EJA – Produção de Texto

Desenho com os dedos...
Desenho com os dedos…

A CARTA DO EDVALDO SILVA

E.M.Prof Maria Nilza da Silva Romão.

Praia Grande, ___ de ________________________ de  20__

3 e 4 séries da EJA                             Prof  Hebe G. Dorado

ATIVIDADE DE PRODUÇÃO DE TEXTO

Elaborada por Hebe G. Dorado

            A Prof. Matilde, que dá aulas na EJA, pediu para os alunos fazerem uma carta a quem desejassem. Edvaldo Silva, que veio lá do interior de São Paulo, disse que escreveria uma carta a sua mãe:

 

São Vicente, 22 de janeiro de 2012.

Querida mae,

Oje estou te escrevemdo porque é feriado aqui em São Vissente e não vol trabalha.

Mainha, não se preocupe comigo. Já consegui comprar um terreninho e levamtei lá uma cassinha. Não é lucho, mas é mel teto.

No começo, comprei uns broco, simento e com a ajuda dos amigo a  casa tá de pé.

Fiz um sercadinho onde botei galinea pra modo de bota uns ovo fresquo. Tenho até um caxorro que se xama Chamego. Na casa já tem fugão, geladera (usada), televição, çofá, cadera, armofada e lógico, uma cachacinha pra relachá.

Tô com muita çaudades. Quando junta um dinheirinho vou aí pacear.

Um bejo deste fio que tamto te ama.

Edavaldo Silva.

Mainha, só me procupô a cara da profeçora quando leu esta carta. Ela olho e disse:

            __ Ai, meu Deus!!!

AGORA, reescreva a carta, fazendo as correções necessárias. Procure no Banco de Palavras.

MÃE – HOJE – ESCREVENDO – VICENTE – VOU – MÃEZINHA – LEVANTEI – CASINHA – LUXO – LUXO – MEU – CIMENTO – DOS AMIGOS – CERCADINHO – GALINHA – UNS OVOS FRESCOS – CACHORRO – FOGÃO – GELADEIRA – TELEVISÃO – SOFÁ – CEDEIRA – ALMOFADA – RELAXAR – SAUDADES – ESTOU – PASSEAR – BEIJO – TANTO – PREOCUPOU – PROFESSORA – OLHOU.

Em Busca de uma Nova Identidade

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Imagine que em seu RG estivesse escrito “Analfabeto”. Agora, imagine o dia em que, depois de 20 anos carregando esse documento, você o trocasse por um novo, com sua assinatura substituindo aquela palavra de cinco sílabas que o perseguiu por toda a vida e o impediu de ser um cidadão pleno. “Ainda guardo aquele documento para, no futuro, dizer ás minhas filhas o que eu era antes e aquilo que sou hoje. Já sei assinar meu nome, leio muita coisa e, se Deus quiser, vou fazer até uma faculdade”.

            A faculdade não fazia parte dos sonhos do líder comunitário Raimundo Laurentino de Matos Filhos, 38 anos, paraibano de Pombal. Nem dos muitos Raimundos e Marias que estão indo para a escola e dando uma guinada na vida. Mas agora faz. E se depender da força que os adultos ganham quando tomam posse do conhecimento adquirido na escola, eles vão chegar lá.

            A reportagem de Meire Cavalcante sobre a EJA está na página 50. Leia, conheça alguns casos de sucesso e orgulhe-se de ser a pessoa que abre as portas para esses brasileiros.                     

                                                                                              Um abraço.

                                                                                              Nilcéa
                                
Nilcéa Nogueira

                                                                                  Diretora de Redação

FONTE: REVISTA NOVA ESCOLA AGOSTO DE 2005 – PÁGINA
SEÇÃO à CARO PROFESSOR

ATIVIDADES

1- De acordo com o texto lido, qual é o nome do aluno comentado?

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2- Ele é de qual cidade?

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3- Em que estado brasileiro fica esta cidade?

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4- Você saberia dizer em qual região do Brasil ela está localizada?

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5- Você pode separar a palavra ANALFABETO e dizer quantas sílabas ela tem?

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6- O que você entende por “cidadão pleno”?,

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7 – O que você entende por muitos “Raimundos e Marias”?

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8 – Escreva algum fato que melhorou em sua vida depois de ser aluno da EJA:

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9–Esta reportagem foi feita por quem?

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10 – Com certeza ela se formou em uma Faculdade. Você saberia dizer de quê?

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NOTA FINAL

Esta atividade tem o objetivo de mostrar a você, aluno da EJA, que como você, existem muitas pessoas na mesma situação. Não se acanhe. Na vida você já fez várias conquistas. Esta é só mais uma!

                                                                                  Profª Hebe Gomes Dorado

                                                           Alfabetizadora da EJA – Praia Grande – SP

Texto enviado pela professora Hebe Gomes Dorado.

Muitos professores da EJA – Educação de Jovens e Adultos, reclamam da escassez de materiais, ideias de atividades para serem trabalhados em sala de aula. Na EJA, não podemos usar as mesmas ideias que na Educação de pessoas com idade adequada a série proposta. Por isso, todas as atividades que possam ajudar tais alunos sempre serão bem vindas. É muito importante que seja alguma coisa que diz respeito a realidade dos alunos e de suas ideias para, a partir de então, irem além….  

Relatório de Estágio nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental

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1 INTRODUÇÃO

A intervenção foi feita no período vespertino, durante uma semana, dias 10 a 14 de agosto de 2009. Conforme combinado com a professora regente, que me passou os conteúdos com os quais estava trabalhando; Português e Matemática. Durante esse período, houve também a interação com professores (as) de outras áreas do conhecimento. A saber: Educação Física, Artes e Produções Interativas. Além disso, no dia 11 de Agosto, terça-feira, em comemoração ao dia do estudante, foi realizada uma programação diferenciada: apresentação- em sala devidamente preparada com DVD, caixas de som- DATA-SHOW – de filmes para as crianças pequenas, e, com direito a pipocas.

Ao chegar à sala de aula, as crianças já estavam me esperando. Pois, a professora havia lhes avisado com antecedência, de minha presença e permanência nas aulas durante àquela semana. Confesso que a primeira vez frente à turma- fiquei um pouco sem saber por onde começar (nervoso). Mas, logo superado pela vontade de passar algum conhecimento às crianças, que a essa altura, prestavam atenção em todos os meus movimentos. Ou seja, a minha postura, (comportamento), estava sendo cuidadosamente analisado pelas crianças.

A prática em sala de aula nos leva a refletir como será nosso dia-a-dia sendo professor. Enquanto estamos estudando apenas as teorias, não temos idéia do que é estar frente a uma classe com 30 ou 40 alunos. Onde cada uma dessas crianças tem sua peculiaridade. Ou, cada indivíduo aprende de um jeito, e o professor deve estar preparado e atento, sempre refletindo sobre sua prática educativa.

