTTI). Disponível em: http://www.paulofreire.org/pub/Crpf/CrpfAcervo000137/legado_Artigos_Ecopedagogia_Pedagogia_da_Terra_Moacir_Gadotti.pdf. Acesso em: 18/05/2010.

Educação, na perspectiva de Gadotti, deve privilegiar o aprendizado ecopedagógicos, para aprender a respeitar o planeta terra. As ações locais têm dimensão global, ou seja, o desmatamento da floresta amazônica causa danos a todo o planeta. Assim como a fumaça produzida pelas chaminés das fabricas européias, causa danos a estrutura mundial.

Educar, então, para a compreensão do sistema como um todo. Um mundo sem fronteiras geográficas, onde todos são responsáveis pela vida da terra e do homem.

Os sistemas educacionais, em geral, são baseados em princípios predatórios, em uma racionalidade instrumental, reproduzindo valores insustentáveis. Para introduzir uma cultura da sustentabilidade nos sistemas educacionais nós precisamos reeducar o sistema: ele faz parte tanto do problema, como também faz parte da solução. Por isso precisamos de uma nova pedagogia. Estou convencido de que a sustentabilidade é um conceito poderoso, uma oportunidade para que a educação renove seus velhos sistemas, fundados em princípios e valores competitivos. Introduzir uma cultura da sustentabilidade e da paz nas comunidades escolares é essencial para que elas sejam mais cooperativas e menos competitivas. Nesse sentido, a Ecopedagogia, a pedagogia da Terra, a Pedagogia da Sustentabilidade, a Educação Ambiental e a Educação para a Cidadania Planetária podem dar uma grande contribuição.  Disponível em: http://www.paulofreire.org/pub/Crpf/CrpfAcervo000137/Legado_Artigos_Ecopedagogia_Pedagogia_da_Terra_Moacir_Gadotti.pdf. Acesso em: 18/05/2010.

A educação sustentável, não é mais um modelo pedagógico, mas, uma necessidade mundial. O modelo capitalista, consumista, está nos levando ao caos. A escola tem o dever de reverter essa situação. Formar novos paradigmas educacionais, novos horizontes norteadores à população mundial. Segundo o professor Norberto Siegel:

A principal função da educação ambiental é a construção de um novo olhar da sociedade, da escola e das famílias sobre o meio em que se vive. Uma educação que possa colaborar no desenvolvimento de hábitos, de atitudes e valores, os quais se revertem em ações de respeito, cuidado e colaboração social com tudo que rodeia o cidadão. (SIEGEL, 2005, p. 77.).

Ainda, conforme Brasil/MEC, de maneira geral, “concorda-se que é fundamental a sociedade impor regras ao crescimento, à exploração e a distribuição dos recursos de modo a garantir as condições de vida no planeta” (BRASIL. MEC, 2000, v. 9, p.38).

5 EDUCAÇÃO NA PRÁTICA

Como já vimos anteriormente, o principal objetivo dos PCN é a educação para a cidadania. Portanto, todo conteúdo que se refira a conceito, procedimentos e atitudes, deve levar em consideração o eixo vertebrador chamado “cidadania” Conforme Mato Grosso do Sul/SED 2008, p. 29:

A ciência é a melhor forma de conhecer, interpretar e respeitar a natureza. É fundamental que essa forma de conhecimento seja apresentada aos educandos logo nos primeiros anos. Na construção do conhecimento científico é necessário levar em consideração o estágio cognitivo do aluno, relacionando: expectativas, idade, identidade cultural, contexto social, diferentes significados e valores que as ciências podem ter para uma aprendizagem significativa.

Ao analisarmos os pequenos quando chegam à escola pela primeira vez, lápis e cadernos em suas mochilas, semblantes carregados de curiosidades com tudo e todos que lhes cercam. Mas, a figura principal em que fixam seus olhares é o professor (a). Sedentos de saber, mas, certamente já trazem em suas bagagens muitas experiências vividas no dia a dia. Conhecimentos informais adquiridos com os pais, avós, na igreja ou com os amiguinhos. No entanto, é na interação escolar e com a mediação do professor que virá o saber formal, científico. Portanto, cabe a escola a responsabilidade de apresentar os saberes científicos aos novos alunos. Ensiná-los a conceituar, proceder e tomar atitudes frente aos problemas que surgirem no decorrer de suas vidas.

