Fundamentos da Psicopedagogia Institucional

RESUMO

Os fundamentos da Psicopedagogia Institucional como área (Inter) e transdisciplinar para o acompanhamento de professores e alunos com dificuldade de aprendizagem na educação formal e informal. Surgimento e evolução da Psicopedagogia na Europa e no Brasil com foco voltado para as dificuldades de aprendizagem.   As principais teorias e teóricos que embasam o trabalho do psicopedagogo: Vygotsky, Piaget, Wallon, Howard Gardner, Freud. Os conceitos das principais síndromes, transtornos e dislexias que fazem parte do dia a dia das salas de aulas e formas de interação com esses alunos. Síndrome de Down, Transtorno do Déficit da Atenção e Hiperatividade-TDAH. A Sala de Recursos Multifuncional, além das situações problemas vivenciadas no cotidiano das salas de aulas pelos professores e em casa pelas famílias. Os rótulos foram usados por muito tempo pelas escolas tradicionais para nomear aqueles alunos considerados problemas, que não aprendiam da mesma maneira que os demais colegas. A psicopedagogia Institucional nos ajuda a compreender as causas das dificuldades de aprendizagem e nos mostra que caminho seguir para obtermos êxito através da prevenção e resolução dos problemas que possam surgir.

Palavras-chave: Psicopedagogia. Aprendizagem. Interacionismo. Subjetividade. Escola.

ABSTRACT

The fundamentals of Psychology as Institutional area ( Inter ) and transdisciplinary for monitoring of teachers and students with learning difficulties in formal and informal education. Emergence and evolution of psychoeducation in Europe and Brazil focusing facing learning difficulties . The main theories and theorists that underpin the work of educational psychologist : Vygotsky , Piaget , Wallon , Howard Gardner Freud . The main concepts of syndromes , disorders and dyslexia that are part of everyday life of classrooms and ways of interacting with these students . Down Syndrome Disorder, Attention Deficit Hyperactivity Disorder – ADHD . The Multifunctional Resource Room , in addition to everyday situations experienced problems in the classroom by teachers and at home by their families. The labels have been long used in traditional school students considered to name those problems , not taught in the same manner as the other peers. Institutional educational psychology helps us understand the causes of learning disabilities and shows us which way to go to obtain success through prevention and resolution of problems that may arise .

keywords: Educational Psychology. Learning. Interactionism . Subjectivity. School.

1 INTRODUÇÃO

O presente trabalho versará sobre a importância da #Psicopedagogia Institucional para a compreensão das formas de aprendizagem. Ou seja, as pessoas não aprendem de igual forma. Sendo assim, o trabalho do psicopedagogo é, principalmente, através da observação, do olhar treinado para os problemas de ensino/aprendizagem, identificar e encontrar soluções para as questões que surgirem nos ambientes escolares e não escolares.

A escola é o ambiente onde as dificuldades em aprender se manifestam com maior intensidade. Ao ingressar em uma unidade de ensino, os pequenos infantes começam a serem cobrados para que, como se fossem um amontoado de seres únicos, idênticos, façam as mesmas atividades e aprendam da mesma forma, com uma única metodologia usada pelo professor ou pelo que designa a proposta pedagógica da escola.

Dessa forma, as diferentes maneiras de aprender, que individualiza cada aprendente, se manifesta e muitas vezes não são compreendidas pelos mestres. Os alunos que não conseguem aprender, da mesma maneira e tempo que seus pares, são deixados para traz. Ou seja, acabam repetindo o mesmo ano/série até que consigam aprender determinado conteúdo.

Assim sendo, o indivíduo ganha um rótulo: disléxico, hiperativo, disgráfico, criança problema, entre tantos outros… Sabemos que na maioria das vezes os problemas não são de aprendizagem e, sim, de ensinagem.  Além disso, há as questões familiares, sociais e culturais que podem interferir no processo interacional dos estudantes.

Ainda, conforme nos ensina a Psicologia da #Aprendizagem: qualquer pessoa pode aprender qualquer coisa, salvo, algum problema de ordem orgânica. Por exemplo, eu não posso ensinar um cego a dirigir, mas, eu posso ensinar outros saberes a ele. Destarte, se o individuo não apresenta nenhum problema defectivo, certamente poderá aprender todo e qualquer conteúdo que lhe seja apresentado. Mesmo que não o faça da mesma forma e tempo que seus pares.

