Ser diferente é normal?

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1  INTRODUÇÃO

Ser diferente é normal? Esta questão tem mexido com a maneira de pensar de muitas pessoas. Ou seja, dentro dos ideais pré-concebidos pelas classes dominantes, aquelas que  pautam a maneira de ser das pessoas.. Temos modelos para tudo: ditados pelas leis de um país, pela sociedade a qual o indivíduo está inserido, pela fé religiosa, etc.

 Porém, não podemos esquecer que cada indivíduo é um ser único. Dessa forma, ninguém é igual a ninguém. Começando pela formação biológica, pela educação que cada um recebe de suas famílias, escola, igreja, ou pela sociedade onde esteja inserido.

 Não podemos, de maneira alguma, pensar uma sociedade onde todos sejam iguais, que pensem e hajam da mesma maneira. Seria um total caos social, como se fosse um amontoado de robôs fazendo tudo da mesma forma, como se fossem programados para fazer tais e tais atividades do mesmo jeito, sem criar nada novo.

 Ser diferente deve prevalecer em nossos conceitos, pois é isso que torna o mundo, as pessoas, significativas. A lindeza do mundo está justamente em suas diferenças: nos ideais, na maneira de pensar, agir e de ser das pessoas. A miscigenação e diversidades de raças, culturas, crenças, entre outros, torna a população mundial muito interessante em todos os sentidos.

 Devemos entender que as diferenças tornam o mundo mais interessante. As misturas, as diferentes formas de ser e pensar das pessoas é que dão forma à sociedade mundial tal como é. O mundo não teria graça se todos agissem da mesma maneira, simplesmente não teria graça alguma viver em um mundo ou sociedade onde não houvesse as diferenças, onde todos fossem iguais.

 2  AS PESSOAS SÃO DIFERENTES

Afinal, o que é ser diferente? A Constituição Federal brasileira diz que todos são iguais perante a lei: “Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza […]”. (BRASIL, 1988.). A lei é clara, mas, o que entende-se por igual? A Constituição Federal de 1988 garante a igualdade jurídica a todos, independendo da classe social, sexo, religião ou cultura a que a pessoa esteja inserida.

Ser diferente é normal. A frase, inserida no meio de uma propaganda antiga, acompanhava uma cena simples: uma adolescente cantando e dançando sozinha em seu quarto, algo cotidiano, comum. A menina era portadora de Síndrome de Down e, assim, o texto fazia todo sentido. Uma mensagem que ficou gravada na memória. É a mais pura verdade, também é assim que pensam aqueles que estudam, pesquisam e planejam sobre a educação para crianças portadoras de deficiências, seja qual for. (LAPA, 2013.).

 A citação acima mostra um caso de diferença que até pouco tempo não era aceita nas escolas comuns. Tais pessoas portadoras de algumas síndromes não eram aceitas em escolas comuns por não se enquadrarem no perfil dos alunos considerados “normais”. Esse é apenas um caso entre tantos onde a sociedade mostra claramente exigir um perfil adequado para ser aceito em determinado grupo social. Ainda conforme Lapa, 2013: “Atualmente a lei é clara: é obrigatório acolher todos os estudantes independente de suas diferenças e necessidades. Por trás desses avanços, pode-se encontrar grandes histórias sobre força e luta pela inclusão social.”

 Percebe-se que para algumas pessoas consideradas “diferentes”, serem aceitas em determinado grupo é necessário a formulação de leis específicas. Ou seja, a sociedade por si só não consegue se desarmar de ideologias que determinam um perfil considerado adequado para um indivíduo ser considerado normal, aceito por todos.

 No caso de pessoas com Síndrome de Down, está provado que elas conseguem aprender naturalmente como os demais alunos. Claro que cada caso é um caso. Mas elas aprendem sim de acordo com suas especificidades orgânicas. Conforme a Psicologia da Aprendizagem, qualquer pessoa pode aprender qualquer coisa, salvo algum problema de ordem orgânica. Por exemplo, eu não posso ensinar um cego a dirigir, mas eu posso ensinar outros saberes a ele.

Sendo assim, a escola não pode querer padronizar um tipo de perfil como sendo normal, descartando o que acha ser diferente. Pois, mesmo aqueles considerados iguais são diferentes de alguma forma. A escola é apenas um exemplo de como as pessoas consideradas “diferentes” eram, até pouco tempo, descartadas do convívio social. Ficando, dessa forma, as margens da própria educação formal, direito de todos.

 O diferente causa espanto e, em muitos casos, é a falta de conhecimento que leva as pessoas a formarem pré-conceitos a respeito do que desconhecem. Nem mesmo se dão ao trabalho de analisar, buscar saber de fato do que se trata. Percebendo que é diferente, logo tratam de rotular o que não sabem de acordo com seus próprios conceitos unilaterais.

 É mais fácil lidar com algo que conhecemos bem do que criar novos conceitos sobre as coisas. Voltando ao exemplo da escola, certamente é mais fácil trabalhar em uma sala de aula tradicional onde todos os alunos “aprendem” da mesma forma, do que ter que criar novas maneiras de trabalhar os conteúdos pedagógicos, principalmente com uma criança que tenha alguma síndrome ou outra diferença qualquer.

 O diferente causa estranheza. Um indivíduo com muitas tatuagens, por exemplo, pode ser, conforme o ambiente onde entre, rotulado de “malandro”. Há pessoas que pensam dessa forma, mesmo sem conhecer tal elemento.