A postura do professor frente aos conteúdos conceituais em relação aos PCNs é de fazer ou montar estratégias, para que os educandos entendam de fato o sentido amplo do vocábulo ‘conceito’. Ter ideia, noção, saber avaliar com clareza o objetivo do estudo. Por exemplo: ao falar de meio ambiente, o aluno deve entender que é tudo aquilo que nos cerca. Que quando falamos em preservação ambiental, não é somente a floresta amazônica que está em foco, e sim, todo o ecosistema que nos cerca, inclusive a sacolinha plástica que jogamos na rua, pois ela afetará a natureza de alguma forma.

Quando os pequenos infantes alcançam a idade escolar, já têm consigo conceitos sobre diversas coisas. Conceitos esses em via de formação, que vão se alterando à medida que o aprendizado vai se intensificando. Sendo assim, com o passar do tempo e com novas experiências adquiridas no percurso de suas vidas os conceitos vão se aprimorando. Assim, conceito é algo subjetivo.

Nos Quatro Pilares da Educação vimos que é relatada a importância de aprender a fazer. O procedimento, ato de saber fazer. Só se aprende a fazer, fazendo. Assim sendo, todo o ato de aprendizagem deve ser praticado, o educando deve por as “mãos na massa”, literalmente.

Para aprender a escrever, temos de pegar lápis e caderno e praticar a escrita. Por exemplo: em ciências naturais, além das aulas teóricas, giz, quadro negro e livros, o aluno pode aprender sobre produção de alimentos, manejo do solo, adubos orgânicos, a proporção de uma alimentação saudável, fazendo uma horta na própria escola. Assim, o aluno terá a oportunidade de conhecer os métodos de cultivo, o processo de germinação das sementes, os cuidados com o solo, a importância do sol e da chuva para melhorar a terra cultivada.

Aqui você tem a oportunidade de desenvolver, na sua escola, uma horta com seus alunos, podendo além de trabalhar os conceitos próprios do tema, a valorização dos recursos naturais e atitudes cooperativas na realização de tarefas simples como limpar o terreno para a plantação e plantio em si. Você também pode entrevistar pessoas que desenvolvem atividades relacionadas ao tema, como: agricultores, visitar mercados […] (Luca, 2007, p. 91).

Existem muitas maneiras de aprender a fazer, basta querer. Os conteúdos procedimentais relativos aos PCN ciências naturais (2000) abordam ainda temas como sexualidade e gênero, cuidados que devemos ter com o corpo em relação à saúde. Segundo Brasil/MEC apud Luca (2007, p. 88), os alunos “podem identificar as características gerais do corpo humano, que nos identificam como espécies e as características particulares de sexo, idade e etnia.”

Além disso, ainda podem ser trabalhados temas como a obesidade, a importância dos exercícios físicos, a higienização de nosso corpo como manter as unhas limpas e aparadas e o cuidado com os cabelos, entre outros. Estou citando o exemplo de ciências naturais, mas, tais procedimentos podem ser trabalhados em todas as disciplinas, de forma interdisciplinar.

Lembra que dois dos Quatro Pilares da Educação um é aprender a ser e outro é aprender a viver juntos? Vamos resumi-los a um: “atitude”. Atitude pode ser definida como “ação”. Quando tomamos uma atitude a respeito de alguma coisa, entramos em ação.

O comportamento do professor, suas atitudes, está em constante observação. Logo, as atitudes do professor servem de espelho, de eixo norteador para que os alunos se construam. Conforme Luca (2007, p. 73) “A aprendizagem de qualquer conteúdo atitudinal depende muito do comportamento do professor. O aluno observa o modo de agir do professor, analisa-o, avalia a sua coerência e adequação e julga-o como um modelo a ser seguido ou não.”

Com o advento das novas tecnologias, o professor deve estar atualizado porque as ciências estão em constante transformação, o que é dito como verdade absoluta em um tempo, em outro pode não ser. Por exemplo: há pouco tempo os professores ensinavam que a água era um bem infinito, que poderíamos usar e abusar, que nunca acabaria. Hoje, sabemos que não é bem assim. Com o aumento da população do planeta, o consumo de água aumentou e, com isso, o seu ciclo natural demora muito mais tempo para ser concluído. Ou seja, a quantidade de água é a mesma, não diminuiu, mas a população aumentou, consome-se mais.