2 CONCEITOS DE APRENDEIZAGEM

Afinal, o que define a aprendizagem? O que de fato define o termo aprendizagem? Repare no que Catania (1999, p. 22) diz a esse respeito:

 Se aprendizagem pudesse ser definida em uma ou duas frases, não teríamos qualquer problema. Definiríamos a palavra e, então, discutiriamos as condições sob as quais a aprendizagem ocorre, os tipos de coisas que são aprendidas, as maneiras pelas quais diferentes instancias de aprendizagem podem ser combinadas, as limitações da aprendizagem, e assim por diante. Mas, aprendizagem significa coisas diferentes, em diferentes momentos, para diferentes pessoas.

Todos os seres vivos dispõe de habilidades para aprender. Um papagaio, chimpanzé ou um cavalo, entre tantos outros animais, conseguem aprender coisas a eles ensinadas. Com os humanos acontece o mesmo, a diferença está no “ser racional” do ser humano e, com isso, evolui suas ideias e vai além. Isto é, através de suas experiências e interações o homem evolui progressivamente de geração em geração. Aprendizado é algo constante, não tem fim, aprendemos durante toda a existência.

Diante disso, podemos dizer que o ato de aprender perpassa a existência de todas as espécies de seres vivos. Talvez seja por isso que os seres humanos, como seres racionais que são, estudam e discutem tanto o ato de aprender. E isso não acontece só na modernidade! O ato de aprender é investigado e discutido pelos filósofos e seus discípulos desde os primórdios dos tempos. (PIRES, 2009, p. 11 e 12.).

Assim sendo, desde o século IV a.C os estudiosos formulam teorias para explicar os processos de aprendizagem. A exemplo disso, Platão (427-347 a.C), considerado como sendo o primeiro pedagogo, discípulo de Sócrates, afirma na teoria da Reminiscência, que aprender é recordar. Dizia que o ser humano deve ser entendido como corpo (ou coisa) e alma (ideias). Na alma o ser humano pode “contemplar a solução verdadeira, a qual ele já possuía antes mesmo de nascer, e que, agora, através do método maiêutico, passa então a se recordar”. (ARAUJO; FILHO, 2004, p. 354).

O criador da Maiêutica, Sócrates, filho de uma parteira, deu o nome a seu método talvez pensando em sua progenitora. Maiêutica/Maieutikos, do grego, significa: agir como parteira. Nesse sentido, Sócrates se coloca como parteira de seus discípulos para ajuda-los a dar a luz a suas ideias.

Entretanto, tais estudos se preocupavam somente com o aprender. Ou seja, apenas com as pessoas consideradas normais, que aprendiam sem dificuldade alguma. Já, que, somente os filhos das classes mais avantajadas: príncipes e nobres que moravam dentro dos muros dos castelos eram quem tinha a oportunidade de estudar.

Sendo assim, os menos favorecidos financeiramente e aqueles com algum problema de ordem orgânica, eram marginalizados, ficavam sempre excluídos da educação formal. E, ainda hoje, muitas crianças que apresentam certas dificuldades interativas ainda são excluídas do mundo letrado. Sempre com a alegação de que não tem predisposição para aprender.

No decorrer dos séculos, muitas teorias foram criadas e estudadas a fim de chegar a compreensão da aprendizagem.  Porém, foi somente no século XIX, na Europa, com o avanço do capitalismo industrial e com o aumento das desigualdades sociais, que surge a Psicopedagogia como área de estudos das  dificuldades de aprendizagens.

Devido aos problemas de aprendizagem desencadeados na Europa, no século XIX, no campo educacional, tais desigualdades eram evidenciadas. Para explicar a problemática, suas causas e possíveis soluções, áreas do conhecimento, como a medicina, a pedagogia e a psicologia, dedicaram seus estudos a respeito. Entretanto, não deram conta de explicar e tratar essa complexidade. . Assim, na fronteira da pedagogia e da psicologia, começou a surgir uma nova área de estudo: a Psicopedagogia, tendo como foco as dificuldades de aprendizagem. (STADINIK, 2009, p. 21).

