Formação cidadã

O processo de formação dos filhos é fundamental para que possamos ter uma sociedade consciente de seus direitos e deveres. Atualmente, o que vemos é uma total desestruturação familiar e, com isso, quem perde é a sociedade. Ou seja, os valores morais e mesmo intelectuais, se perderam nas barbáries ideológicas de poucos dominantes. Isto é, a televisão (aberta) como meio de comunicação e informação, formata o ideários das pessoas menos esclarecidas como bem entendem. Eternos alienados do consumismo capitalista. O capital é muito bom, certamente, mas o consumismo não.

Tudo está dentro da mais completa normalidade […]. A #educação dos pequenos; a orientação sexual – eles e elas, como nunca, estão saindo tranquilamente de dentro dos “armários“; o uso das drogas, lícitas ou não, têm seus consumos cada vês mais aumentados… Isso sem falar dos gostos musicais apuradíssimos de nossos jovens. E as novelas da Rede Globo? Que beleza, não é mesmo?

Não devemos, creio eu, prezar o conservadorismo. As pessoas estão em um eterno processo de transformação, de construção de suas subjetividades. Entretanto, devemos perceber o “novo, o moderno”, com cautela. A lei da Palmada; a descriminalização da maconha; o aborto; o casamento entre pessoas do mesmo sexo; […]. Até que ponto tais coisas podem melhorar ou piorar a sociedade em que vivemos?

Os conceitos de ética poderiam ser interessantes se compreendidos por todos. Somos cidadãos do mundo e precisamos saber viver em sociedade. Para isso, precisamos conhecer nossos direitos e deveres, respeitar nossos pares e deles receber o mesmo respeito. Claro, começando pelos políticos que aí estão.interessante_continue

Pedagogia familiar

Pedagogia familiar deve ser entendida como a maneira que usamos para educar os nossos filhos.

No ensejo de vislumbrar um mundo onde todos possam exercer sua liberdade, a família por meio dos  pais, deve buscar alternativas para estimular as crianças e jovens a ter mais dignidade, hombridade, respeito e também outros valores para viver em sociedade.. – Que outros valores são esse? Ora, sabemos que a BASE ÉTICA de qualquer indivíduo é construída no ceio FAMILIAR. Ou seja, os conceitos sobre respeito, dignidade, hombridade, são aprendidos pelos exemplos que a criança ou adolescente percebe em sua família.

No que se refere as problemáticas sociais alem do que esta continuamente sendo produzido no âmbito da ciências, existem outros saberes produzidos em diversas instituições sócias . […] (BRASIL; MEC.1998,P.32). Grifo nosso

Sendo a família que estabelece a base educacional de seus filhos, cabe á ela ensinar os princípios morais e éticos, religiosos e culturais a que seus membros pertencem. Quando isso deixa de ser feito , quando os pais não se preocupam muito com seus filhos, essas crianças passam a não ter uma base educacional, e, com isso, não têm um ponto de referencia do que pode ser certo ou errado.

O que é considerado certo ou errado aprendemos com nossas famílias. O alicerce, a base que norteará o indivíduo por toda a sua vida social é aprendida desde o “berço” com seus pares. Os exemplos que a criança capta do meio onde vive é o que formará sua personalidade. Se tem bons estímulos certamente vai agregar valores bons. Porém, se os exemplos que seus familiares lhe passam são ruins, assim também formará seu caráter.

Além disso, não havendo um acompanhamento familiar adequado certamente será mais difícil dessa criança ter um bom desempenho escolar, e com isso, não se tornará um bom cidadão. Os chamados alunos “problemas” são justamente aqueles quer a família não os acompanha, não olha seus cadernos, não vai a escola ver como está se comportando, etc. O aluno sente que a família não se preocupa com ele e, assim, torna-se um indivíduo relapso, já que não é cobrado por nada mesmo.

