Questões Sociais

A CURVA1 INTRODUÇÃO

Com o início da Revolução Industrial, muitos operários vindo principalmente do campo, começaram a trabalhar nas fábricas europeias. Com isso, no século XIX, na Europa, o chamado pauperismo ou, pobreza extrema, toma conta das cidades da época. Sem investimento algum por parte do estado ou mesmo dos ricos comerciantes, os burgueses.

Nesse sentido, a burguesia ficava cada vez mais rica enquanto os trabalhadores se afundavam na escuridão da pobreza absoluta. A partir de então, com o descaso total pelo proletariado, começa “a ‘tomada de consciência’ por parte da classe trabalhadora de sua condição de exploração, onde o desenvolvimento econômico crescia na mesma proporção que o pauperismo. (GARCIA et al).

Depois dos inícios das manifestações por parte da classe operária, com a ajuda de partidos políticos e dos sindicatos, o governo começa a criar políticas públicas para facilitar a vida sofrida dos trabalhadores.

A partir de então, os trabalhadores começam a colher os frutos entre eles a redução da carga horária abusiva que chegava a 16 horas diárias. Com a regulamentação social, a legislação fabril, a carga horária dos trabalhadores das indústrias caiu para 10 horas dias. “As questões sindicais e trabalhistas mais amadurecidas conseguiram vitórias trabalhistas, dentre elas a mais importante foi a aprovação da lei das dez horas, além da redução da violência no cotidiano.” (GARCIA et al).

2 A QUESTÃO SOCIAL NO BRASIL (#Questõessociais)

A desigualdade social no Brasil gera vários problemas como o desemprego, violência, a falta de oportunidades para todas as classes. Um dos principais motivos disso acontecer é a falta de formação adequada para os trabalhadores. Muitos querem, porém, não são qualificados para assumir determinadas vagas de empregos que exige melhor capacitação.

Mas, para que possamos entender as questões sociais no Brasil atual, vamos começar do início, como foi a colonização brasileira pelos portugueses. Perceba que as pessoas que para cá vieram naquela época, a maioria não foi por iniciativa própria. Ou seja, alguns foram forçados a isso e outros, como o próprio rei, mudou-se com a Comitiva Imperial fugindo das tropas napoleônicas.

Nesse tempo o que valia era a palavra do rei. O destaque desse tempo eram os padres católicos que de alguma forma prestavam, grossos modos, serviços sociais aos índios, principalmente. Porém, só com o passar do tempo e com as mudanças dos sistemas de governo é que mudanças foram aparecendo.

O início da questão social no Brasil, não foi muito diferente das acontecidas na Europa. A diferença é que no Brasil a população era maior no campo. Nesse sentido, o governo de Getúlio Vargas se preocupou com a Reforma Agrária, distribuindo terras no interior do Brasil, mas, principalmente, porque queria a ocupação do Território Brasileiro.

Outra questão social muito importante que os trabalhadores conseguiram foi a institucionalização da carteira de trabalho, em 1932, que assegurou vários direitos ao trabalhador.

Muitas pessoas encaram a questão social como uma responsabilidade exclusiva do governo. Veja o que diz (SILVA, 2005, p. 35):

“Até a década de 1930, as condições de reprodução da força de trabalho – inclusive a moradia dos trabalhadores – dependiam predominantemente da relação capital-trabalho, apesar de já se identificar uma certa intervenção do poder público. A partir de 1930 essas relações passaram a depender do Estado, por meio de uma estrutura político-institucional em grande parte centralizada no Ministério do Trabalho. Nesse aspecto, a concepção trabalhista e estatal do regime respondeu também a uma demanda dos setores econômicos empresarias, na medida em que a “indústria em expansão exigia mercados nacionais fortificados e ainda (exigia) que o Estado assumisse de forma mais efetiva as condições gerais de produção e reprodução, liberando o capital dessas responsabilidades.

Entretanto, a maioria dos problemas que rondam a sociedade são muitas vezes o retrato das condições que o capitalismos impo~e aos trabalhadores que não se ajustam no mercado de trabalho: o despreparo material e intelectual, ou seja, a pobreza. Para muitos, a pobreza é vista como um problema individual, sendo assim, o próprio sujeito é responsável pela sua incapacidade econômica.