A Psicopedagogia surge no Brasil somente a partir da década de 1970, principalmente por meio de professores argentinos que já haviam desenvolvidos alguns estudos nas escolas da Argentina. “Nessa época, teve início a influência argentina na educação, sendo que muitos profissionais brasileiros já se dedicavam aos estudos sobre a aprendizagem, porém como grupos, núcleos de estudos não-institucionalizados”. (STADINIK, 2009, p. 18).

O não aprender ou as dificuldades em aprender tem pairado os ambientes escolares a muito tempo. Cada tempo trata as questões relacionadas ao aprendizado de forma diferente. Primeiramente, a culpa pelo não aprender era de culpa exclusiva do aluno. Ou seja, se não aprendia este era o único culpado. Em seguida essa culpa se estendeu também para as famílias.

As escolas com suas #pedagogias tradicionais não assumiam a sua parcela de culpa pelos alunos “problemas” e pala alta taxa de evasão escolar.

Em se tratando de fracasso escolar, a instituição escolar também se achou no direito de diagnosticar. Passou a utilizar rótulos, cada um a seu tempo, bastando o aluno não estar nos padrões estabelecidos pela escola e pela sociedade. De acordo com o tempo histórico, a atribuição dos rótulos teve variações. Primeiro, por exemplo o aluno era visto como o “retardado”, o débil mental, o autista, o tolo, e finalmente, quando não havia um rótulo novo, foi identificado como o aluno que “tem problema” ou  “o problema”. Esse olhar extremamente patologizante e comportamentalista, além de proporcionar a exclusão social, aumentou o fracasso escolar. (STADINIK, 2009, p.21).

Vamos analisar, a seguir, as principais teorias e tendências pedagógicas que dão embasamento aos projetos pedagógicos na atualidade. Ou seja, as teorias que orientam o trabalho dos psicopedagogos e professores no que diz respeito a maneira como os indivíduos aprendem e se desenvolvem.

3 INTERACIONISMO

Primeiramente vamos entender do que se trata a teoria interacionista. Para isso precisamos entender outras teorias que discutem o aprender e o ensinar.  Uma delas é o Inatismo – essa, acredita que o sujeito adquire conhecimentos sem precisar de qualquer tipo de experiência. Ou seja, o conhecimento nasce com o indivíduo, é inato. Neste caso, o professor é um simples facilitador da aprendizagem. Para STADNIK (2009, p. 79), o professor “não precisa interferir para que o aluno aprenda, pois o aluno aprende conforme sua condição genética – a hereditariedade. Exemplo disso é a expressão ‘filho de peixe peixinho é'”. A qual quer dizer que, se o pai não aprendeu, o filho certamente não aprenderá também.

A outra teoria que citaremos é o Ambientalismo. Tal teoria acredita que o aprender está relacionado pela força do meio ambiente. Não depende do sujeito, este é apenas uma tábula rasa, uma folha em branco, que depende de alguém para inculcar-lhe o saber. Nesse sentido, o professor é o dono do saber e repassa para o aluno que não sabe. “Segundo esta concepção, o papel do professor é de repassador, transmissor de conhecimento, este considerado pronto, acabado e inquestionável; a todos é transmitido o mesmo conteúdo; e todos têm o mesmo ritmo para aprender”. (STADNIK, 2009, p. 80.).

O Interacionismo, sociointeracionismo ou socioconstrutivismo afirmam que aprendemos através da interação com o meio e com o outro. Sendo assim, os indivíduos e o ambiente onde o individuo esteja inserido são de extrema importância para o seu integral desenvolvimento. “Assim, o ser humano não pode ser considerado fora de um contesto histórico e social. Por exemplo: não é porque ele vive em um contexto social e econômico menos privilegiado que esteja determinado ao fracasso”. (STADNIK, 2009, p. 80.).

 Vygotsky fala de uma Zona de Desenvolvimento Proximal, a ZDP é a distância entre aquilo que o individuo sabe, conhece, e o que ele não sabe mas tem potencial para aprender. Ou seja, aquilo que o aluno sabe ao chegar a escola, por exemplo, é chamado de conhecimento real: andar de bicicleta, jogar bola, comer com talheres, etc. Conhecimento potencial é tudo aquilo que a criança pode aprender com a mediação de outra pessoa, no caso as escola: o professor.  É, portanto, na ZDP que o professor como mediador do conhecimento, irá intervir para que o aprendente vá além.