A educação cidadã começa em casa, e deve sempre estar firmada na moral e na ética, pois só assim teremos uma sociedade justa e consciente dos seus direitos e deveres. A partir daí teremos mais respeito com a vida, com a dignidade alheia e com o futuro dos nossos filhos.

 Os seres humanos convivem em sociedade e a aventura da convivência, desafia-os a enfrentar e procurar responder a todo o momento a pergunta: “ Como agir na relação com os outros”. Trata-se de uma pergunta fácil de ser formulada, mas difícil de ser respondida. Ora esta e  a questão central da moral e da ética […] (BRASIL; MEC.1998,P.32).

A escola dos meus sonhos

A função da Escola é bem definida, tanto na Constituição Federal de 1988 quanto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação – 9394/96.  E até mesmo no Estatuto da Criança e do Adolescente – 8069/90

CF-1988 Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

LDBEN/1996 Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

ECA/8069 Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.

Porém, ao adentrarmos alguns  estabelecimento de Ensino, percebemos que na prática a realidade é outra, muitas vezes , negligente. (O professor não está preparado para interagir com alunos deficientes… o bullying… a família não participa, o aluno não aprende).

BURNOUT DOCENTE: O que significa isso?  Tem a ver com a sensação de impotência que o professor enfrenta quando se sente incapacitado frente a um problema. E, assim, acaba desacreditando em seu potencial.

Veja o que diz Naujorks (2003, p. 82)

O professor, […] foi preparado para trabalhar com alunos que ‘aprendem’ e, portanto, adaptados ao contesto escolar, […] quando o mesmo se depara com o ‘não aprender’ e com suas próprias limitações, isso leva a pensar em uma inadaptação do mesmo a essa nova realidade, gerando angustia e sofrimento.

Sonho possível ou utopia?

Nós, seres humanos, alimentamos nossa existência com sonhos. Muitos deles irrealizáveis. Mas, que, sem eles a vida não faz sentido. Temos que ter, em nosso ideário, metas a serem alcançadas. E, a Educação é uma delas.

A Escola dos meus sonhos já existe, pelo menos no papel. O que falta é por em prática o estabelecido pela lei.

A Escola, sendo representante do Estado, tem por objetivo promover Educação de qualidade, fazer a real inserção do branco, do negro, do índio, do deficiente…  Não porque a lei lhe obriga, mas por ser sua função social. Que, afinal, se não tivéssemos excluídos no passado o negro, o deficiente, os marginalizados… e outros, não seria necessário a tão falada inclusão.

A família em união com a Escola, deve se fazer mais presente. E não deixar a tarefa de Educar tão somente por conta dos professores. Afinal, tanto a Constituição Federal quanto a LDB e o ECA, deixam bem claro que a Educação é dever da FAMÍLIA e do Estado/Escola.

Enfim, se todos fizerem os seus deveres, teremos a Escola com a qual sonhamos.

E você, como pensa??? Relate as suas ideias, participe…

Família e Escola: a união quase perfeita

Imagem

1 INTRODUÇÃO

O objetivo deste documento é relatar o Estágio em Psicopedagogia realizado na escola Professor Celso Müller do Amaral, localizada à rua: Ponta Porã nº 6823, jardim Maracanã. A escola situa-se na região Leste da cidade no sentido centro/bairro. O colégio recebeu esse nome em homenagem ao cidadão e professor Celso Müller do Amaral que prestara serviços relevantes à sociedade douradense.

A escola C. M. A. foi criada através do Decreto – 10.039, publicado no Diário Oficial nº. 53537. Início da construção em 28/11/98 e conclusão em setembro de 2000. A primeira autorização de funcionamento foi obtida por meio da Resolução SED nº 1.485/01 de 10/03/2001, publicada no D.O nº 5.471 de 20/03/2001.

O Ensino Fundamental e o Ensino Médio foram autorizados pela Resolução/SED nº 1485/01, de 19 de março de 2001. Os cursos de Educação de Jovens e Adultos, nas etapas do Ensino Fundamental e do Ensino Médio foi autorizado pela Resolução SED nº 1.682 de 19 de dezembro de 2003.

