A estatística no cotidiano escolar

RESUMO

 A estatística no cotidiano escolar; as políticas voltadas para a Educação no Brasil tomam por paradigmas as pesquisas quantitativas e qualitativas feitas nas diversas áreas do ensino. O IDEB – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica; os índices de evasão, repetência, aceleração escolar, o percentual de analfabetismo em cada região do país, são frutos da Estatística. Ou seja, a estatística está ligada a todos os contextos educacionais. Portanto é de fundamental importância que o gestor escolar esteja atento aos números. Além disso, a estatística também é necessária na cantina, na escolha dos livros, enfim, é intrínseca ao cotidiano escolar.      

 Palavras-chave: Censo; Educação; Pesquisa.

 1 INTRODUÇÃO

 O presente estudo tem por objetivo fazer uma abordagem analítica do processo de produção estatística no contexto escolar. Analisaremos os aspetos, ou aspectos funcionais dos censos nas diversas áreas da Educação no Brasil. É comum assistirmos nos noticiários, que o político x está com um determinado percentual de aceitação, ou, uma determinada marca de perfume, roupa, alimento, carro é a mais vendida.  Todas essas afirmações dependem de dados estatísticos. Portanto, podemos afirmar que o nosso cotidiano esta fundamentado, alicerçado, em dados estatísticos. Se nos propusermos comprar um carro; uma casa; um eletrodoméstico; um telefone celular, ou até mesmo uma roupa. O primeiro passo é uma pesquisa de mercado, para depois tomarmos uma decisão. Ou seja, devemos ter certeza da melhor aquisição, naquele momento.

 A mesma análise é feita na área educacional. Percebemos, quando buscamos uma escola para nossos filhos, ou, para nós mesmos. A preferência sempre será pela melhor, dentro de nossas possibilidades.

O governo federal, através de políticas do Ministério da Educação – MEC vem aprimorando, ou melhor, incentivando as escolas, para melhor qualificarem seus alunos. Através de provas como o: ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio; a provinha Brasil – para crianças do Ensino Fundamental, etc. Esses testes servem para medir o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – IDBE. E, com isso, saber estatisticamente o real desenvolvimento educacional, aprendizagem, que as escolas estão proporcionando aos alunos em todo (o) país.

2  ANALFABETOS FUNCIONAIS

 A taxa de analfabetismo funcional funcional de Mato Grosso do Sul é de 21,2%. A situação é semelhante a do Brasil que é de 21%. “No Estado, a maior taxa de analfabetismo funcional está entre os negros (28,1%), seguida dos pardos (23,4%). Entre os brancos a taxa é de 18,1%”. (IBGE). Uma análise das condições de vida da população brasileira divulgada semana passada pelo IBGE: O Estado que tem mais analfabetos funcionais é Alagoas, com “38,6%”, seguida do Piauí com “36,9%”. O que tem menos é o Distrito Federal com “10,5%”.

 Analfabeto funcional é a denominação dada á pessoa que, mesmo com a capacidade de decodificar minimamente os códigos da língua escrita, frase, sentenças, textos curtos e números, não desenvolve a habilidade de interpretação e compreensão da escrita e, ou, operações matemáticas.

Portanto, analfabeto funcional, não se trata do indivíduo que nunca freqüentou uma escola. Ele sabe ler escrever e contar, ocupam cargos administrativos, mas não conseguem compreender a palavra escrita.

Dos 2, 372 milhões de habitantes sul-mato-grossenses, “48,8%”, ou, 1,157 milhões, tem a cor da pele branca. A segunda cor predominante é a parda com “44,5%”, ou 1,055 milhões de habitantes. Em seguida “5,1%” dos sul-mato-grossenses têm a cor negra – “120 mil pessoas”, e 1,5% são indígenas (40 mil pessoas). (dados do IBGE-2009).

Podemos observar nos dados supracitados, que eles existem graças a censos estatísticos. Ou seja, houve uma contagem para chegar-se a esses números. E, através desses quantitativos, é que se traçam políticas para as devidas melhorias em todos os aspectos.