Vygotsky atribuiu uma enorme importância a dimensão social ; é ela que vai fornecer instrumentos e símbolos que mediam as relações do ser humano com o mundo. O aprendizado é considerado um aspecto necessário e fundamental para o desenvolvimento das funções  psicológicas superiores. Assim, para que o desenvolvimento aconteça, precisa existir aprendizagem. (SILVA, 2005, p. 120).

Nas escolas, cabe ao professor ser o mediador dessa zona de desenvolvimento. Ou seja, a partir dos conhecimentos prévios que o aluno possui, o mestre deve explorar suas potencialidades e ir além. Deste modo, a Zona de Desenvolvimento Proximal refere-se `as potencialidades que o individuo apresente entre o desenvolvimento real e o desenvolvimento potencial, nesse caso, precisa de um mediador, um professor.

A escola é o ambiente natural que propicia a aprendizagem. Para Silva, 2007, p. 26: “É na escola que acontece a educação formal. Ela é uma instituição social que exerce a função pela educação sistemática de crianças, jovens e adultos, buscando fazer a mediação entre o indivíduo e a sociedade”. E, como vimos anteriormente, é na escola que geralmente se manifestam os problemas de aprendizagem.

4 Dificuldades de aprendizagem

Podemos fazer o seguinte questionamento: – As escolas estão preparadas para resolver, identificar as questões relacionadas ao não aprender dos alunos? Há psicopedagogos preparados nos ambientes escolares? Para Paín (1985, p. 27): devemos entender “o problema de aprendizagem como um sintoma, no sentido de que o não-aprender não configura um quadro permanente, mas ingressa em uma constelação peculiar de comportamentos, no qual se destaca como sinal de descompensação”. Vamos analisar tais questionamentos no decorrer deste texto.

Certamente os problemas de aprendizagem podem ter várias faces, desde um problema familiar até algo mais complexo, envolvendo fatores biopsicosociais. “Por certo que, levando a comparação ao extremo, assim como um desnutrido pode transformar-se em anoréxico como uma defesa, em maior grau ainda que o problema relativo pode dar lugar a um sintoma”. (FERNANDÉZ, 1991, p. 83).

Fernández ainda falando sobre os fracassos escolares destaca: “Assim como em todas as classes sociais pode aparecer a anorexia, em todas as situações socioeducativas pode aparecer o problema de aprendizagem-sintoma”. (1991, p. 83). Ou seja, assim como não confundimos “anorexia com desnutrição”, também não podemos confundir “problema de aprendizagem-sintoma” com as dificuldades que os sistemas de ensino tem em socializar conhecimentos com seus alunos.  O anoréxico, mesmo tendo a mesa farta, recusa alimentar-se. Também aqueles com dificuldades de aprendizagem, se a maneira como o ensino é socializado não lhe for conveniente, certamente não aprenderá.

Como dissemos anteriormente, qualquer pessoa pode aprender qualquer coisa, se não houver algum problema de ordem orgânica. Entretanto, cada indivíduo tem sua própria forma e ritmo de aprender e, para isso, o professor deve estar atento para não rotular seu aluno.

É obvio que se o sujeito tem algum transtorno e ou distúrbio de aprendizagem, isso somente se manifestará de forma clara quando chegar a hora do individuo começar a ser educado formalmente, na escola. Mas, primeiro veremos os conceitos de  distúrbio de aprendizagem:

Distúrbios de aprendizagem é um termo genérico que se refere a um grupo heterogêneo de alterações manifestas por dificuldades significativas na aquisição e uso da audição, fala, leitura, escrita, raciocínio ou habilidades matemáticas. Estas alterações são intrínsecas ao indivíduo e presumivelmente devidas à disfunção do sistema nervoso central. Apesar de um distúrbio de aprendizagem poder ocorrer concomitantemente com outras condições desfavoráveis (por exemplo, alteração sensorial, retardo mental, distúrbio social ou emocional) ou influências ambientais (por exemplo, diferenças culturais, instrução insuficiente/inadequada, fatores psicogênicos), não é resultado direto dessas condições ou influências. (Collares e Moysés, 1992: 32).

Agora vamos saber qual o significado de transtorno de aprendizagem conforme a Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da Classificação Internacional de Doenças – 10, elaborado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O termo “transtorno” é usado por toda a classificação, de forma a evitar problemas ainda maiores inerentes ao uso de termos tais como “doença” ou “enfermidade”. “Transtorno” não é um termo exato, porém é usado para indicar a existência de um conjunto de sintomas ou comportamentos clinicamente reconhecível associado, na maioria dos casos, a sofrimento e interferência com funções pessoais (CID – 10, 1992: 5).