A instituição funciona em consonância com a Constituição Federal artigos: 205, 206, 208, 210, e 211, com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394 de 26/12/96, Estatuto da Criança e do Adolescente.

  Fui recebido na escola pelos professores:

  • Diretor: Fábio Augusto Moreno Múrcia, graduado em Educação Física.

  • Diretora adjunta: Ivanilde Aparecida Taquette, graduada em Letras e especialista em Gestão Escolar.

  • Coordenadora: Elenice dos Santos Gonsalves, pedagoga. (Ensino Fundamental)

  • Coordenadora: Gislene Tardivo Scaliante, graduada em geografia e pedagogia. (Ensino Médio).

A Escola Celso Müller do Amaral está localizada em uma região com pessoas da classe social menos favorecida financeiramente. O colégio conta com 12 salas de aula, com 56 m² cada; consultório médico/odontológico; sala de tecnologia- 12 computadores com internet; cantina; cozinha, onde é feito a merenda dos alunos. Com 2.800 m² de área coberta, ainda comporta uma sala de cinema- com televisor, DVD, retroprojetor. Há também uma biblioteca com amplo acervo bibliográfico, onde os alunos fazem suas pesquisas e, quando necessário, tomam livros emprestados para lerem em casa.

E, naturalmente, no setor administrativo ficam as salas do diretor; coordenação; secretaria; sala dos professores; amplo saguão, onde os alunos ficam em fila, e os (as) professores (as) os conduzem através de dois lances de escadarias, até o piso superior, local das salas de aulas. Para alunos cadeirantes há um elevador. Construída em um terreno de 10.000 m², onde há uma quadra de esportes coberta; campo de futebol de areia, e espaço para uma bela horta.

A escola tem um diretor titular, e um adjunto; Que são escolhidos a cada dois anos através de eleição: quando professores, alunos e pais de alunos, votam nos candidatos. Os candidatos, geralmente são professores da própria escola. Mas, pode ser professor de outra escola desde que concursado no estado. Além disso, os candidatos a diretores de escola fazem uma prova na Secretaria de Educação, na Capital do Estado, para comprovar os conhecimentos administrativos. Se não atingir a média, na prova, não pode ser candidato.

O objetivo da escola Celso Müller do Amaral é proporcionar ao aluno uma educação de qualidade pautada na valorização do conhecimento, levando o aluno a aprender os conhecimentos já consagrados pela humanidade, a construir novos e, ainda, bem conviver com os outros e com o meio ambiente. Para isso, além dos materiais didáticos-pedagógicos, dispõe dos seguintes profissionais:                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                             

1 – Diretor;

1 – Diretor adjunto;

3 – Coordenador pedagógicos;

1 – Professor coordenador;

60 – Professores;

4 – Intérpretes de LIBRAS;

3 – Pedagogos atendem na sala de tecnologia;

1 – Pedagogo atende os alunos que necessitam de aula de reforço no contraturno, que também atua como coordenador da EJA;

1 – Pedagoga com especialização em Educação Especial atende ,na sala de recursos, os alunos com necessidades especiais.

2 – Bibliotecária;

1 – Secretária;

4 – Assistentes de atividades educacionais;

3 – Agentes de inspeção de alunos;

1 – Supervisor de gestão escolar;

1 – Agente de recepção de portaria;

1 – Auxiliar de serviços diversos;

2 – Agentes merendeiras;

6 – Agentes de limpeza.

Do corpo docente: 70% tem pós-graduação; 3 fizeram Mestrado e um Doutorado. Atualmente, a escola conta com 1326 alunos matriculados nos três períodos de funcionamento. Sendo que: no período matutino, atende alunos das séries finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio; no período vespertino, atende alunos matriculados do 1º ao 9º ano; e, no período noturno, Ensino Médio e a EJA – Educação de Jovens e Adultos, equivalentes ao Ensino Fundamental e Médio.