A experiência vivida através da prática em sala de aula me mostrou claramente o que significa ser professor. Saber como explicar determinado conteúdo ao aluno. Que um texto, como a história dos “Três Porquinhos”, por exemplo: pode ser usado como eixo temático para trabalhar, além da leitura- Geografia, Ciências Naturais (meio ambiente).

Depois de eu ter trabalhado o texto na aula de Português, a professora usou o mesmo na aula de Geografia: onde os porquinhos moravam? De (que lugar) onde o porquinho preguiçoso tirou a palha para fazer a sua casa? E a madeira? E o barro para fazer os tijolos? Conforme Freire, apud Weiduschat (2007, p. 51) “O ensinante que assim atua tem, no seu ensinar, um momento rico de seu aprender. O ensinante aprende primeiro a ensinar, mas aprende ao ensinar, algo que é reaprendido por estar sendo ensinado”.

Portanto, é no estágio prático em sala de aula, que o futuro professor tem a oportunidade de se aperfeiçoar, para exercer com êxito sua futura profissão. Segundo (SILVA, 2007, p.35) “A primeira concepção que deve nortear o papel do professor é: ‘aprender e ensinar’ e ‘ensinar e aprender’. Ambas constituem um processo dinâmico, onde um não existe sem o outro. Ensinar pressupõe um aprendizado”

2 RELATÓRIO DA OBSERVAÇÃO

A Escola está localizada em uma região com pessoas da classe social menos favorecida financeiramente. O colégio conta com 12 salas de aula, com 56 m² cada; consultório médico/odontológico; sala de tecnologia- computadores com internet; cantina; cozinha, onde é feito a merenda dos alunos. O que deixa a desejar é a irrisória quantia de R$-0,22 centavos, que a escola recebe para a alimentação diária de cada estudante. Com 2.800 m² de área coberta, ainda comporta uma sala de cinema- com televisor, DVD, retroprojetor. Há também uma biblioteca com amplo acervo bibliográfico, onde os alunos fazem suas pesquisas e, quando necessário, tomam livros emprestados para lerem em casa.

E, naturalmente, no setor administrativo ficam as salas do diretor; coordenação; secretaria; sala dos professores; amplo saguão, onde os alunos ficam em fila, e os (as) professores (as) os conduzem através de dois lances de escadarias, até o piso superior, local das salas de aulas. Para alunos cadeirantes há um elevador. Construída em um terreno de 10.000 m², onde há uma quadra de esportes coberta; campo de futebol de areia, e espaço para uma bela horta.

A escola tem um diretor titular, e um adjunto; Que são escolhidos a cada dois anos através de eleição: quando professores, alunos e pais de alunos, votam nos candidatos. Os candidatos, geralmente são professores da própria escola. Mas, pode ser professor de outra escola desde que, concursado no estado. Além disso, os candidatos a diretores de escola fazem uma prova na Secretaria de Educação, na Capital do Estado, para comprovar os conhecimentos administrativos. Se não atingir a média, na prova, não pode ser candidato.

Na coordenação: são quatro coordenadores pedagógicos- graduados em Pedagogia; um coordenador de Língua Portuguesa- graduado em Letras; e um coordenador de Matemática, 1º ao 5º ano- graduado em Matemática. E, 60 professores, cada um com formação em sua respectiva área.

A professora é a regente na classe na qual eu fiz o estágio. A mestra, já atuou nas várias fases da Educação Infantil, e séries iniciais do Ensino Fundamental em seus 17 anos de docência. Tem sua formação no magistério, graduada em Geografia, e especialização em Docência do Ensino Superior. Aplica muita criatividade em suas aulas na turma do 3º ano A, vespertino. Sua ênfase é nas leituras interpretativas dos textos. O aluno deve ler e entender o que leu. Em outras palavras, os pequenos lêem os textos, e depois escrevem no caderno, com suas palavras, do que tratava a leitura. “Meu sonho é ter uma sala de aula informatizada”.

O planejamento da Escola , é feito com base no referencial curricular do Estado e no Projeto Político Pedagógico- PPP, da instituição. É realizado um planejamento anual, dividido em meses e o professor faz sua adequação diária, conforme vai aplicando os conteúdos.

O colégio tem 1300 alunos matriculados nos três períodos. Matutino- 6º ao 9º ano, e Ensino Médio; Vespertino- 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental; Noturno- 3ª e 4ª fase da Educação de Jovens e Adultos, fundamental e; 1ª e 2ª fase da EJA Ensino Médio.

A classe na qual eu estagiei, tem 30 alunos, na faixa etária de oito anos. São de famílias humildes, com uma média de cinco integrantes. E, geralmente pai e mãe trabalham fora, para prover o sustento do lar. Quanto ao nível de escolaridade dos pais, a maioria não concluiu o ensino fundamental

A escola não tem problemas quanto a espaço. Existe uma central de matrículas na cidade, onde é feito a matrícula de todos os alunos. As crianças que já estudam em determinada escola, tem sua vaga garantida. Porém, os novatos são encaminhados- quando não há vagas na escola preferida- à Instituição de Ensino mais próxima de sua casa. Desta forma, evita-se a superlotação nas escolas.

Quanto à rotina: às 13 horas inicia-se a aula. A professora convida os alunos para fazer uma oração… Não é necessário fazer a chamada, pois, a mestre, só de olhar para a sala, já sabe se está ou não faltando alguém, e quem.

Em seguida, a professora apresenta alguns textos para as crianças. Estamos numa aula de Língua Portuguesa, e o gênero textual em estudo é “fábulas”. Os alunos lêem as histórias em silêncio. Terminada a leitura, a professora pede para que eles escrevam em seus cadernos- com suas palavras- o que entenderam do material lido.

Ao fazer a correção das escritas dos alunos, a Educadora tem a oportunidade de avaliar se o educando compreendeu a leitura, se o texto escrito é coeso e coerente, e também a caligrafia dos estudantes. Soa o sinal, é hora do recreio.

Quando retornam à sala, a professora de Artes leva os pequenos para uma aula na sala de tecnologia. É uma festa, as crianças adoram mexer nos computadores. São vários joguinhos pedagógicos, e a meninada pode escolher o de sua preferência.

Na sequência, a professora regente retoma suas atividades, é aula de geografia até as 17h15min, quando enfim os infantes retornam aos seus lares, depois de uma tarde rica em aprendizagem.

 

3 RELATÓRIO DA INTERVENÇÃO

O estágio nos da à oportunidade de testar na prática, o aprendizado teórico que temos ao longo do curso. É hora de por em teste, os conhecimentos pedagógicos adquiridos e refletir sobre o que e como devemos melhorar. Portanto, nosso objetivo é o constante processo de aperfeiçoamento até chegar a um patamar aceitável onde possamos dizer que estamos prontos a assumir uma sala de aula.

Segundo Freire, apud Weiduschat (2007, p. 50-51).