Em outras palavras, transtorno se refere a mais de um sintoma clinicamente reconhecível em um mesmo individuo. Ou seja, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um desses exemplos. Pois, engloba diferentes síndromes como: dificuldade de comunicação por deficiência no domínio da linguagem e no uso da imaginação para lidar com jogos simbólicos, dificuldade de socialização e padrão de comportamento restrito e repetitivo. Outro exemplo de transtorno é o TDAH.

A criança com Hiperatividade ou TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) apresenta um comportamento bastante agitado, desatento e impulsivo, sendo que essa conduta se apresenta com maior intensidade que em outras pessoas do mesmo gênero e faixa etária. A criança Hiperativa tem dificuldade em ficar parada, ou se concentrar em algo mesmo que por alguns instante. O desempenho escolar do Hiperativo é baixo, apresentam ainda problemas na leitura e em outras atividades escolares.

Destacamos, entretanto, que tais comportamentos se diferem entre meninos e meninas diagnosticados com o mesmo transtorno. Ou seja, enquanto nos meninos a hiperatividade latente da lugar a impulsividade e a movimentação constante, não se atém a nada nem a ninguém, nas meninas o comportamento observado e o oposto. Elas costumam ficar sentadas em suas carteiras, porem, com se estivessem no ” mundo da lua”. Não prestam atenção no que acontece, na aula, como se estivesse em outro lugar, bem longe.  Além desses transtornos, temos também crianças com Síndrome de Down nos ambientes escolares.

A criança com Síndrome de Down – condição cromossômica causada por um cromossomo extra no par 21 – possuem características físicas semelhantes e embora apresentem deficiências intelectuais e dificuldades de aprendizagem, são bastante expressivos, se comunicam com facilidade e são extremamente sensíveis. Cada criança com Síndrome de Down possui personalidade única, portanto as dificuldades de aprendizagem se apresentam em graus diferentes de criança para criança.

Além dos transtorno e da síndrome supracitadas, as mais frequentes no ideário dos educadores e familiares são as dislexias. As Dislexias estão diretamente ligadas a linguagem do indivíduo. Ou seja, comprometem de alguma forma a comunicação. Pode ser na leitura, na escrita, troca letras, na compreensão de um pequeno texto e, até mesmo com os cálculos.

5 RELAÇÃO SUJEITO COM O MUNDO

O expoente interacionista: Vygotsky, sinaliza a linguagem como forma de interação e desenvolvimento dos indivíduos. Para o teórico, as interações sociais através de instrumentos mediadores: o meio em que esteja inserido, a cultura, entre outros, proporcionam o desenvolvimento do homem e sua instrumentação para atuar e transformar o meio. “Por isso, o relacionamento entre professor e aluno deve permitir espaços de construções e descobertas, respeitando o saber do aluno e seu ritmo de aprendizagem, levando em conta a realidade na qual se encontra inserido.” (STADNIK) , 2009, p. 86.

Wallon, médico e psiquiatra francês, reforça a teoria vygotskiana. Também considerado um expoente interacionista e ideias na mesma linha de Vygotsky. Wallon destaca a afetividade como centro no que tange a construção das pessoas e do conhecimento. O est

estudioso afirma que o desenvolvimento humano é geneticamente social. Ou seja, o homem somente poderá ser entendido se levado em consideração sua existência biológica e social de maneira intrínseca. “Wallom distingue emoção e afetividade e alerta para o contágio das emoções que, de forma descontrolada, podem prejudicar o cognitivo. Ainda recomenda que o estudo das emoções deveria fazer parte da formação de professores”. (STADNIK, 2009, p. 87.).

A Epistemologia Genética de Piaget, também nos ensina como acontece o desenvolvimento humano. Apesar de seus estudos, a princípio, estarem voltados a compreensão dos fatores biológicos, tem sido muito estudado nas faculdades de formação docente. Para Piaget, assim como outros interacionistas, o processo de aprendizagem acontece através da interação como o meio em que vive. A teoria piagetiana explica como se dá o desenvolvimento e aprendizagem através dos processos biopsicológicos. Segundo Stadnik (2009, p. 86.), A Epistemologia Genética: “Apresenta toda uma estrutura de funcionamento, explicando os mecanismos pelos quais aprendemos, dentre eles a assimilação e a acomodação”.