Segundo Mato Grosso do Sul/SED (2008, p. 29):

O professor deve pesquisar e aplicar em sala um discurso científico atualizado evitando prender-se somente ao livro didático: usar diversas estratégias como; observação, experimentação, jogos, diferentes fontes textuais, entrevistas, seminário, júri simulado, excursão ou estudo do meio, uso de informática dentre outros. Tais estratégias despertam o interesse dos estudantes pelos conteúdos, conferindo sentido a natureza e a ciência que não são possíveis no estudo de apenas um livro, desfazendo o mito de que a ciência é o espaço exclusivo para “gênios”, uma imagem que está presente no imaginário das pessoas.

Saber conceituar, proceder e ter atitudes dignas faz do cidadão um indivíduo notável em qualquer sociedade. Os eixos temáticos dos PCNs são de fundamental importância na formação dos alunos para a cidadania. Saber de fato como se comportar diante as situações que possam surgir. Ser crítico e criativo são fundamentos de uma boa educação.

Os conteúdos das ciências naturais são, a meu ver, imprescindíveis à formação de todos os seres humanos, seja na educação formal ou informal. A partir do descobrimento do fogo, o homem começou a poluir a terra, agora é hora de preservar o que sobrou. Para isso, devemos aprender conceituar, proceder e ter atitudes que façam a diferença em relação à humanidade, o planeta como um todo.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Vivemos em um mundo em constantes transformações, onde as coisas acontecem rapidamente. A tecnologia é a nova ferramenta para aquisição de conhecimentos: na internet, podemos interagir com o mundo, saber em tempo real o que está acontecendo no outro lado do globo terrestre ou fora dele. Software como o Google Earth, por exemplo, deveria ser obrigatório nas aulas de geografia. Penso que a escola deva mudar sua estrutura. Este modelo escolar que temos, é o mesmo desde seu início, a mais de cem anos. Tudo mudou, a escola não: alunos enfileirados, professor, giz e quadro negro. Maria Montessori dizia que nas escolas de seu tempo, “as crianças ficavam iguais uma coleção de borboletas, cada uma presa em sua carteira”, ainda hoje é assim. Quando não obedecem, são taxados de indisciplinados.

O construtivismo afirma que aprendemos através da interação com o meio, assim como o sociointeracionismo ou socioconstrutivismo de Vygotsky. Assim, é impossível deixar as crianças presas as carteiras escolares, enquanto o professor fala. Devemos ter mais interação prática nas escolas. “O saber que não vem da experiência não é realmente saber.” Vigotsky citado pela (REVISTA NOVA ESCOLA, Grandes Pensadores, n. 19, julho de 2008.).

7 REFERÊNCIAS

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, Centro Gráfico, 1988.

BRASIL. Lei n. 9.394, de 20/12/1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. São Paulo: Editora do Brasil S/A.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos: apresentação dos temas transversais/Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF, 1988.

DELORS, Jacques et al. Educação: um tesouro a descobrir. 8 ed. São Paulo: Cortez: Brasília, DF: MEC, UNESCO, 2003.

GADOTTI, Moacir. Ecopedagogia, Pedagogia da terra. Disponível em: http://www.paulofreire.org/pub/Crpf/CrpfAcervo000137/Legado_Artigos_Ecopedagogia_Pedagogia_da_Terra_Moacir_Gadotti.pdf. Acesso em: 18/05/2010.

LUCA, Anelise Grünfeld. Metodologia e Conteúdos Básicos de Ciências Naturais. Associação Educacional Leonardo da Vinci (ASSELVI). Indaial: Ed. ASSELVI, 2007.

MATO GROSSO DO SUL. Referencial Curricular da Educação Básica, Ensino Fundamental. SED, Secretaria de Estado de Educação, Campo Grande, 2008.

MOSER, Giancarlo. História da Educação. Associação Educacional Leonardo da Vinci (ASSELVI). 2ª Ed. – Indaial: Ed. ASSELVI, 2007.

REVISTA NOVA ESCOLA. Grandes Pensadores. São Paulo. São Paulo: Ed. Abril, nº. 19, jul, 2008.

SIEGEL, Norberto. Fundamentos da Educação: Temas Transversais e Ética. Associação Educacional Leonardo da Vinci (ASSELVI). Indaial: Ed. ASSELVI, 2005.

SIQUEIRA, Holgonsi Soares Gonsalves. Novo Paradigma Informacional. Disponivel em: http://www.angelfire.com/sk/holgonsi/informacional.html. Acesso em: 18/05/2010.

SILVA, Daniela Regina da. Psicologia Geral e do Desenvolvimento. Associação Educacional Leonardo da Vinci (ASSELVI). – Indaial: Ed. ASSELVI, 2005.

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