3 ESTATÍSTICA NA ESCOLA

Algumas das principais políticas para a educação no país, hoje, referem-se à diminuição dos índices de evasão e repetência escolar. Há também os programas de aceleração – EJA, para que haja adequação idade/série. Todas essas políticas são feitas com bases em dados estatísticos. Sendo assim, gestores escolares e professores devem estar atentos ao tema; estatística. Pois os números nos dizem muito. Quando pensamos em estatística, logo associamos à gráficos e tabelas. Segundo (GESSER e DALPIAZ, 2007, p.3) a estatística é “uma parte da Matemática Aplicada, que trata de um conjunto  de processos que tem por objetivos a observação, classificação e análise de fenómenos coletivos, bem como a introdução das leis a que tais fenómenos estejam subjacentes”. Para (SILVA, 1999) “Estatística é um conjunto de métodos e processos quantitativos que serve para estudar e medir os fenómenos coletivos”. Observamos, portanto, que estatística é um método usado para determinar uma pesquisa quantitativa.

Depois de definido o alvo da estatística, o primeiro passo será: – Coletar dados; a coleta de dados pode ser direta ou indireta. A coleta indireta, é quando o pesquisador trabalha com dados já existentes. Coleta direta se diz quando o pesquisador coleta suas próprias informações.

Após feita a coleta e a crítica dos dados, o pesquisador fará a apuração da contagem para apresentação e análises dos resultados. Conforme  (GESSER e DALPIAZ, 2007, p.13) “A análise e a interpletação dos dados estatísticos tornam possivel o diagnóstico de uma empresa (escola), o conhecimento de seus problemas […] a formulação de soluções apropriadas e um planejamento objetivo de ação”.

A análise de dados estatístico na escola, diz respeito ao progresso dos alunos: suas notas; evasão; repetência; aprendizado; participação da família; comunidade; entre outros. A estatística escolar também avalia os professores; formação inicial e contínua. Além da instituição Escola como um todo: espaço físico; estrutura do prédio; área de esporte; suporte tecnológico; administrativo;…

4 APRESENTAÇÃO DE DADOS ESTATÍSTICOS

As apresentações dos dados estatísticos geralmente são feitos através de gráficos e, ou tabelas. Os gráficos servem, Segundo (GESSER e DALPIAZ, 2007, p.91), “[…] para facilitar a interpretação do leitor, principalmente o leigo em estatística. As informações mais importantes para o estatístico estão nas tabelas, e é com elas que se faz a análise dos dados, tira-se conclusões e pode-se chegar a tomada de decisões”.

É necessário copreender que a maioria das informações provenientes de levantamentos estatísticos, na busca de afirmar tendências e parâmetros, tem por base uma amostra, a partir da qual os parâmetros são estimados. Ou seja, os resultados obtidos, com bases em dados amostrais, estão sujeitas a erros provenientes da própria contagem.

Outro fator a se levar em consideração, é que; por trás de toda informação, principalmente as veiculadas pela mídia, existe um patrocinador, alguém que pagou pela pesquisa e que, portanto, essa não é neutra e responde a interesses de mercado.

Observa-se ainda que para atingir seus propósitos os “donos”ou veiculadores da informação  não necessariamente  precisam mentir, nem maquiar os dados, “basta apenas escolher as estatísticas, tabelas e gráficos que lhes sejam convenientes para convencer o consumidor a optar pela sua causa, bem ou serviço”. (CROSSEN, 1996).

Diante dessa realidade, é preciso preparar o cidadão – aluno – para que compreenda o processo de geração das informações estatísticas, a fim de que seja capaz de argumentar – aceitar ou refutar – as informações e tomar decisões conscientes, sem se deixar levar por certezas numéricas “absolutas”.

Por essa razão, penso que as discussões sobre estatísticas, devam fazer parte das aulas de Matemática, durante o ensino fundamental. E não esperar que o aluno chegue a universidade para compreender os jogos estatísticos e suas mazelas, levando em consideração que a maioria dos cidadãos não tem acesso a universidade. Para (CAZORLA e CASTRO, 2007) “[…] a inclusão dos conceitos básicos de Estatística e Probabilidades, no curriculo da Educação Básica, através dos Parâmetros Curriculares Nacionais, possibilita um grande avanço para a formação da cidadania”. www.uniaselvi.com.br acesso em 14/10/09.

Para que haja mudanças no curriculo escolar, é nescessário refletir sobre a formação de professores e considerar também que é no trabalho que o docente desenvolve na escola, que os saberes são construidos. Nesse sentido, a formação inicial e continuada do professor, deve dar-lhe subsídios consistentes para que em sala de aula ele possa fazer a diferença. E, dessa forma atenda as demandas sociais, culturais, econômicas e políticas da sociedade atual.