6 SUJEITO E SUBJETIVIDADE

Sabemos que ninguém é igual a ninguém, somos seres únicos. Sendo assim, interagimos e aprendemos de maneiras distintas, ou seja, cada indivíduo tem seu tempo e forma de assimilação de um determinado conteúdo. Howard Gardner desenvolveu uma teoria chamada de “inteligências múltiplas”.  O psicólogo americano afirma que são oito tipos de inteligências, porém, as pessoas geralmente desenvolvem apenas dois tipos. Isso pode ser comprovado quando percebemos alguns indivíduos que desenvolvem maiores aptidões em determinada disciplina ou conteúdo em detrimento a outros. Por exemplo, tem um aluno que é ótimo em Matemática, porém, em Português é péssimo. Isso não significa, em hipótese alguma, que ele não consiga aprender a Língua Portuguesa, apenas, que suas estruturas biológicas: genéticas ou ambientais, desenvolveram a apreciação para um conhecimento especifico com maior facilidade.

Desse modo, a teoria afirma que uma criança que aprende a multiplicar números facilmente não é necessariamente mais inteligente do que outra que tenha habilidades mais forte em outro tipo de inteligência. A criança que leva mais tempo para dominar uma multiplicação simples, (a) pode aprender melhor a multiplicar através de uma abordagem diferente; (b) pode ser excelente em um campo fora da matemática; ou (c) pode até estar a olhar e compreender o processo de multiplicação em um nível profundo. Neste último exemplo, uma compreensão mais profunda pode resultar em lentidão que parece (e pode) esconder uma inteligência matemática potencialmente maior do que a de uma criança que rapidamente memoriza a tabuada, apesar de uma compreensão menos detalhada do processo de multiplicação. (WIKIPEDIA).

Outra abordagem que explica a relação sujeito e subjetividade é a psicanalítica, desenvolvida por Sigmund Freud, no final do século XIX e começo do século XX, também traz valorosa contribuição para a compreensão da subjetividade humana na construção de conhecimentos. Ensinar e aprender depende da interação de, no mínimo, dois sujeitos. Isto é, não há a possibilidade de aprendermos, de nos desenvolvermos, sem a interação com o outro.

Desta forma, são duas subjetividades interagindo para chegar a um fim. A subjetividade do ensinante e a subjetividade do aprendente.  Assim, para Medrano e Rodrigues (2009, p. 40):

Estamos no plano da intersubjetividade. Que significa isso? Primeiramente que não há sujeito a não ser em relação a um outro. Essa relação é a condição da constituição da subjetividade. É por isso que o sujeito sempre está sujeito a outro. Este outro funciona como igual, mas ambos por sua vez estão sujeitos a um outro (lugar da terceiridade, da cultura, da ley).

Agora que já estudamos e compreendemos alguns teóricos e teorias que fundamentam as maneiras de como interagimos e aprendemos, vamos aprofundar nossos estudos sobre o papel do psicopedagogo na relação ensino aprendizagem. Ou, melhor dizendo, nos fatores que interferem nas questões do aprender: as chamadas de “dificuldades de aprendizagens” e como a Psicopedagogia pode ajudar tanto o ensinante como aprendente.

7 O TRABALHO DO PSICOPEDAGOGO

A Psicopedagogia é uma área (inter) e transdisciplinar que estuda as causas dos problemas de aprendizagem. Ou seja, seu campo de atuação é o não aprender, motivos e causas. O psicopedagogo tem como principal ferramenta de trabalho a observação. É, portanto, através de um olhar treinado, que o profissional da área observa e chega aas suas conclusões.

O psicopedagogo não é um psicólogo, ou seja, a Psicopedagogia tem formas próprias para analisar cada caso. Para Stadnik (2009, p. 30.):

 Em suma, a Psicopedagogia transita por várias áreas do conhecimento como: psicologia, pedagogia, psicanálise, linguística, medicina, fonoaudiologia, sociologia e antropologia, quando da definição do seu objeto de estudo e construção de seu referencial teórico.

Sendo assim, o psicopedagogo busca conhecimentos nas diversas áreas do saber para fazer seu trabalho.