Quero dizer que ensinar e aprender se vão dando de tal maneira que quem ensina aprende […] O fato, porém, de que ensinar ensina o ensinante a ensinar certo conteúdo não deve significar, de modo algum, que o ensinante se aventure a ensinar sem competência para fazê-lo. […] A responsabilidade ética, política e profissional do ensinante lhe coloca o dever de se preparar, de se capacitar, de se formar antes mesmo de iniciar sua atividade docente.

Para Vygotsky, a aprendizagem se da através da interação com outros indivíduos. A Psicologia da Educação e Aprendizagem reforça essa tese. “Não é possível aprender e apreender sobre o mundo, sobre as coisas, se não tivermos o outro, ou seja, é necessário que alguém atribua significado sobre as coisas, para que possamos pensar o mundo à nossa volta”. (SILVA, 2007, p.12)

A principal tarefa do professor, portanto, é interferir no que Vygotsky chamou de zona de desenvolvimento proximal. Segundo (SILVA, 2007, p.13) “A Zona de Desenvolvimento Proximal é a distância entre aquilo que o ser humano consegue fazer sozinho e o que ele consegue desenvolver com a mediação do outro”. É a partir dos saberes que o indivíduo já possui que o professor deve começar a educá-lo formalmente. Ou seja, intervir na zona de desenvolvimento proximal.

Quando a professora pede para seus alunos lerem o texto, e depois reescreverem com suas palavras, ela está fazendo as crianças pensarem. Pois, terão que fazer uma análise crítica do texto, mentalmente, e em seguida fazer uma síntese do que entenderam. “No resumir, busca-se referenciar as idéias relevantes […] os estudantes exercitam o pensar, porque necessitam estabelecer critérios discriminativos, capazes de vislumbrar o que de fato é relevante e pertinente ao assunto”. (TOMELIN e SIEGEL. 2007, p. 166).

Partindo do pressuposto que as pessoas aprendem através da interação com o meio em que vivem, para aprender a falar basta que o indivíduo viva em um ambiente onde haja outros falantes. Da mesma forma se aprende ler e escrever, em um ambiente letrado, onde os alunos e professores tenham o hábito da leitura e da escrita. É através da interação com as letras que o aluno se tornará um leitor proficiente.

Infelizmente, há os que acreditam que trabalhar nas aulas de língua portuguesa “apenas” (como se isso fosse pouco) leitura e produção textual não possibilitam ao aluno o conhecimento sobre a língua. Muito pelo contrário, é lendo e produzindo os mais diferentes gêneros textuais que o educando vai ampliar seu leque de possibilidades e conhecimentos sobre a língua. (LÜBKE. 2007, p.75) grifo nosso.

Em minha prática docente, levei para sala de aula textos para serem lidos e analisados pelos alunos. Primeiramente, eu lia o texto para as crianças e em seguida, as crianças liam sozinhas, ou toda a classe, ou ainda em grupos. Em seguida fazia-se uma assembléia para discussão do assunto estudado. Tinha-se então a oportunidade de esclarecer as dúvidas e a comentar sobre a história lida.

É quando estamos na sala de aula frente à turma, que percebemos o valor do planejamento, o que vamos passar para os alunos. Quais conteúdos farão a diferença no aprendizado das crianças e, ao mesmo tempo, de interesse dos aprendizes.

O construtivismo propõe que o aluno aprenda através da interação com o meio. Desta forma, parte-se do concreto ao abstrato, e, a metodologia de ensino deve privilegiar o interesse da criança. Se o indivíduo gosta da maneira como o conteúdo é aplicado e se tem afinidade com o objeto de estudo, mais rapidamente irá compreender. Conforme Sacristán e Pérez Gomes citado por (WEIDUSCHAT. 2007, p.70) “Os planos levam à busca prévia dos materiais mais adequados. Sua seleção se torna um processo explícito de liberação para escolher os mais convenientes”. Podemos afirmar, portanto, que sem planejamento não há aprendizagem formal de qualidade. Os conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais, devem ser analisados e re-analisados constantemente pelos professores.

Ainda conforme (SILVA. 2007, p.33) “A Psicologia coloca a necessidade de a ação pedagógica compreender o aluno em seu contexto social, cultural e econômico, pois assim, o professor estará conhecendo melhor seus pensamentos, suas formas de se relacionar com o mundo, com as coisas”. Se o professor conhece a realidade do aluno, como ele vive, sua família, certamente terá mais subsídios para fazer seus projetos e planos de aula.

Nas aulas de Matemática, trabalhamos conceitos de multiplicação. Pois, era o conteúdo que a professora estava passando para a turma. Segundo Macedo (USP) apud revista nova escola (Nº 19, p. 89, JUL, 2008) “A grande contribuição de Piaget, foi estudar o raciocínio lógico-matemático, que é fundamental na escola, mas não pode ser ensinado, dependendo de uma estrutura de conhecimento da criança”.

Ainda conforme nos afirma (ANTUNES apud MÜLLER, 2008, p.56-57) “O conhecimento não apresenta um saber que ‘vem de fora’ ou que se capta no meio e que, não pode ser transmitido […] o aluno efetivamente aprende a partir de experiências em sua interação com o ambiente e seus simbolismos e com os outros, em que se produzam ações físicas e mentais […]”

Portanto, o ambiente e as situações que o professor (a) cria, são fundamentais para o desenvolvimento do conhecimento lógico-matemático. Para D’Ambrosio (1996) citado por (JACQUES, 2007, p.14) ”Em grande parte, a matemática ensinada nas escolas ainda é desinteressante, obsoleta e inútil, e pouco responde às necessidades do mundo de hoje, é uma matemática morta”.

Trabalhei com os alunos temas referentes ao dia-a-dia, através de resolução de problemas. A idéia de somas de parcelas iguais; a idéia de disposição retangular; análise de possibilidades. Conteúdos que fazem parte do cotidiano das crianças, como o comprimento de uma quadra; quantos quarteirões teem de casa à escola; quanto vou pagar pela bicicleta se comprar em várias parcelas; minha sala de aula tem 40 alunos, considerando que a escola possui 12 salas, qual será o total de alunos da escola; um dia tem 24 horas, quatro dias terá quantas horas? …

A matemática pode se tornar prazerosa se não houver algumas práticas da era ‘jurássica’, como saber a tabuada ‘decorada’, por exemplo. Essas práticas só faziam as crianças odiarem estudar matemática. Segundo BRASIL/MEC- PCN- Matemática, (1998) citado por (JACQUES, 2007, p.8) “[…] ainda hoje nota-se, por exemplo, a insistência no trabalho com os conjuntos nas séries iniciais, o predomínio absoluto da Álgebra nas séries finais, a formalização precoce de conceitos e a pouca vinculação da matemática às suas aplicações práticas”.