Desta forma, podemos afirmar que a escola é a responsavel pela formação intelectual de seus alunos. E sendo assim deve estar apta a desenvolver o senso crítico de cidadania em seus alunos. Prepara-los para o mundo; saber ler, interpretar, compreender as coisas que lhes cercam. Em outras palavras, “ser um cidadão crítico e criativo”.

Se os alunos compreenderem os processos estatísticos, se a escola trabalhar o tema durante todo o ensino básico, certamente teremos pessoas mais concientes, atentas aos prognósticos dos acontecimentos diários.

Penso que a escola pode trabalhar temas diários, como os noticiáris de tv, rádio, internet, notícias de jornais. E assim, debater com os alunos, notícias do dia-a- dia dos indivíduos: –  será que determinado objeto é mais caro porque é melhor ou é melhor porque é mais caro? – e o político “Y” é melhor, ou faz mais propaganda? Ou – será que o IDBE de nossa escola está baixo em relação as demais escolas, porque somos menos inteligentes?

Há também as questões administrativas, que dependem dos quantitativos, ou números para se apoiarem. Os gestores se apoiam nas estatísticas para desenvolver seus projetos: se minha escola tem 1800 alunos matriculados nas variadas séries e turnos; de quantos professores (a) vou precisar, quantos coodenadores, orientadores. Ah! Ainda preciso de pessoal administrativos, de pessoal para a linpeza. – E a cantina? De quanto alimento vou precisar para alimentar esses alunos? Veja que a Estatística está em todos os lugares.

5 CONCLUSÃO

 Pense o mundo, desde que se tem notícias, o homem desepenha suas taréfas com bases quantitativas. Ou seja, em tempos remotos, os homens plantavam, colhiam, caçavam, com bases em dados estatísticos: conhecimentos empíiricos passados de geração à geração (sem base científica), mas, que dava certo. Os antigos prestavam atenção na lua, nas estrelas, e, sabiam quanta semente prantar para colher determinada quantia de alimento. Também obeservavam o quanto chovia nos (12) doze primeiros dias do ano, e comparando cada dia a um mês, sabiam em qual mês choveria e quanto. Hoje temos outros meios para isso, mas eles não.

 As escolas devem se adequar as novas realidades para poder desenvolver, em seus alunos, o “espírito” interrogativo. Ou seja, nunca acreditar em tudo o que ouve ou vê, como verdade absoluta, sem antes questionar.

As pessoas, principalmente aquelas menos esclarecidas, ou, que não tiveram a oportunidade de ter uma boa formação, são facilmente, enganadas, seduzidas, aliciadas por propagandas enganosas. Mascaradas como verdadeiras. E, cabe a escola tirar esses indivíduos da escuridão profunda que lhes sufocam e, mostrar-lhes a luz.

No mundo capitalista em que vivemos, onde todos querem tudo a qualquer custo, penso que só a Educação pode fazer a diferença. 2010 é ano político, “aí”, começara o festival de patifaria; conversa “fiada” e enganação, como sempre o povo desavisado, acaba acreditando. São, portanto, as escolas, e os professores os responssáveis em  mudar essa cituação.

 6 REFERÊNCIAS

CAZORLA, Irene mauricio. A relação entre a habilidade viso-pictórica e o domínio de conceitos estatísticos da leituras de gráficos. 2002. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação. Universidade Estadual de Campinas, Campinas. Disponivel em www.uniaselvi.com.br acesso em 14/10/09.

CAZORLA, Irene Mauricio. Educação Estatística: As dimensões da Estatística na formação do professor de Matemática. Mesa Redonda do VIII Encontro Paulista de Educação Matemática, 2006, disponivel em www.uniaselvi.com.br acesso em 14/10/09

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, disponivel em www.ibge.org.br acessado em 10/10/09.

GESSER, Kiliano. DALPIAZ, Márcia Vilma Aparecida Depiné. Caderno deestudo: estatística. Centro Universitário Leonardo da Vinci. – Indaial: ASSELVI, 2007.

CROSSEM, Cynthia. O fundo falso das pesquisas: a ciência das verdades torcidas. Rio de Janeiro: Revan, 2006.

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