[…] o pensamento construído historicamente de que em toda sociedade haverá sempre os mais pobres, os doentes, os frágeis, os incapazes, os que nunca conseguirão reverter essa condição de miserabilidade, precisando sempre de ajuda e da misericórdia dos outros”. (Yazbeck, 2007:40)

Mas, o discurso de que o sujeito é o único responsável por sua pobreza será correto? Ou seja, mesmo que o indivíduo nunca tenha tido oportunidades reais de inserção social?

3 DESAFIOS E CONQUISTAS

“O grande desafio é que alguns problemas como desigualdades sociais e injustiças são muitas vezes tolerados e ignorados porque não representam uma ameaça direta ao poder político.” (Significados.com.br). Ou seja, os crimes hediondos, por exemplo, como homicídios e sequestros, por representarem ameaças ao poder, recebem uma intervenção por parte do governo. Isso, para proteger a si próprio e, não para pura proteção dos cidadãos comuns. Nesse sentido, a questão social certamente é uma área que precisa se desenvolver muito no Brasil.

O Brasil melhorou muita no que diz respeito as questões sociais, principalmente se dermos uma olhada nas mudanças que ocorreram dos anos de 1930 até a atualidade. Houve um retrocesso nos governos militares, ditadura. Mas a partir de então vemos muitas mudanças interessantes. Principalmente depois da promulgação da Constituição Federal de 1988. Os direitos são claros, conforme a lei, só falta colocá-los em prática.

O povo brasileiro aprendeu a sair as ruas e reivindicar seus direitos adquiridos, a cobrar mais seus políticos. Apesar da corrupção reinante nos governo, aos poucos tudo está mudando. Principalmente para aqueles menos abastados financeiramente. O governo tem criados diversos meios de inserção social. Seja por meio de reforma agrária para as pessoas do campo, de cestas básicas para os menos favorecidos e até as bolsas universidades. Ou seja, a população, principalmente os mais jovens estão sabendo aproveitar as oportunidades crescentes no quesito educação. Há pouco tempo entrar em uma faculdade era somente para os filhos de ricos, atualmente não estuda quem não quer. E, isso, a educação, é a principal maneira de ascender socialmente.

A educação além de tirar os jovens da miséria ainda oferece boas perspetivas de futuro ao mesmo. Creio que esta é uma das grandes conquistas dos brasileiros da atualidade. Claro que a maioria dessas ações ainda tem um caráter assistencialista, porém, aos poucos vai se moldando novas maneiras de pensar e agir do povo.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O capitalismo influenciou a maneira de ser e viver das pessoas. O ter em detrimento do ser, o tênis de marca, o carro, etc. Tudo isso pesa no bolso do trabalhador que também é um produto consumista.

Entretanto, as questões sociais estão tomando novos rumos, para melhor. Se o trabalhador pode comprar uma roupa de marca atualmente, isso foi muito diferente há pouco tempo na história.

No Brasil, as mudanças são claras. Mesmo porque, se a população for miserável, extremamente pobre, quem será o consumidor desse faminto mercado capitalista/consumista da atualidade.

Apesar da maioria da população ser formada por alienados, que não sabem ainda pensar por si só, percebe-se que as pessoas não servem mais como massa de manobras de inescrupulosos. A juventude, principalmente, está mais atenta aos desafios que surgem e mais conscientes de seus direitos e deveres, como foi visto nas manifestações populares que aconteceram em todo o Brasil há pouco tempo..

REFERÊNCIAS

GARCIA, Lívia Oliveira; RAMOS, Vanessa Martins; BONADIO, Valderes Maria Romera. A Questão Social. Disponível em: http://intertemas.unitoledo.br/revista/index.php/ETIC/article/viewFile/938/909. Acesso em: 09/10/2013.

SIGNIFICADOS. Significado de Questão Social. Disponível em: http://www.significados.com.br/questao-social/. Acesso em: 09/10/2013. Silva, Maria Laís Pereira.

Favelas cariocas, 1930-1964. Rio de Janeiro, Contraponto, 2005.

Yazbek, Maria Carmelita. As ambigüidades da assistência social brasileira após dez anos de LOAS: In Serviço Social e Sociedade nº 77, São Paulo, Cortez, 2004.