Divisão do número de alunos: Ensino Fundamental: 1º ao 5º ano – 128 alunos; Ensino Fundamental 6º ao 9º ano – 472; Ensino Médio: 1º ao 3º –  175 alunos. EJA, Educação de jovens e Adultos: Ensino Fundamental: 3ª e 4ª fase – 187; Ensino Médio: 1ª e 2ª fase – 364 alunos.

O estágio em Psicopedagogia deu-me  a oportunidade prática, de vivenciar o dia a dia desses profissionais da Educação e da Saúde. Aprender observar e construir estratégias para o bom desenvolvimento Institucional. As pessoa são diferentes, nesse sentido, em uma Instituição escolar há uma diversidade enorme  de ideias, pensamentos diferentes. Isso é bom, mas, para contrabalançar tais ideias e chegar a um denominador comum sem que haja sérios conflitos, é difícil. Conforme Medrano e Rodrigues (2009, p. 25). “Cada integrante de uma organização tem suas concepções, e essas são construídas e reconstruídas conforme suas necessidades, experiências e interações.” Desse modo, a escola como instituição que privilegia o ensino e a aprendizagem, deve saber mediar as opiniões, ideias, sugestões, que seus integrantes colocam em discussões, para tirar proveito disso, beneficiando a troca de informações, experiências de cada um e transformar em novos saberes.

Apresentei-me aos gestores da Escola Celso Müller do Amaral e pedi autorização para realizar o estágio em Psicopedagogia naquela Instituição de ensino. Eles aceitarão, assim, dei início às atividades.

 Depois de alguns esclarecimentos a respeito do estágio, me disseram que ficasse a vontade para a realização das minhas atividades. Porém, em Psicopedagogia devemos ter um início.  Por onde começar? Naquele primeiro momento, eu não poderia dizer que precisava de uma “QUEIXA” para fazer um estudo sobre ocaso. Ou seja, não busquei a escola procurando encontrar reclamações sobre os seus integrantes.

Assim, em um segundo momento, conversando com os professores (as), disseram-me que um dois maiores problemas enfrentados pela escola é a falta de participação da família. “Não adianta convocar para reunião, não aparece quase ninguém.” (Prof. Wagner). “No início, quando eu tinha problemas com um dos meus alunos, eu mandava um bilhetinho para os pais, nunca apareceu nenhum pai, mãe ou responsável. Então comecei a espera-los em dias de reuniões, inutilmente.” (Profa. Valéria).

Percebemos  que os alunos com média abaixo do esperado, são aqueles que as famílias não se fazem presente no dia a dia da educação escolar de seus filhos. Ou seja, se  estão com as notas escolares abaixo da média, não é porque não conseguem aprender os conteúdos escolares. Mas, sim, pela falta de incentivo familiar.

Sendo assim, iniciamos nossa intervenção psicopedagógica a partir da problemática indicada pelos professores.  

2 A INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA

A partir da problemática apresentada pelos professores (as), comecei a elaborar minha intervenção psicopedagógica. O que fazer? Por onde começar? Os desafios são grandes.

Assim, conforme Fernández, (1991, p.23). “Para pensar novas ideias temos que desarmar nossas ideias feitas e misturar as peças, assim como um tipógrafo ver-se-á obrigado a desarmar os clichês, se deseja imprimir um texto em um novo idioma.” Ou seja, não devemos nos orientar pelo que pensamos, pelas ideias prontas.

Qual será o motivo dos pais e mães não darem importância para a vida escolar de seus filhos? Tínhamos a versão dos mestres escolares, mas não, do outro lado, da família.

2. 1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A principal função da Psicopedagogia é estudar e analisar as dificuldades de aprendizagem. Desta forma, o profissional em Psicopedagogia deve ter por objetivo em seu trabalho dentro de uma escola, as questões Institucionais que possam levar a “não aprendizagem”. “[…] o psicopedagogo é um profissional cujo objeto de estudo e trabalho é a aprendizagem em seu estado normal e patológico.” (Pires, 2009, p. 78.).