Em pleno século XXI, e com o advento das novas tecnologias, é imprescindível que as escolas e professores se adéqüem ao sistema de informações imediato (INFORMÁTICA). Pois, nossas crianças são da geração dos computadores; internet; lam house; interação virtual; hiper-textos. E, os Educadores não podem ficar alheios, às margens das tecnologias. Caso contrário as aulas cairão em um completo dês-interesse, por parte dos alunos, que vêem o mundo de uma forma diferente do que era no passado. A escola de hoje é a mesma em que (MARIA MONTESSORI, 1870-1952) estudou, no século XIX. Onde, segundo ela “As crianças ficavam iguais uma coleção de borboletas, cada uma pregada no seu lugar”. Da mesma forma ainda é, não houve mudanças significativas: as crianças ainda ficam em filas indianas, um atrás do outro em suas carteiras; La na frente fica o professor (a), giz e quadro negro.

De quem será a culpa: da escola? do professor? Dos políticos? Da família? Da sociedade? Não importa, não podemos começar uma caça às bruxas, o que devemos todos fazer é pensar uma Educação, uma escola nova para o século XXI. Quem sabe um computador por aluno, um computador para o professor (a), em vez de quadro negro e giz, uma sala de aula com telão e retroprojetor (data show). Será um sonho? Ou necessidade? O movimento escolanovista (Escola Nova) iniciado nos primeiros anos do século XX, por Anísio Teixeira, inspirado na filosofia do norte-americano (JOHN DEWEY, 1859-1952), teve parte de seu ideário realizado, somente com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional- LDB- 9394/96. Portanto, quase cem anos de espera. Além de Teixeira, não podemos esquecer educadores como: Fernando de Azevedo, Lourenço Filho, Cecília Meireles, Florestan Fernandes, Darci Ribeiro, que se engajaram naquela época, por uma Educação para todos, laica e gratuita. A educação ‘gratuita’ tem um custo para os cofres públicos. Segundo o ministro da Educação, Fernando Haddad, apud (REVISTA NOVA ESCOLA, nº 215, p.38), “Cada aluno do ciclo básico custa 1,5 mil reais. O ideal seria dobrar esse valor”. Quem sabe se começarmos um novo movimento hoje, até o final deste século, teremos a sala de aula dos sonhos de muitos Educadores, inclusive, da professora NADIR.

3. 1 PLANO DE AULA DE LÍNGUA PORTUGUESA – AULA 1 (ANEXO)

3. 1. 1 Análise da intervenção

A primeira aula foi um tipo de prospecção crítica. Eu, estagiário, procurando descobrir a melhor maneira de abordagem dos conteúdos, para melhor compreensão das crianças. Do outro lado, as crianças querendo saber como seriam minhas aulas. Tenho certeza da importância do diálogo franco, aberto, professor/ aluno, para a construção recíproca de conhecimentos. Pensando no meu tempo de escola, eu e meus coleguinhas, como nós aprendíamos, de qual modo nossos professores nos ensinavam. Naturalmente os tempos são outros, mas os meios de percepção, e de apreciação das aulas, pelas crianças, ainda são os mesmos. Os textos clássicos da literatura infantil: Disney; Monteiro Lobato; Vinícius de Moraes, entre outros, ainda despertam o interesse da meninada. Levei “Os Três Porquinhos” para a sala de aula e li a história para as crianças, que se divertiram muito com os porquinhos preguiçosos e com o atrapalhado lobo mau caindo no caldeirão com água fervendo.

Após a leitura do texto por todos os alunos, cada criança leu um trecho da estória, fizemos uma análise da leitura, ou seja, o quê os porquinhos estavam construindo, quem queria comê-los, onde eles moravam? Prático, o porquinho mais velho era muito responsável e trabalhador, e os outros dois gostavam de trabalhar ou só de cantar e dançar? Penso que esses textos por chamarem a atenção dos pequenos, levam a uma boa compreensão, interpretação, o quê o autor quis passar foi entendido com êxito. Para crianças das séries iniciais do ensino fundamental, é importante que se trabalhe com textos que lhes chamem a atenção, pois, por estarem em processo de alfabetização e letramento, as histórias engraçadas torna-se um centro de interesses pelas letras.

Os exercícios apresentados na sequência foram resolvidos com facilidade. Na aula de geografia, a professora usou o texto para falar sobre ambiente e espaço. A experiência foi muito gratificante e, além da interação: prática pedagógica, ainda houve a interação social. Ou seja, conhecer as crianças que freqüentam a escola. Como essa nova geração se comporta no ambiente escolar.

3. 1. 2 Amostra de um trabalho da aula 1 (ANEXO)

3. 2 PLANO DE AULA DE MATEMÁTICA – AULA 2 (ANEXO)

3.2. 1 Análise da intervenção

Na segunda aula já existia certa cumplicidade, estávamos professor estagiário e alunos, mais a vontade. E esse estar à vontade, se vista de maneira crítica, pode ser danoso, pois, quando o assunto é Educação devemos sempre estar em estado de alerta. Quando as crianças resolviam passar dos limites, excessiva bagunça, a professora regente nos dava uma “força”. Com isso, aprendi como lidar com a turma e ministrar as aulas sem o problema de perder o controle da sala, por exemplo. Cito isso porque a grande preocupação dos acadêmicos (as) e professores (as), esta em como resolver questões de indisciplina nas escolas. Eis a importância de estar sendo acompanhado por um professor (a) experiente ao fazer o estágio.

Nesta aula abordamos questões matemáticas: conceito de multiplicação; a idéia de somas de parcelas iguais; a idéia de disposição retangular; análise de possibilidades. Os alunos estão bem adiantados e não houve maiores dificuldades para a resolução dos problemas apresentados a eles.

3. 2. 2 Amostra do trabalho da aula 2 (ANEXO)

3. 3 PLANO DE AULA DE PORTUGÊS – AULA 3 (ANEXO)

3. 3. 1 Análise da intervenção

A proposta da aula três foi diferente, pois, o desafio era os alunos lerem o texto, entenderem, e escreverem o final da história. Dessa forma, foram apresentados alguns possíveis desfechos para o acontecimento, para que eles analisassem e escrevessem o final mais adequado, de acordo com o ponto de vista deles, para a história. A meu ver todos foram muito bem na compreensão do texto e conclusão do mesmo. A metodologia aplicada aqui faz o aluno pensar, pensar criticamente sobre determinada situação. Aprender a ser criativo, pensar a leitura e a escrita como parte integrante do pleno desenvolvimento intelectual do ser humano.