Diversidade sexual: violência e homofobia

1 INTRODUÇÃO

Homofobia e diversidade sexual é um tema que a sociedade mundial atualmente discute muito. Porém, o que exatamente dispõe tal tema? É o que vamos estudar neste texto. Lembrando que se trata de um texto subjetivo e acadêmico que não levará em questão as posições A ou B, apenas discorrerei sobre a aceitação ou não da sociedade e o que as leis brasileiras dizem sobre o tema em questão.

A desigualdade social, com certeza, é uma das principais culpadas pela não acessão das classes menos favorecidas e pela exclusão social dos mesmos. Nesse sentido, para Pochmann (2004): “No caso brasileiro, […] configura-se como marca inquestionável do desenvolvimento capitalista brasileiro. A escravidão, predominante durante mais de três séculos no país, apresenta-se como o regime de exclusão social por excelência.”

A exclusão é uma das piores formas de violência contra o ser humano. Em tempos remotos, as pessoas eram excluídas das sociedades onde viviam pelo simples fato de serem diferentes e, até hoje, as pessoas são classificadas ou qualificadas de acordo com a cor da pele, a religião, orientação sexual, grau de escolaridade, nível socioeconômico, entre outros. Pochmann, Marcio. Diz que “a velha exclusão continuava sendo a marca das regiões geográficas menos desenvolvidas, diante da permanência da baixa escolaridade, da pobreza absoluta no interior das famílias […].” (POCHMANN, 2004.).

Entretanto, não é somente nas classes sociais menos favorecidas que percebemos a violência contra o ser humano. Nas classes mais favorecidas economicamente também é visível tais preconceitos. A não aceitação da orientação sexual que alguns indivíduos escolhem, causa polêmica das mais diversas. Em muitos casos chega a violência estrema, como é o caso da homofobia. Grupos de pessoas que se acham superiores ou melhores que outros, se colocam em posição de julgamento decidindo o que pode ou o que não pode entre os integrantes de determinada sociedade.

2 DIVERSIDADE SEXUAL

Não há dados estatísticos que indiquem, com certeza, o número de indivíduos homossexuais no Brasil. Estima-se, entretanto, que seja em torno de 10% da população nacional. Nesse sentido, então, temos cerca de 20 milhões de indivíduos, homens ou mulheres, que optaram por orientações sexuais diferentes.

A diversidade sexual deve ser aceita como fator que independe da moral e da ética. Ou seja, não deve ser associada ou medida conforme comportamentos pré-concebidos ou impostos por determinados grupos “moralistas” ou religiosos. A orientação sexual de uma pessoa não define o seu caráter.

A Constituição Federal de 1988 prevê no art. 3º como objetivo fundamental da República Federativa do Brasil promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Portanto, o constituinte legalizou o “ser homossexual”, proibindo qualquer forma de discriminação, tendo em vista que a sexualidade humana é um bem jurídico importante por ser um atributo do ser humano que é irredutível, indominável, irreprimível, indeterminável (a não ser pela própria liberdade individual). Por isso, cabe ao poder público assegurar a toda pessoa o direito de expressar livremente a sua sexualidade, qualquer que seja sua orientação sexual. ”Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.” (Brasil, 1988.).

Resultados da pesquisa “Diversidade Sexual e Homofobia no Brasil: intolerância e respeito às diferenças sexuais”, realizada pela Fundação Perseu Abramo em pareceria com a Fundação Rosa Luxemburgo Stiftung, mostra que um em cada quatro brasileiros tem preconceito contra pessoas LGBT. O estudo buscou captar as percepções da população sobre temas como preconceito e homofobia em relação a gays, lésbicas, travestis e transgêneros.

 3  LIBERDADE DE ESCOLHAS 

Vivemos em um País onde todos têm liberdade de escolhas. Ou seja, as pessoas são livres para escolher sua religião, orientação sexual… sem problemas algum.  É necessário o respeito à diversidade sexual e, em especial, aos princípios constitucionais de igualdade e da dignidade da pessoa humana. A Constituição Federal de 1988 garante isso:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: I – homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição; […]

III – ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante; […].

Desta forma, a lei garante direitos e deveres iguais para todos. Porém, nem sempre é cumprido o que se determina. Ou por falta de conhecimento, informação, das pessoas ou por pura falta de ética. Quando a nos é imposta alguma coisa, que não queremos, isso fere nosso direito constitucional de liberdade de escolhas. Ou seja, é uma violência contra a pessoa.