O psicopedagogo, na instituição escolar, deve sempre estar alerta trabalhando efetivamente, principalmente, os aspectos preventivos. Além, claro, de resolver os problemas que estejam instalados e que de alguma forma atrapalham uma aprendizagem significativa de todos os integrantes da instituição escolar.

A Psicopedagogia Institucional parte do sintoma do grupo em seu contexto histórico-cultural. Dessa forma, realiza a investigação e o diagnóstico psicopedagógico institucional, identifica sintomas bloqueadores do processo  ensino-aprendizagem e os redimensiona por meio de estratégias que possibilitem a aquisição de conhecimentos. Também administra ansiedades e conflitos que possam se refletir na dinâmica intergrupal. (STADNIK, 2009, p. 46.).

Sendo objeto de estudo deste relatório ‘a reclamação da falta de iniciativa ou do envolvimento das famílias no contesto escolar’, informo que a Psicopedagogia também: “Resgata a família no papel educacional como parceira da escola e complemento a ela.” (Standnik, 2009, p. 47. Grifo nosso.).

Sara paín (2008, p. 17) nos informa que a aprendizagem está diretamente ligada as Instituições Família e Escola. O processo de aprendizagem “[…] compreende todos os comportamentos dedicados a transmissão da cultura, inclusive os objetivados como instituições que, específica (escola) ou secundariamente (família) promovem a educação.”

Mas, por outro lado, as queixas da escola sobre a falta de interesse das famílias pode ter seus motivos. Veja o que diz a professora Jerusa Vieira Gomes:

Hoje, poucos são os casos em que Família e Escola, através das APMs, compartilham a responsabilidade sobre a Educação Escolar. Em geral, a Escola promove reuniões para dar explicações – para não dizer fazer queixas – sobre o desempenho e o comportamento dos escolares. Assim, uma a duas vezes por semestre, às vezes por ano, os pais são convidados para uma dessas reuniões. Há também eventos festivos, para os quais eles devem contribuir com dinheiro, donativos, e até mesmo com seu trabalho (festas juninas, quermesses etc.). Resumem-se nisso, quase sempre, as relações Família-Escola. No mais, os pais mantêm-se e são mantidos bastante afastados dos acontecimentos na esfera escolar. (http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_16_p084-092_c.pdf)

 

Ainda conforme a professora do Departamento de Filosofia da Educação e Ciências da Educação da FEUSP – Universidade de São Paulo, (GOMES):

Há, contudo, momentos em que a presença dos pais é desejada: diante da falta grave do aluno, para que eles tomem ciência e ajudem a enquadrá-lo; quando o rendimento (as notas) do aluno é tão baixo que justifica a preparação da Família, para aceitar resignada a futura e inevitável reprovação dele […] (Grifos do autor).(http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_16_p084-092_c.pdf )

 

Percebe-se que as implicações, as causas, segundo alguns teóricos, da não presença familiar nas escolas, são muitas. Sem dúvida é um processo árduo, impossível de ser feito da noite para o dia. Pois, implica conscientização dos dois lados: Escola e Família.

Tradicionalmente a família tem estado por trás do sucesso escolar e tem sido culpada pelo fracasso escolar. Quem não conhece o caso, comum no âmbito das famílias de classe média e das escolas particulares, da mãe que acompanha assiduamente o aprendizado e o rendimento escolar do filho, filha ou filhos, que organiza seus horários de estudo, verifica o dever de casa diariamente, conhece a professora e freqüenta as reuniões escolares? E quem não conhece o discurso, freqüente no âmbito da escola pública que atende às famílias de baixa renda, da professora frustrada com as dificuldades de aprendizagem de seus alunos e que reclama da falta de cooperação dos pais? (CARVALHO, 2000, P. 143-155)

Feito essas considerações, vamos tratar de começar os trabalhos, estudos, pesquisas, coletas de dados, para que possamos chegar a um entendimento a respeito das reclamações dos professores (as) da escola Professor Celso Müller do Amaral, quanto ao não envolvimento familiar no processo escolar de seus filhos.