 Existe, no ideário de muitas pessoas, um padrão, um modelo comportamental. Como em um quartel onde todos os soldados são ensinados a obedecer certos padrões organizacionais. Um ideário positivista como escrito em nossa Bandeira Nacional: Ordem e Progresso. Onde não se pode questionar os motivos, mas, sim, obedecer o que lhe é imposto sem perguntas. Assim, a sociedade norteia suas ideias conforme acostumada, sem dar importância aos porquês das coisas serem como são. Alienados do sistema. 

 3 DIFERENÇAS IDEOLÓGICAS

Outros exemplos muito noticiado nos meios de comunicação, são a homossexualidade, o estilo gótico, a religiosidade e as ideologias das pessoas, bem como os gostos musicais ou culturais.

 Os conceitos sobre a maneira de ser das pessoas mudam de acordo com o meio, o tempo e a cultura onde vivem. Se na Índia as pessoas cultuam as vacas como deuses, no Brasil as pessoas apreciam sua carne em uma mesa farta. Isso nos faz diferentes deles. Certamente causaria estranheza se fizéssemos um churrasco por lá.

 No Brasil, desde os tempos da colonização as pessoas foram influenciadas pelas ideologias da Igreja católica. A Igreja decidia como deveria ser o comportamento das pessoas: o que comer, como se vestir, com quem casar, o que era certo e o que era considerado errado, pecaminoso. E, tais ideologias, influenciam as pessoas até nossos dias.

 Os índios, considerados diferentes dos homens brancos, eram obrigados a abandonar suas crenças e culturas para seguir o que lhe determinava os padres jesuítas. Até mesmo sua língua foi proibida em certos contextos, com a desculpa de que os demais não entendiam. O mesmo acontecia com os negros africanos escravizados pelos europeus. Jogava-se toda uma história, uma cultura no lixo por serem diferentes das aqui impostas pelos dominantes.

 As classes menos favorecidas financeira e socialmente sempre foram marginalizadas. Não tinham nem mesmo o direito ao acesso do conhecimento. As escolas eram somente para a elite dominante. Aos pobres, aos diferentes, restava o trabalho árduo.

 Portanto, se o indivíduo tem um perfil que não se enquadre dentro do desejado é logo exposto ao ridículo. Taxado, rotulado como imperfeito. Conforme a letra da música de Vinicius Castro:  “Todo mundo tem que ser especial. Em seu sorriso, sua fé e no seu visual. Se curte tatuagens ou pinturas naturais. E daí, que diferença faz?” (CASTRO).

 O belo está justamente nas diferenças. Que diferença faz se meu amigo curte música pop e eu não. Em que isso pode ser prejudicial? As diferenças devem ser cultivadas como algo bom, desde que haja consenso. Ou seja, desde que não sirva de pretexto para rotular ou classificar como melhor ou pior modelo a ser seguido.

 Somos livres e isso nos dá o direito de escolher nossa forma de viver do jeito que mais nos agrade, que nos faça feliz. “Todo mundo tem seu jeito singular. De ser feliz, de viver e de enxergar. Se os olhos são maiores ou são orientais. E daí, que diferença faz?” (CASTRO.).

 Há pouco tempo foi noticiado nos meios de comunicação que a cantora Daniela Mercury havia casado com uma mulher. Foram inúmeras as críticas de pessoas que se colocam na posição de semideuses para fazerem suas declarações. Julgando conforme suas próprias ideias o que é certo ou errado. Ela, a meu ver, simplesmente fez o que lhe parece melhor para sua vida, para sua felicidade. Quem somos para dizer se está certo ou errado, somente por ser diferente de nossos costumes.

 Os casos de homofobia crescem no mundo todo. Desconsiderar a orientação sexual de uma pessoa é pura ignorância. Mesmo porque o que ela faz é problema dela mesma, não me afeta em nada. Isto é, que diferença vai fazer em minha vida se o meu vizinho ou vizinha é homo ou heterossexual?

 Entre outros casos de diferenças, ainda há as diferenças culturais. Onde sempre se privilegia uma cultura em detrimento de outra. Ou seja, as velhas ideologias arraigadas no consciente das pessoas em querer sempre valorizar somente aquilo que conhecem bem, com aquilo que sabem lidar. Talvez por medo do novo, do diferente, daquilo que desconhecem.

 O diferente está na maneira em que a pessoa foi educada. Naquilo que lhe inculcaram como certo ou errado. Cabe, então, o indivíduo rever seus conceitos e reprogramar suas atitudes frente ao diferente.  

 4  CONCLUSÃO

. Considerando o desenvolvimento do texto, ser diferente é perfeitamente normal. Não cabe a ninguém querer impor suas ideologias como únicas e verdadeiras, as mais adequadas para o enquadramento de toda a sociedade.

Todos os seres humanos são sociáveis, não importa suas crenças ou costumes. Se queremos viver em uma sociedade “perfeita” para todos de igual forma, devemos respeitar a todos da mesma maneira que queremos ser respeitado. Ou seja, desde que a diferença de uma pessoa não seja nociva para determinado grupo, por que não aceita-lo de braços abertos?

Aprendemos muito com as diferenças, basta querer. Somos seres inteligentes e podemos tornar nossas diferenças e a dos outros, muito interessantes para as (trans) formações culturais como um todo. Basta idealizar uma sociedade onde todos tenham os mesmos direitos e deveres de fato. Uma sociedade onde todos, sem nenhum tipo de descriminação, tenham voz e vez.

 REFERÊNCIAS

LAPA, Bruna. Disponível em:  http://cientificojornalismo.wordpress.com/2013/03/04/ser-diferente-e-normal/ acesso em 6/6/2013.

 BRASIL http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm.

 CASTRO, Vinicius. http://letras.mus.br/vinicius-castro/ser-diferente-e-normal/

 

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