Quem escolheria a homossexualidade se pudesse ser como a maioria dominante? Se a vida já é dura para os heterossexuais, imagine para os outros. A sexualidade não admite opções, simplesmente é. Podemos controlar nosso comportamento; o desejo, jamais. O desejo brota da alma humana, indomável como a água que despenca da cachoeira. As pessoas são o que são, não podemos querer impor nossa maneira de ser, de sentir, como se todos fossem iguais. Seria o mesmo que empurrar “goela a baixo” nossas ideologias. O direito de escolhas é constitucional e, como seres  pensantes, criativos, todos somos livres para fazer nossas escolhas. Claro, desde que o espaço alheio seja respeitado.

4  ORIENTAÇÃO SEXUAL: ESCOLHA OU DOENÇA

Homossexualidade não é considerada uma doença pela medicina. Dessa forma, é apenas uma escolha, uma opção. É um direito de escolha de homens ou mulheres que sentem atração por pessoas do mesmo sexo. Atualmente os homossexuais estão se assumindo como tais como maior facilidade devido as próprias leis que os protegem em suas escolhas.

Porém a descriminação ainda é muito grande. A homofobia, caracterizada pela raiva, intolerância, perseguição ou discriminação aos homossexuais, existe no mundo todo. Para os grupos homofóbicos, gays lésbicas e travestis devem ser exterminados da face da terra.

A homossexualidade é um comportamento tão antigo e legítimo quanto a heterossexualidade. Reprimi-la é ato de violência que deve ser punido de forma exemplar, como alguns países fazem com o racismo.

Os que se sentem ofendidos pela presença de homossexuais na vizinhança ou em outros ambientes, que procurem dentro das próprias inclinações sexuais as razões que justifiquem tal ofensa. Ao contrário dos moralistas e inseguros, mulheres e homens com a sexualidade pessoal resolvida, aceitam a opção sexual alheia com respeito e naturalidade.

A homofobia, a meu ver, nada mais é do que reações de pessoas desinformadas e pobres culturalmente. Ou seja, são indivíduos que não se enquadram no mundo atual onde todos os tipos de preconceito contra a raça humana é tido como crime para com a humanidade.

5 CONCLUSÃO

A homofobia e a diversidade sexual é questionada e discutida por vários seguimentos sociais. A Internet é palco desses temas, principalmente nas redes sociais onde as pessoas dizem o que pensam sobre tudo.

A diversidade sexual é óbvia e certamente nunca vai acabar. O que deve acabar algum dia é a descriminação, a raiva, que algumas pessoas nutrem pelos homossexuais. Nascemos homens ou mulheres, não há um terceiro gênero. Porém, tais fatores só dependem, biologicamente, para fins reprodutivos.

A preferência por pessoas do mesmo sexo é um desejo que se manifesta em algumas pessoas e não é considerada, de forma alguma, uma doença ou desvio psicológico.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, Centro Gráfico, 1988.

CARDIA, Nancy; SHIFFER, Sueli. VIOLÊNCIA E DESIGUALDADE SOCIAL. Disponível em: http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252002000100018&script=sci_arttext. Acesso em 27/04/2013.

POCHMANN, Márcio. A Exclusão Social no Brasil e no Mundo. Disponível em: http://www.social.org.br/relatorio2004/relatorio016.htm. Acesso em 27/04/2013.

FUNDAÇÃO PERCEU ABRAMO. Pesquisa sobre homofobia. disponível em: http://novo.fpabramo.org.br/content/homofobia. Acesso  em: 01/05/2013.

 

LENDA ÁRABE

Malba Tahan

Diz uma lenda árabe que dois amigos viajavam pelo deserto e, um determinado ponto, discutiram e um deles acabou sendo esbofeteado. O ofendido escreveu então na areia.

“Hoje, meu melhor amigo me bateu no rosto”.

Seguiram viagem e chegaram a um oásis onde resolveram banhar-se. Não demorou muito e o que havia sido esbofeteado começou a afogar-se, mas foi prontamente salvo pelo companheiro. Tão logo recuperou-se, pegou a adaga e escreveu numa pedra:

“Hoje, meu melhor amigo salvou-me a vida”.