2. 2 COLETA DOS DADOS E INTERPRETAÇÃO

“Uma avaliação psicopedagógica institucional é uma investigação que parte de uma queixa, de uma problematização, de questionamentos para os quais buscamos respostas e possibilidades de superação.” (MEDRANO e RODRIGUES, 2009, p. 73.).

A coleta de dados foi feia através de um questionário apresentado às famílias e entrevista com a professora. Além de observações ao comportamento dos professores e alunos envolvidos no estudo. A coleta de dados foi realizada com integrantes de uma turma das Séries Iniciais do Ensino Fundamental. A saber: 3° ano.

2. 2. 1 ENTREVISTA COM A PROFESSORA

1) A quanto tempo a professora trabalha nesta escola?

R; 4 anos

2) Quantos alunos estão, efetivamente, frequentando as aulas do 3° ano?

R: 32 alunos

3) Qual o percentual de alunos que estão dentro da média pretendida pela escola para serem aprovados?

R: 70% mais ou menos.

4) O que há de errado com os 30% restantes?

R: Aí que está, eles não se interessam em aprender, falta motivação. A família não comparece. Todas as tentativas de contato com a mãe ou alguém responsável foi inútil, eles não aparecem nem nas reuniões. As crianças não tem problemas relacionados a dificuldade de aprendizagem. O que acontece, na maioria das vezes é que: muitos deles ainda não dominam a escrita e a leitura, são fracos em Matemática. Além disso, sempre falta materiais básicos como lápis, caneta e até caderno. Sempre que possível a Coordenação sede esses materiais. Mas, não é todo dia que a escola pode fazer isso.

5) Nesse sentido, então, é a falta de recurso das famílias a principal causa?

R: Há princípio eu pensava isso, mas, com o tempo, percebi que muitos deles recebiam o material, lápis, caderno, borracha em um dia, mas no outro dia apareciam na aula sem nada. Ou seja, não é que falta instrumentos para estudarem, falta fiscalização por parte dos responsáveis para que tragam seus materiais para a escola. Se na aula de Artes a professora pede para que façam um desenho, a resposta é: – não tenho caderno de desenho, ou não tenho lápis, professora. Aí fica sem fazer, é o que eles querem, ficar sem fazer os exercícios para bagunçar.

6) Qual sua proposta para isso ter um fim?

R: Eu acho que se a família acompanhar de perto, ajudando a escola e os professores, seria a saída, funcionaria.

2. 2. 2 QUESTIONÁRIO APRESENTADO ÀS FAMÍLIAS

Foi difícil, mas conseguimos encontrar algumas famílias para responder nosso questionamento. Encontrei 6 mães que, para não tomar-lhe tempo excessivo, responderam um questionário com 7 questões de múltiplas escolhas. Leia a seguir:

1) Não costumo visitar a escola do meu filho ou filha porque:

(  ) Não tenho tempo, trabalho fora todos os dias.

(  ) Não é necessário ir a escola, dentro do colégio a professora ou professor é o responsável pela educação das crianças.

(  ) Nunca me convidaram para uma reunião

(  ) Meu filho ou filha esta indo bem nos estudos

(  ) Nas reuniões, sempre falam a mesma coisa

OBSERVAÇÕES:_________________________________________________

2) Com que frequência olha os materiais escolares do seu filho (a)?

(  ) Nunca   (   ) Quando tenho tempo    (  ) todos os dias  (  ) Sempre

3) Seu filho ou filha conta o que faz na escola?