3. 3. 2 Amostra do trabalho da aula 3 (ANEXO)

3. 4 PLANO DE AULA DE MATEMÁTICA – AULA 4 (ANEXO)

3. 4. 1 Análise da intervenção

O tempo vai passando e certamente ficamos mais seguros em nossa prática educativa, aprendemos a ensinar, ou seja, percebemos como as crianças se aplicam mais na construção do saber. De que forma eles, cada um deles compreende, haja vista que os indivíduos aprendem de maneira diversa, cada um do seu jeito. Na aula 4, trabalhamos as contas de subtração de forma direta, ou seja, (28-15=13). A criançada gostou desta forma direta, talvez pelo fato de não terem que fazer a interpretação de um texto, (Joãozinho tem R$- 28,00, se ele comprar 15 docinhos pela quantia de R$- 1,00 cada, quanto lhe sobrará. Para D’Ambrosio (1996) apud (JACQUES. 2007, p. 15) “Para o teórico, o grande desafio para uma nova educação esta na incorporação da etnomatemática no sistema escolar. Matemática que responda as necessidades atuais do aluno”. A etnomatemática refere-se a saberes que se aprende na família e na sociedade.

Há crianças que nunca freqüentaram uma escola, porém, é nota 10 em matemática, vendem latinha; papelão; trabalham na feira, recebem e passam troco, pesam suas mercadorias e não erram. Por outro lado temos muitas crianças na escola que não conseguem resolver uma pequena conta, na aula de matemática. Será que a matemática ensinada nas escolas é desinteressante, não chama a atenção dos alunos, ou será o aprendizado um interesse individual. Ou seja, só aprendemos o que nos causa interesse, o que nos parece útil.

3. 4. 2 Amostra do trabalho da aula 4 (ANEXO)

3. 5 PLANO DE AULA DE PORTUGUÊS – AULA 5 (ANEXO)

3. 5. 1 Análise da intervenção

Na aula cinco (5), além do plano de aula que elaborei para esse dia, foi possível rever o conteúdo estudo durante a semana. “Reforçar” a matéria, não deixar dúvidas: passei exercícios no quadro para as crianças resolverem, em seguida fizemos a correção. Eventuais dúvidas foram devidamente esclarecidas. Tenho plena convicção que os pequenos entenderam o que foi estudado e, fico feliz por ter colaborado um pouquinho na educação daquelas crianças.

3. 5. 2 Amostra do trabalho da aula 5 (ANEXO)

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estágio dois (2) nos deu a oportunidade de estar, efetivamente, frente à sala de aula. Tem-se a oportunidade de estar na “pele” do professor, literalmente. Percebemos como será nossa prática, nosso dia-a-dia em uma escola como educador. Para Telma Weisz citada por (schotten. 2007, p. 55) “Quando analisamos a prática pedagógica de qualquer professor, vemos que, por trás de suas ações, há sempre um conjunto de idéias que as orienta. Mesmo quando eles não tem consciência dessas idéias, dessas concepções, dessas teorias, elas estão presentes”. É no contato com os mestres (as) e alunos na escola, que o futuro professor elabora um perfil que norteara sua prática.

Na atuação em sala de aula, tem-se a oportunidade de reflexão, de analisar onde e como devemos melhorar. Que situações nos deixaram pensativos, intrigados, ou seja, planejamos uma coisa pensando ser excelente, mas na hora de por em pratica, ledo engano. Segundo (WEIDUSCHAT, 2007, p. 34) “[…] queremos dizer que existe um exercício intencional do professor que o leva, constantemente, a refletir sobre o que realizou, a mudar a sua ação sempre que necessário e a refletir novamente sobre os rumos de sua nova ação. Assim temos: Ação-reflexão-ação”.

Pensando criticamente, os estágios supervisionados de licenciatura deveriam ter uma carga horária bem maior do que é atualmente. É comum lermos anúncios em jornais dizendo: precisa-se de professor de Matemática, História ou Pedagogia que tenha no mínimo seis (6) meses de experiência, então porque os formandos já não saem da faculdade com essa experiência?

A arte de educar certamente é a mais nobre de todas. (WEIDUSCHAT 2007, p. 49) nos informa que: “Certamente, a grande preocupação que se apresenta gira em torno da formação do educador e da educadora para que estes dêem conta de discutir e de participar da construção de uma escola com valores humanísticos, de formação de sujeitos autônomos”. O didata, mestre, professor, deve sempre estar atento a sua formação, pois, o mundo esta em constante transformação. Citando novamente Paulo Freire “Esta atividade exige que sua preparação, sua capacitação, sua formação se tornem processos permanentes”. (apud WEIDUSCHAT. 2007, p.51).

A experiência adquirida em sala de aula, fez com que de agora em diante, eu compreenda melhor as teorias da educação. Ao estudar, posso associar a teoria com a prática. Ou seja, posso ver o processo ensino-aprendizagem por outro ângulo. Entender as propostas de Freinet, ao propor que seus alunos escrevessem cartas a outros, para o desenvolvimento da escrita e da leitura com assuntos que lhes fossem pertinentes. E dos “centros de interesse” de (DECROLY, 1871-1932). Naturalmente que esses “interesses” deve ser organizados pelo professor, para o melhor desempenho das crianças. O professor, portanto, age como mediador entre aluno e conhecimento, intervindo no que Vigotsk chamou de “zona de desenvolvimento proximal”.

5 REFERÊNCIAS

JACQUES, Eleide Mônica da Veiga. Metodologia e Conteúdos Básicos de Matemática. Associação Educacional Leonardo da Vinci (ASSELVI). – Indaial: Ed. ASSELVI, 2007.

LÜBKE, Helena Cristina. Metodologia e Conteúdos Básicos de Língua Portuguesa. Centro Universitário Leonardo da Vinci. – Indaial: ASSELVI, 2007.

MÜLLER, Ana Paula Pamplona da Silva. Pedagogia da Educação Infantil. Centro Universitário Leonardo da Vinci. – Indaial: ASSELVI, 2008.

REVISTA NOVA ESCOLA. Grandes pensadores. São Paulo; Ed. Abril, n. 19, jul, 2008.

REVISTA NOVA ESCOLA. Machado para todas as idades. Ed. Abril, n. 215, set, 2008.

SCHOTTEN, Neuzi. Processos de Alfabetização. Associação Educacional Leonardo da Vinci (ASSELVI). Indaial: Ed. ASSELVI, 2006.

SILVA, Daniela Regina da. Psicologia da Educação e Aprendizagem. Associação Educacional Leonardo da Vinci (ASSELVI). – Indaial: Ed. ASSELVI, 2006.

SILVA, Daniela Regina da. Psicologia Geral e do Desenvolvimento. Associação Educacional Leonardo da Vinci (ASSELVI). – Indaial: Ed. ASSELVI, 2005.

TOMELIN, Janes Fidélis; SIEGEL, Norberto. Filosofia geral e da Educação. Associação Educacional Leonardo da Vinci (ASSELVI). – Indaial: ASSELVI, 2007.

WEIDUSCHAT, Iris. Didática e avaliação. Associação Educacional Leonardo da Vinci (ASSELVI). – Indaial: Ed. ASSELVI, 2007, 2. ed.

 

O relatório acima precisa ser formatado… Se precisar dos anexos como modelos, posso providenciar. 