Intrigado, o outro perguntou:

“Porque, depois que te bati, você escreveu na areia e agora escreve na pedra?”

Ao que outro respondeu:

“Quando um amigo nos ofende, devemos registrar o fato na areia, onde o vento do esquecimento e do perdão se encarregam logo de apagar. Contudo, quando nos fazem algo grandioso, devemos gravar a ocorrência em local indestrutível, onde vento nenhum do mundo pode desmanchar”.

 

A CORRIDA DOS SAPINHOS

Autor desconhecido

Era uma vez uma corrida… de sapinhos !
O objetivo era atingir o alto de uma grande torre.
Havia, no local, uma multidão assistindo.
Muita gente para vibrar e torcer por eles.

Começou a competição. Mas como a multidão não acreditava que os sapinhos pudessem alcançar o alto daquela torre, o que mais se ouvia era: “Que pena !!! Esses sapinhos não vão conseguir. Não vão conseguir.”
E os sapinhos começaram a desistir. Mas havia um que persistia e continuava a subida, em busca do topo.

A multidão continuava gritando :
“…que pena !!! Vocês não vão conseguir.!”
E os sapinhos estavam mesmo desistindo um por um – menos aquele sapinho que continuava tranqüilo… embora cada vez mais ofegante.

Já ao final da competição, todos desistiram – menos ele.
E não é que ele CONSEGUIU !!!!!!
A curiosidade tomou conta de todos.
Queriam saber o que tinha acontecido…
E assim, quando foram perguntar ao sapinho como ele havia conseguido concluir a prova, descobriram… que ele era surdo!!!!!!

 

OS HERÓIS DO COTIDIANO

Jorge Linhaça
Quando eu tinha por volta de meus cinco anos de idade, fui chamado para salvar uma princesa ( garotinha ) que havia se trancado acidentalmente em uma masmorra ( banheiro).

Do alto de minha posição de cavaleiro, ajudado por meus escudeiros, alcancei a janela da masmorra e, esgueirando-me por entre  o basculante, consegui invadir a torre onde a princesa chorava copiosamente.

Assim que pisei no solo, muni-me de minha lança ( rodo )  e passei a desferir certeiros ( na medida do possível ) golpes contra o monstro ( tranca ) que impedia a abertura da porta.

Libertada a princesa,  fomos ovacionados pelos nossos súditos ( familiares e amigos), aliviados com o bom desfecho da história.

Ao longo da vida tive outros momentos de heroísmo ocasional, impedindo que amigos caíssem de carros em movimento, socorrendo vítimas de acidentes, apagando pequenos incêndios e outras coisas quase que banais.

Mas , não foi para falar de mim que inicie esta crônica, apenas a minha pequena aventura me veio à lembrança e considerei que seria um bom gancho para o assunto.
Muitas vezes, em nosso imaginário, os atos heróicos tem que ser em grande estilo, salvamentos arrojados, sacrifício da própria vida, coisas bem “holliwoodianas” mesmo.

O que passa despercebido em nosso dia a dia são os atos de heroísmo que acontecem ao nosso lado.

Parece inacreditável não e´? Mas existem atos heróicos diários, acontecendo ai bem perto de você.

Não…não vão ser noticiados em redes de TV, são pequenos atos que não dão IBOPE e que, antigamente seriam bastante naturais mas que hoje se tornaram de um heroísmo peculiar.

Curioso? Já vamos chegar lá…

Permita-me falar especialmente da juventude, apenas para exemplificar, afinal não existe época da vida em que desejemos mais ser heróis do que nossa juventude.

As meninas sonham com um príncipe ( seja lá de que tipo for) que a libertará da vida que leva ( seja lá que vida for ) e os rapazes sonham em ser os bravos cavaleiros ( sejam de que tipo forem) que vão modificar o mundo ao seu redor.

Pois bem, o que posso assegurar é que existem centenas, milhares, talvez milhões de jovens em todo o mundo que, heróicamente resistem aos apelos da sociedade atual.
São jovens que, independente da religião professada, aprenderam que existe uma palavrinha chamada NÃO, e a usam com uma frequência e capacidade impressionantes.

A cada “NÃO” proferido por esses jovens, eles enfrentam as mais diversas formas de agressão ou desafio.