De forma interdisciplinar: concilia os conceitos das diversas áreas do conhecimento e promove avanços na produção de novos conhecimentos. De maneira transdisciplinar: ultrapassa a fronteira das demais disciplinas e, ou teorias, transitando por elas , articulado saberes e desdobrando-se para efetivar uma prática, em nosso caso, a prática psicopedagógica.

Cabe ao psicopedagogo, portanto, manter-se atualizado e atento a tudo que diz respeito aos processos de ensino e aprendizagem, para desenvolver suas atividades com desenvoltura.

A Psicopedagogia é única, apesar de ser usados os termos: Psicopedagogia Clínica e Psicopedagogia Institucional, não há divisão entre ambas. Ou seja, não há como estudá-las de forma separada, dicotomizada. A principal diferença está no fato de que a Psicopedagogia Clinica é  exercida clinicamente, como o próprio nome sugere. O profissional atende em consultórios ou clinicas. Segundo Stadinik (2009, p. 45):

A Psicopedagogia Clínica parte do sintoma do individuo, de sua história em seu contexto histórico-social. Caracteriza pela investigação e intervenção a fim de compreender a causa, a modalidade de aprendizagem do sujeito, com o objetivo de sanar suas dificuldades e eliminar os obstáculos, desta forma possibilitando o prazer de aprender. Realiza processos de orientação educacional, vocacional e ocupacional, tanto de forma individual como em grupo. Utiliza técnicas e metodologias próprias da Psicopedagogia.

A Psicopedagogia Institucional se faz presente em uma instituição. Essa instituição pode ser uma escola, hospital, família, empresa. Assim como na Clínica, a Psicopedagogia Institucional desenvolve uma atuação preventiva e terapêutica. Entretanto, como trabalha em uma instituição, com um grupo grande, seu foco está mais voltado para a prevenção.

A Psicopedagogia Institucional parte do sintoma do grupo em seu contexto histórico-social. Dessa forma, realiza a investigação e o diagnostico psicopedagógico institucional, identifica sintomas bloqueadores do processo ensino-aprendizagem e os redimensiona por meio de estratégias que possibilitem a aquisição do conhecimento. Também administra ansiedade e conflitos que possam se refletir na dinâmica intergrupal. (STADINIK, 2009, p. 46)

8 SALA DE RECURSOS MULTIFUNCIONAL

A sala de recursos tem por finalidade dar apoio ao trabalho realizado pelos professores em salas convencionais. Aqui, citaremos a Sala de Recursos Multifuncional – SRM, da Escola Municipal Laudemira Coutinho de Melo, Dourados/MS. A SRM da escola é equipada com farto material de apoio psicopedagógico e uma profissional competente que realiza seu trabalho em tempo integral.

Citaremos os itens presentes na SRM da escola em questão:

1- 1 Microcomputador com gravador de CD e leitor de DVD;

2- 1 Estabilizador;

3- 1 Scanner;

4- 1 Impressora laser;

5- 1 Teclado com colmeia;

6- 1 Bandinha rítmica;

7-  Dominó;

8- Material Dourado;

9- Esquema Corporal;

10- Memórias de Numerais;

11- Tapete quebra-cabeça;

12- Software para comunicação alternativa;

13- Sacolão Criativo;

14- Quebra cabeças sobrepostos (sequência lógica);

15- Armário de aço;

16- Mesa para Computador;

17-Mesa para Impressora;

18- Jogos Sistema Monetário;

19- Família silábica ilustrada;

20- Blocos lógicos;

21- Pranchas para Alfabetização;

22- Calendário boliche;

23- Alfabeto móvel, degrau, ilustrado;

24- Associação de ideia;

25- Jogos de sequência lógica;

26- Jogos de estímulos;

27- Cubo hábil;

28- Tabuleiro da tabuada.

A SRM da escola tem por objetivo trabalhar com alunos que apresentem algum tipo de dificuldade de aprendizagem (DA). Quando o professor em sala de aula detecta que algum aluno apresenta alguma dificuldade ou comportamento estranho, o mesmo encaminha o aluno para uma avaliação com a profissional responsável pela SRM. Diagnosticado o problema, o indivíduo é acompanhado em horários opostos as aulas normais.