Este relatório foi feito por mim e, qualquer dúvida, favor entrar em contato. Já publiquei em outros sites o mesmo relatório, agora aqui em meu blog.

Rouberval Barboza do Amaral.

Relatório de Estágio em Orientação e Coordenação Escolar

1 INTRODUÇÃO

O objetivo deste documento é relatar o Estágio em Orientação e Supervisão Escolar  realizado na escola Celso Müller do Amaral, localizada à rua: Ponta Porã nº 6823, jardim Maracanã. A escola situa-se na região Leste da cidade no sentido centro/bairro. O colégio recebeu esse nome em homenagem ao cidadão e professor Celso Müller do Amaral que prestara serviços relevantes à sociedade douradense.

A escola C. M. A. foi criada através do Decreto – 10.039, publicado no Diário Oficial nº. 53537. Início da construção em 28/11/98 e conclusão em setembro de 2000. A primeira autorização de funcionamento foi obtida por meio da Resolução SED nº 1.485/01 de 10/03/2001, publicada no D.O nº 5.471 de 20/03/2001. 

O Ensino Fundamental e o Ensino Médio foram autorizados pela Resolução/SED nº 1485/01, de 19 de março de 2001. Os cursos de Educação de Jovens e Adultos, nas etapas do Ensino Fundamental e do Ensino Médio foi autorizado pela Resolução SED nº 1.682 de 19 de dezembro de 2003. 

A instituição funciona em consonância com a Constituição Federal artigos: 205, 206, 208, 210, e 211, com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394 de 26/12/96, Estatuto da Criança e do Adolescente. 

Obedece a regulamentação da Secretaria de Estado de Educação através do:                                 

– Decreto 12.500 de 24/01/08 que dispõe sobre a Estrutura das Unidades Escolares da Rede Estadual de Ensino.

– Resolução/SED nº 2071/06 que regulamenta o funcionamento da Educação Básica.

– Resolução/SED nº 2146 de 16/01/08 que regulamenta a Organização Curricular e o regime escolar do Ensino Fundamental e do Ensino Médio nas escolas estaduais.

– Resolução/SED nº 2055/06 que regulamenta o Ensino Fundamental de 09 anos e matrícula obrigatória aos 06 anos de idade.

– Deliberação CEE/MS nº 6220/01 que dispõe sobre a implantação do curso de Educação de Jovens e Adultos, no Sistema Estadual de Ensino de Mato Grosso do Sul.

– Deliberação CEE/MS nº 6363/01 que dispõe sobre o funcionamento da Educação Básica no Sistema de Ensino de Mato Grosso do Sul.

– Deliberação CEE/MS nº 7000/03, que estabelece normas para equivalência de Estudos e Reavaliação do Diploma ou Certificados de Cursos realizados em pais estrangeiros.

– Deliberação CEE/MS nº 7828/05, que dispõe sobre a Educação Escolar de alunos com necessidades educacionais especiais no Sistema Estadual de Ensino. 

  Fui recebido na escola pelos professores:

ü  Diretor: Fábio Augusto Moreno Múrcia, graduado em Educação Física.

ü  Diretora adjunta: Ivanilde Aparecida Taquette, graduada em Letras e especialista em Gestão Escolar.

ü  Coordenadora: Elenice dos Santos Gonsalves, pedagoga. (Ensino Fundamental)

ü  Coordenadora: Gislene Tardivo Scaliante, graduada em geografia e pedagogia. (Ensino Médio).

 O estágio em Orientação e Coordenação Escolar me deu a oportunidade de vivenciar o dia a dia desses profissionais da Educação, como resolver determinados problemas considerados normais em uma escola. Pequenos conflitos entre alunos; reclamações de professores (as) pela falta de algum material; e a bagunça de alunos nos corredores da escola nos intervalos de troca de professores. 

Porém, será que a escola atual está obedecendo o que determina a as leis brasileiras que regulamentam a educação no país? É o que veremos a seguir. 

Com certeza foi uma grande experiência que levarei em minha bagagem profissional. Segundo Buss, 2008, p. 33. “Os gestores escolares são agentes do processo educativo escolar, com a função básica de coordenação sociopolítica da escola.”  É com esse olhar que vamos adentrar os portões da Escola Celso Müller do Amaral. 

A Escola Celso Müller do Amaral está localizada em uma região com pessoas da classe social menos favorecida financeiramente. O colégio conta com 12 salas de aula, com 56 m² cada; consultório médico/odontológico; sala de tecnologia- 12 computadores com internet; cantina; cozinha, onde é feito a merenda dos alunos. O que deixa a desejar é a irrisória quantia de R$-0,22 centavos, que a escola recebe para a alimentação diária de cada estudante. Com 2.800 m² de área coberta, ainda comporta uma sala de cinema- com televisor, DVD, retroprojetor. Há também uma biblioteca com amplo acervo bibliográfico, onde os alunos fazem suas pesquisas e, quando necessário, tomam livros emprestados para lerem em casa.

E, naturalmente, no setor administrativo ficam as salas do diretor; coordenação; secretaria; sala dos professores; amplo saguão, onde os alunos ficam em fila, e os (as) professores (as) os conduzem através de dois lances de escadarias, até o piso superior, local das salas de aulas. Para alunos cadeirantes há um elevador. Construída em um terreno de 10.000 m², onde há uma quadra de esportes coberta; campo de futebol de areia, e espaço para uma bela horta.

A escola tem um diretor titular, e um adjunto; Que são escolhidos a cada dois anos através de eleição: quando professores, alunos e pais de alunos, votam nos candidatos. Os candidatos, geralmente são professores da própria escola. Mas, pode ser professor de outra escola desde que, concursado no estado. Além disso, os candidatos a diretores de escola fazem uma prova na Secretaria de Educação, na Capital do Estado. Para comprovar os conhecimentos administrativos. Se não atingir a média, na prova, não pode ser candidato.

O objetivo da escola Celso Müller do Amaral é proporcionar ao aluno uma educação de qualidade pautada na valorização do conhecimento, levando o aluno a aprender os conhecimentos já consagrados pela humanidade, a construir novos e, ainda, bem conviver com os outros e com o meio ambiente. Para isso, além dos materiais didáticos-pedagógicos, dispõe dos seguintes profissionais:                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                   

1 – Diretor;

1 – Diretor adjunto;

3 – Coordenador pedagógicos;

1 – Professor coordenador;

60 – Professores;

4 – Intérpretes de LIBRAS;

3 – Pedagogos atendem na sala de tecnologia;

1 – Pedagogo atende os alunos que necessitam de aula de reforço no contraturno, que também atua como coordenador da EJA;

1 – Pedagoga com especialização em Educação Especial atende ,na sala de recursos, os alunos com necessidades especiais.

2 – Bibliotecária;

1 – Secretária;

4 – Assistentes de atividades educacionais;

3 – Agentes de inspeção de alunos;

1 – Supervisor de gestão escolar;

1 – Agente de recepção de portaria;

1 – Auxiliar de serviços diversos;

2 – Agentes merendeiras;

6 – Agentes de limpeza.