(  ) Quando eu pergunto   (  ) Não   (  ) Sempre me conta  (  ) As vezes

4) Sobre o relacionamento afetivo familiar:

a – Costuma trocar carinhos com seu filho ou filha? (  )sim    (  ) não

b – É uma criança   (  ) Tranquila    (  ) Inquieta   (  ) Nervosa  (  ) Inteligente

5) Gosta de estudar?  (  ) Sim     (  ) Não    (  ) Indiferente

6) Gosta de brincar?   (  ) Sim     (  ) Não    (  ) De vez em quando

7) Que tipo de brincadeiras ou jogos mais gosta? _____________________

2. 3 REGISTRO DAS INTERVENÇÕES PSICOPEDAGÓGICAS

2. 3. 1 INTERVENÇÃO

  • Objetivos: Identificar as causas do desinteresse de 30% das famílias dos alunos do 3° ano das Séries Iniciais do Ensino Fundamental, em acompanhar o desenvolvimento escolar de seus filhos (as). Entrevistar a professora e fazer um questionário para as famílias responderem. Além de conscientizar as famílias e a instituição escolar sobre a importância da união para o completo desenvolvimento dos alunos.   

  • Desenvolvimento: apresentação de um questionário as famílias; entrevista com a professora. A entrevista com a professora foi realizada na própria escola. Porém, o questionário feito com as mães dos alunos foi feito em suas residências.

  • Recursos utilizados: o material usado na intervenção foi folhas de papel sulfite – A4, câmera fotográfica e telefone celular com gravador de voz (áudio).

2. 4 APROXIMAÇÃO DIAGNÓSTICA

A intervenção Psicopedagógica gerou os seguintes resultados:

2. 4. 1  A PROFESSORA

A professora disse que os alunos (as) com menor média escolar são aqueles que as famílias não acompanham devidamente. Que os alunos não se interessam pelas aulas e que, nem se quer, tem os materiais necessários para os estudos. Vale ressaltar que “O psicopedagogo pode e deve intervir nas causas do fracasso escolar, seja nas dificuldades de aprendizagem, nos problemas decorrente delas, na reflexão acerca dos métodos do professor ou na relação professor-aluno. (PIRES, 2009,p. 89. Grifo meu.),

Eu aponto as seguintes estratégias a curto prazo: a sala de aula possui vários armários, todos em perfeito estado e que podem ser usados para guardar os materiais dos alunos para que não percam ou esqueçam em suas casas. Assim, não teremos desculpas quanto a falta de materiais. Nos finais de semana a criança leva para casa, quando for o caso, o caderno de tarefas. Pois, afinal, estamos falando de crianças com 8 anos.

A professora apontou que 30% dos alunos, aqueles que as famílias não acompanham, ainda não dominam as práticas de leitura, escrita e Matemática. Mas, isso, é perfeitamente razoável. Essas crianças ainda estão em processos de alfabetização. Ou seja, nem todos aprendem no mesmo ritmo. “ O psicopedagogo não deve assumir a função do professor ao intervir no processo de ensino-aprendizagem, mas deve orientar e conduzir a reflexão e vivências que aprimorem essa relação afetiva dele com os alunos.” (PIRES, 2009, p. 90.).

2. 4. 2 AS MÃES   

As mães que responderam o questionário deram as seguintes respostas: a maioria absoluta disse que não tem tempo, pois trabalham fora todos os dias. Quanto a examinar os cadernos das crianças, 5 das 6 disseram que examinam quando tem tempo e uma disse que sempre. Todas as 6 mães responderam que seu filhos só contam o que fizeram na escola quando questionados. Todas disseram que  costumam trocar carinhos com os filhos. Sobre o comportamento das crianças 2 mães disseram que seus filhos são inquietos; uma disse inteligente e 3 mães acham seus filhos tranquilos. Nenhum deles gosta de estudar e todos gostam de brincar, segundo a avaliação das mamães. A brincadeiras que mais gostam, os 4 meninos gostam de jogar bola e as 2 meninas de brincadeiras diversas com as amiguinhas.