Os rapazes são logo taxados de maricas e as garotas de caretas, filhinhas da mamãe ou sei lá mais o que…

Dizer NÃO  às drogas ílicitas é até mais fácil, pela própria ilegalidade embora , é claro,envolva hoje também algum esforço e,
dependendo de onde se vive e com quem se vive, eu diria que um ENORME  esforço…
Dizer NÃO ao álcool  e ao fumo é relativamente mais difícil,  já que são drogas consideradas legais… e quem as consome é considerado “legal”…aí é que vem a chacota com toda a  força, aí é que vem as cobranças de amigos e até de familiares…

É preciso uma boa dose de heroísmo para não sucumbir à pressão da “galera”.
Dizer NÃO ao sexo fora do casamento, à promiscuidade  é mais que heróico, em uma sociedade onde as novelas fazem isso parecer a coisa mais natural do mundo.

Até a “novelinha para adolescentes” prega essa promiscuidade sexual descaradamente e a “sociedade” tão alerta para coisas com menos importância como a quantidade de cães e gatos abandonados , cala-se,  finge-se de cega , surda e muda e continua a dar ibope para a emissora…que beleza…assumem o papel de cúmplices e deixam entrar em sua casa , diante do olhar de seus filhos, esse tipo de programação.

É interessante que depois ficamos debatendo temas que não seriam necessários, como a gravidez adolescente, os abortos , a AIDS e outras DST’s , o tal uso da camisinha, de métodos anticoncepcionais; o governo gastando milhões em saúde pública para atender gestantes “acidentais” , portadores do HIV, distribuindo piluas anti-concepcionais e camisinhas aos milhões, quando tudo isso seria  evitado ou ao menos minimizado se nossa juventude e nossa sociedade tivesse mais heróis do que “cabeças ocas”, do que “descolados” que “não estão nem aí com a hora do Brasil”.

O que ninguém parece perceber é que , quando se incentiva os jovens a usarem camisinha, na verdade esta-se incentivando-os a serem promíscuos desde que devidamente “cuidadosos”.

Seria mais interessante se o foco fosse o de manter-se longe do sexo fácil e descomprometido, mas nossa sociedade adora criar os problemas para depois correr atrás de falsas soluções.

Não é pois de se admirar que os jovens de hoje sejam, em sua maioria, “programados ” para serem verdadeiros “Maria vai com as outras.

Mas voltemos aos nosso heróis que, verbal ou silenciosamente, dizem NÃO a todo tipo de atitude que pode causar transtornos à sua saúde física, emocional e espiritual.

É claro que eles enfrentam barreiras enormes, afinal, se nós mesmos queremos ser aceitos socialmente por um determinado grupo ou vários deles, imagine esses rapazes e moças que fazem o contraponto ao que é considerado normal e desejável pelos “padrões” ( ou falta deles ) atuais.

Claro que eles sofrem todo tipo de pressão, todo tipo de preconceito, algumas vezes são execrados dos grupos sociais, nessa inversão leviana de valores com a qual convivemos na atualidade.

Mas, não se pode esperar muito mais do que isso, daqueles filhos de uma sociedade que acha a moralidade um crime e todos os que pregam os bons principios um bando de “moralistas” e hipócritas.

Vivemos a ilusão do “uma vez só não faz mal “; “Não tem ninguém olhando”; “Eu não conto se você não contar”…

Ainda bem que existem os heróis adultos; ainda bem que existem os jovens heróis… por mais anônimos que pareçam ser.

Cada um deles, que recusa-se a rebaixar seus padrões, é uma pedra de esperança , é uma luz no fim do túnel do futuro de uma sociedade que parece não ter futuro ou esperança.

Esses heróis não precisam de pistolas ou fuzis para combater o narcotráfico, a criminalidade ou a indústria da degradação moral; esses heróis precisam apenas de sua voz e de uma única palavra proferida quantas vezes seja necessária: NÃO!

A todos os heróis anônimos deste nosso país e deste nosso mundo, desde os moradores do complexo do alemão e todas as comunidades deste Brasil afora, até aqueles de melhor condição social e que , ainda assim dizem NÃO, a minha sincera homenagem e agradecimento por manterem viva a chama de uma sociedade íntegra.

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