 

Do corpo docente: 70% tem pós-graduação; 3 fizeram Mestrado e um Doutorado. Atualmente, a escola conta com 1326 alunos matriculados, nos três períodos de funcionamento. Sendo que: no período matutino, atende alunos das séries finai do Ensino Fundamental e do Ensino Médio; no período vespertino, atende alunos matriculados do 1º ao 9º ano; e, no período noturno, Ensino Médio e a EJA – Educação de Jovens e Adultos, equivalentes ao Ensino Fundamental e Médio. 

Divisão do número de alunos: Ensino Fundamental: 1º ao 5º ano – 128 alunos; Ensino Fundamental 6º ao 9º ano – 472; Ensino Médio: 1º ao 3º –  175 alunos. EJA, Educação de jovens e Adultos: Ensino Fundamental: 3ª e 4ª fase – 187; Ensino Médio: 1ª e 2ª fase – 364 alunos. 

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 

A escola envolve diferentes segmentos de sujeitos que fazem a sua história, tecendo seu projeto educativo. 

Nesse contexto, está o Serviço de Supervisão Escolar, como parte da Coordenação Pedagógica da Escola que, juntamente com a Orientação Educacional, organiza, orienta e assessora o Corpo Docente a fim de que planeje a ação pedagógica a ser desenvolvida com os alunos e alunas na busca da construção das condições para que aconteça o processo de ensinar e aprender com qualidade. 

Planejar significa pensar o antes, o durante e o depois, no sentido de melhorar o fazer pedagógico. É nessa significação que deve atuar a Supervisão Escolar na Escola. 

Organizar reuniões de estudos, em que se aprofundam teorias que dão luz às práticas desenvolvidas é uma tarefa da supervisão. Para tanto, é necessário, também, estudar muito, ler e, principalmente, fazer a leitura do cotidiano das práticas, diálogos e apelos dos professores e professoras. 

Acompanhar o (a) professor (a) no seu planejamento, desde os projetos de ação junto às suas turmas até suas aulas, faz parte do trabalho do supervisor como um apoio, indicando caminhos para a ação-reflexão-ação do professor, da professora. 

É da prática do supervisor escolar, na Escola, criar espaços de fala para o (a) professor (a), para que possa pensar sua ação pedagógica, na perspectiva de buscar sempre melhores condições de aprendizagem para todos os alunos e alunas. 

   O Serviço de Supervisão Escolar tem como parâmetro para sua ação, o seu Plano de Ação, por isso esse é o seu foco de atuação, desde a elaboração, retomada, aplicação, execução e avaliação, primando pelo envolvimento e participação de todos os envolvidos na Escola. 

  É de grande importância o envolvimento da supervisão nos Conselhos de Classe, nas Reuniões de Pais e na articulação da Equipe Diretiva no que diz respeito às questões pedagógicas. 

  Tem, pois, a supervisão Escolar, no contexto da Escola, o compromisso de fazer acontecer a integração entre diferentes segmentos e setores, assessorando o trabalho para a efetivação do Projeto Político Pedagógico da Escola. 

Segundo Wolff, autora do Caderno de Estudos da disciplina Supervisão Pedagógica:

  Na escola, a supervisão exerce a coordenação do trabalho pedagógico, articulando, acompanhando e orientando as atividades educativas integrantes da equipe escolar. Atua no processo ensino-aprendizagem escolar específico e também na rede escolar, articulada a um sistema de ensino. Ambas as formas de supervisão voltam-se para as finalidades da educação nacional. Não há antagonismo, mas complementaridade. (WOLFF, 2007, p.85). 

Para Losso, autora do Caderno de Estudos da disciplina de Orientação Educacional, é função do Orientador Educacional: “Coordenar, junto aos demais agentes educativos, professores, supervisores e coordenadores pedagógicos, o processo de identificação e análise das causas e acompanhamento dos alunos que apresentam dificuldade de aprendizagem.” E, também, segundo (LOSSO, 2008, p. 49): “Coordenar o processo de Orientação Vocacional visando uma formação durante toda a vida escolar do educando.” 

Portanto, é com esses objetivos, com essa fundamentação, que vamos questionar os profissionais do C. M. A – Colégio Celso Müller do  Amaral. Só assim, saberemos se a escola faz o que determina a Lei e as teorias da educação para a Gestão, Orientação e Supervisão Escolar. 

 3 ROTEIRO DAS ENTREVISTAS 

A entrevista foi direcionada para que, como pesquisador, pudesse compreender como o gestor escolar vê o processo de ensino/aprendizagem. Nesse sentido, fiz os questionamentos à professora Elenice dos Santos Gonsalves, Coordenadora Pedagógica. 

– (Rouberval) Para compreendermos o Sistema de Ensino, precisamos saber quem são os agentes envolvidos em tal sistema e como interagem entre si. Nesse sentido, o que é a escola, seu papel?

– (Elenice) Cumpre a escola contribuir para a democratização da SOCIEDADE, proporcionando a formação cultural e científica de todas as pessoas como forma de emancipação, ou seja, o seu papel é a transmissão/assimilação ativa/reavaliação crítica dos conhecimentos (saber sistematizado).

– Qual é a concepção de homem/sociedade/educação?

– O homem é um ser humano dotado da capacidade de pensar e organizar seus pensamentos em função de um ideal a ser atingido. A sociedade é um grupo social ao qual o homem está inserido. Um conjunto de pessoas que vivem em certa faixa de tempo e de espaço, seguindo normas comuns e que são unidas pelo sentimento de consciência do grupo: corpo social. A Educação é a atividade mediadora da prática social, ou seja, uma das mediações pela qual o aluno, pela intervenção do professor e por sua própria participação ativa, passa de uma experiência inicialmente confusa e fragmentada (sincrética) a uma visão mais organizada e unificada (síntese).

– Nesse sentido, qual o papel do professor na transmissão, mediação do conhecimento, como o professor deve agir?

– Conhecimentos são operações pelas quais a mente procede à análise de um objeto, de uma realidade de modo a definir sua natureza. Dessa forma, a aprendizagem é o desenvolvimento da capacidade de processar informações e lidar com os estímulos do ambiente. Assim, o professor age como mediador, ajudando o aluno a concretizar um desenvolvimento que não atinge sozinho, sendo condutor do processo de ensino e de aprendizagem, realizando intervenções pedagógicas que fazem com que os conceitos espontâneos desenvolvidos pelos alunos na convivência social, evoluam para o nível dos conceitos científicos. Dessa forma, o trabalho docente consiste numa atividade mediadora entre o individual e o social, entre aluno e a cultura social e historicamente acumulada, sendo aquele um ser concreto e histórico, síntese de múltiplas determinações, produtos das condições sociais e culturais.

– Qual a sua Filosofia educacional, como a professora pensa a Educação?