“O psicopedagogo, no ambiente familiar, deve incentivar a aprendizagem, orientando pais e filhos a agirem de maneira favorável, proporcionando reflexões acerca dos aspectos de sua relação familiar.” (PIRES, 2009, p. 96.).l

A situação dessas mães é um tanto complicada, não são relapsas, apenas falta tempo para acompanharem a vida escolar dos filhos. Essas pessoas são da classe  E, precisam trabalhar em vários locais. A maioria dessas mães são diaristas, cada dia da semana trabalham em locais, casas, diferentes. Trabalham de segunda a sábado, o único dia de folga é o domingo, nesse dia devem fazer os trabalhos domésticos em suas casas. Dessa forma, não há como fazer o acompanhamento adequado dos filhos. As crianças ficam em casa e são acompanhadas até a escola pelos irmãos mais velhos, adolescentes entre 12 e 15 anos.

Nenhuma das crianças tem problemas de aprendizagem. Falta, nesse caso, maior apoio pedagógico da escola. Ou seja, estratégias de ensino mais eficaz para que as crianças aprendam e se desenvolvam como as demais.

Nesse sentido, as estratégias para sanar as reclamações da escola, seria orientação a professora e Coordenação escolar a respeito das famílias das crianças envolvidas. Elaborar projetos e planos de aulas que induzam as crianças as práticas de aprendizagem prazerosa e significativa.         

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A intervenção psicopedagógica realizada na Escola Professor Celso Müller do Amaral, a princípio, me pareceu muito complicada. Porém, no decorrer das entrevistas, questionários e observações nos ambientes escolares e familiares, percebi que com alguns ajustes poderíamos consertar as falhas apontadas.

É certo que a importância do acompanhamento da família no processo educativo, é de extrema importância. Porém, com o fim do modelo patriarcal de famílias, onde o pai saia para trabalhar e a mãe ficava em casa cuidando da casa e da educação das crianças, a situação mudou. Ou seja, 80% dessas mães de famílias não tem um companheiro, fazem o papel de pai e mãe ao mesmo tempo. Nesse sentido, como posso culpa-las de não irem as reuniões escolares.

Também apontamos que a escola, além de se preocupar com a não presença das famílias dos alunos no dia a dia escolar, deveria se preocupar, também, com as metodologias aplicadas em sala de aula. Ou seja, tem alguma coisa errada. Pois, se 70% das crianças aprenderam com a metodologia usada, 30% não aprenderam. Nesse sentido, deve ser revistas as práticas pedagógicas, metodologias adequadas, para que todos aprendam.

É isso, a principal medida nesse relatório, seria orientar a professora quanto ao uso de outras maneiras de interagir com os 30% dos alunos retardatários, para que aprendam também.

4 REFERÊNCIAS

CARVALHO, Maria Eulina Pessoa de. Relações entre família e escola e suas implicações de gênero. Cadernos de Pesquisa, nº 110, p. 143-155, julho/ 2000) (Centro de Educação   UFPB)

FERNÁNDEZ, Alicia. Ainteligência aprisionada.Porto Alegre: Artmed, 1991.

GOMES, Jerusa Vieira.  Relações Família e Escola – Continuidade/Descontinuidade no Processo Educativo. Disponível em: http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_16_p084-092_c.pdf Acesso em: 17/01/2012.

MELDRANO, Carlos Alberto. RODRIGUES, Evelise Vieira Melo. Teoria e Prática da Psicopedagogia Institucional. Centro Universitário Leonardo da Vinci. Indaial: Grupo UNIASSELVI, 2009.   

PAÍN, Sara. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem. Porto Alegra: Artmed, 1985.

PIRES, Gisele Brandelero Camargo. Dificuldades de Aprendizagem. Centro Universitário Leonardo da Vinci. – Indaial: Grupo UNIASSELVI, 2009.

STANDNIK,Liliana. Introduçãoa Psicopedagogia. Centro Universitário Leonardo da Vinci. – Indaial: ASSELVI. 2009.