– Proporciona ao aluno uma educação de qualidade pautada na valorização do conhecimento, levando-o a aprender os já consagrados pela humanidade, a construir novos e, ainda, bem conviver uns com os outros e com o meio ambiente.

– Qual a diferença entre Orientador Educacional e Coordenador Pedagógico?

–   Antes tido como o responsável por encaminhar os estudantes considerados “problema” a psicólogos, o orientador educacional ganhou uma nova função, perdeu o antigo e pejorativo rótulo de delegado e hoje trabalha para intermediar os conflitos escolares e ajudar os professores a lidar com alunos com dificuldade de aprendizagem. Regulamentado por decreto federal, o cargo é desempenhado por um pedagogo especializado (nas redes públicas, sua presença é obrigatória de acordo com leis municipais e estaduais). Enquanto o coordenador pedagógico garante o cumprimento do planejamento e dá suporte formativo aos educadores, ele faz a ponte entre estudantes, docentes e pais.

Para ter sucesso, precisa construir uma relação de confiança que permita administrar os diferentes pontos de vista, ter a habilidade de negociar e prever ações. Do contrário, passa a se dedicar aos incêndios diários. “Garantir a integração dos atores educacionais e avaliar o processo evita a dispersão”, explica Sônia Aidar, titular do posto na Escola Projeto Vida, em São Paulo.

É também seu papel manter reuniões semanais com as classes para mapear problemas, dar suporte a crianças com questões de relacionamento e estabelecer uma parceria com as famílias, quando há a desconfiança de que a dificuldade esteja em casa. “Antes, o cargo tinha mais um enfoque clínico. A rotina era ser o responsável por encaminhar alunos a especialistas, como médicos, fonoaudiólogos etc.”, explica Sônia.

– O que o Coordenador Pedagógico faz na escola?

– Ele faz a transposição da teoria para a prática escolar e é o maior responsável pela formação dos docentes

Ajudar a elaborar e aplicar o projeto da escola, dar orientação em questões pedagógicas e, principalmente, atuar na formação contínua dos professores. Essas são as funções do coordenador pedagógico (também conhecido em algumas regiões do país como supervisor ou orientador), um especialista em refletir sobre o trabalho em sala de aula. “Seu papel é estudar e usar as teorias para fundamentar o fazer e o pensar dos docentes”, afirma Fátima Camargo, coordenadora e professora do Espaço Pedagógico, em São Paulo.

Assim, é necessário que ele antecipe conhecimentos para o grupo. Para isso é preciso ler muito, não só sobre conteúdos específicos, mas também livros de literatura, jornais e revistas. Um bom coordenador é também um apreciador das diferentes manifestações culturais. Visita regularmente museus e exposições e vai ao cinema e ao teatro.

Rosa Maria Farias, coordenadora pedagógica do Colégio Apoio, no Recife, prioriza a formação docente. Duas vezes por mês, durante o horário escolar, ela reúne seu grupo para um atendimento coletivo. Além disso, marca encontros individuais a cada 15 dias. E uma vez por mês, à noite, Rosa participa de um grupo de estudos, para trocar experiências, planejar e tomar decisões.

Em muitas escolas, cabe a esse profissional fazer ainda o atendimento aos pais e ajudar a resolver problemas de disciplina dos estudantes. Por tudo isso, o coordenador pedagógico só vai desempenhar bem seu ofício se for um líder e tiver apoio da direção em suas ações e reivindicações, como infra-estrutura de trabalho e tempo de estudo para todos os professores.

O que ele faz

Ajuda a elaborar a proposta pedagógica da escola e garante que ela seja posta em prática.

Orienta pedagogicamente pais e responsáveis, alunos, educadores e demais funcionários da instituição.

Responde pela formação dos docentes.

4 ANÁLISE DA ENTREVISTA EM RELAÇÃO AO PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO DA ESCOLA E FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 

5 DESCRIÇÃO DA ROTINA DO DIRETOR E DEMAIS GESTORES DA ESCOLA

 

 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS 

 A história humana, caldeirão efervescente onde as mudanças nunca cessam, sempre nos reserva surpresas. A cada momento, verdades que pareciam definitivamente fincadas em solo firme se esboroam diante dos fatos. (KLEIM, 1996. Apud LOSSO, 2008, p.3.).

    Educação escolar e sociedade… A educação escolar reflete a sociedade que temos ou queremos. A escola forma os cidadãos que interagirão com os outros, podendo fazer um mundo melhor ou não. Por isso a importância de nossas escolas estarem sempre se renovando para não ficarem na teia do atrasamento.

 Novos tempos novos olhares à Educação. O gestor democrático é elemento fundamental na construção da cidadania dos alunos da instituição a qual é responsável.

   Ninguém nasce cidadão, mas torna-se cidadão pela educação. Assim como a ética, a cidadania é hoje questão fundamental na educação, na família, no trabalho e em outras instituições, como aperfeiçoamento de um modo de vida mais humano e digno entre as pessoas. Não é apenas o desenvolvimento científico e tecnológico que tornará a vida das pessoas melhor, mas as relações que se estabelece entre elas. Uma boa ou razoável convivência na comunidade não depende apenas da quantidade de bens materiais que possuo, mas pela forma como me relaciono com os outros, pelo respeito que eu tenho pelos demais. (SIEGEL, 2005, p. 51) 

Quero deixar claro que o estágio em Gestão Escolar foi de grande aprendizagem. Foi me dada a oportunidade de interagir diretamente com os gestores escolares. E isso, foi gratificante. Além disso, por ter feito quatro estágios na referida escola, já estava habituado aos educadores (as) e a rotina da instituição de ensino. E, isso, me deixou tranqüilo ao fazer o estágio.

 Meus agradecimentos à professora Marlene Coelho Chamorro, monitora da Uniasselvi em Dourados, que nos deu total apoio e direcionamento para que pudéssemos desenvolver novos conhecimentos e pô-los em prática.

 

7 REFERÊNCIAS

 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, Centro Gráfico, 1988. 

BRASIL. Lei n. 9.394, de 20/12/1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. São Paulo: Editora do Brasil S/A. 

BUSS, Rosinete Bloemer Pickier. Gestão Escolar. Associação Educacional Leonardo da Vinci (ASSELVI). Indaial: Ed. ASSELVI, 2008. 

LOSSO, Adriana Regina Sanceverino. Orientação Educacional. Centro Universitário Leonardo da Vinci. – Indaial: ASSELVI, 2008. 

LÜCK, Heloisa. Gestão Educacional – uma questão paradigmática. Petrópolis: Vozes, 2006. 

SIEGEL, Norberto. Fundamentos da Educação: Temas Transversais e Ética. Associação Educacional Leonardo da Vinci (ASSELVI). Indaial: Ed. ASSELVI, 2005.

 Obs. Este relatório precisa ser formatado…. Trouxe somente um exemplo….

Rouberval Barboza do Amaral.Imagem