Os alunos que apresentam alguma anomalia que esteja fora da competência da profissional em questão, é encaminhado ao profissional competente, com a autorização da família, para que seja realizado os devidos diagnósticos e tratamento, se for o caso. Os encaminhamento mais frequentes são para especialistas em Neuropediatria; Psicologia

; Fonoaudiologia e Psiquiatria.

Sendo diagnosticado algum problema que seja necessário maior atenção para com o aluno por parte do professor, a Secretaria de Educação Municipal nomeia um profissional em Educação para auxiliar o professor titular em sala de aula. Dessa forma, o professor poderá realizar seu trabalho dando a devida atenção a todos.

9 SITUAÇÃO PROBLEMA – 1

Usaremos um nome fictício para a aluna em questão.

A aluna Elizabete, devidamente matriculada no quarto ano do Ensino Fundamental, na referida Instituição de Ensino, sempre apresentou dificuldade de aprendizagem. Usaremos, a partir de agora, abreviatura “DA” para Dificuldade de Aprendizagem. Elizabete, atualmente com 15 anos, reprovou por vários anos por não conseguir acompanhar e aprender os conteúdos exposto pelos professores em sala de aula. Até o ano anterior a referida aluna não lia, não aprendia, não se desenvolvia.

Elizabete estuda nesta Unidade de Ensino desde os anos pré-escolares. A família sempre foi inquerida pelos professores para que encaminhasse a criança para uma avaliação clínica, mas não aceitavam e ainda diziam que a filha não era “doida”.

A menina sempre apresentou dificuldades no desenvolvimento cognitivo e, com essas dificuldades, não alcançou desenvolvimento em sua aprendizagem. Por mais que as professoras tentassem varias práticas pedagógicas, não havia maneira que desse jeito no desenvolvimento da pequena infante.

No ano anterior, foi implantada a SRM – Sala de Recursos Multifuncional, na escola em questão. E, a partir de então, cobramos mais compromisso e dedicação da família para avaliação e acompanhamento clínico. O que foi prontamente atendido pelos familiares.

Feita a avaliação por um especialista, constatou-se: Distúrbio Cerebral. A partir de então, Elizabete passou, além da sala de aula convencional, a ser atendida na Sala de Recursos Multifuncional para as intervenções psicopedagogias necessárias. Duas vezes por semana, em horários opostos aos das aulas, Elizabete realiza atividades que proporcionam o aprender. As atividades proporcionam e oferecem recursos pedagógicos necessárias para que a aluna seja incentivada a se expressar, pesquisar e a realizar todas as atividades propostas. Ou seja, são realizadas as atividades que a estudante não consegui realizar, por algum motivo, na sala de aula e, também, aquelas apresentadas de forma extraclasse, dando autonomia para que tenha avanços significativos.

Houve muitos avanços no desenvolvimento de sua aprendizagem. Tornando-se visivelmente mais independente, autônoma e criativa nas atividades escolares e na interação diária com seus colegas e familiares.

Elizabete evoluiu grandemente, obteve avanços durante os atendimentos, pois, agora já consegue ler, compreender e perceber-se como ser capaz de aprender, acreditando em si mesmo e suas potencialidades. Melhorou a socialização e expressa suas ideias verbalmente com clareza, conseguindo alcançar os objetivos propostos.

10 SITUAÇÃO PROBLEMA – 2

O segundo relato de caso que mencionaremos é uma entrevista realizada com um professor das séries Iniciais do Ensino Fundamental e familiares dos alunos.

  1. 1 REGISTRO DAS INTERVENÇÕES PSICOPEDAGÓGICAS
  2. 2 INTERVENÇÃO
  • Objetivos: Identificar as causas do desinteresse de 10% das famílias dos alunos do 5° ano das Séries Iniciais do Ensino Fundamental da Escola Municipal Laudemira Coutinho de Melo, em acompanhar o desenvolvimento escolar de seus filhos (as). Entrevistar o professor e fazer um questionário para as famílias responderem. Além de conscientizar as famílias e a instituição escolar sobre a importância da união para o completo desenvolvimento dos alunos.
  • Desenvolvimento: apresentação de um questionário as famílias; entrevista com o professor. A entrevista com o professor foi realizada na própria escola. Porém, o questionário feito com as mães dos alunos foi feito em suas residências.
  • Recursos utilizados: o material usado na intervenção foi folhas de papel sulfite – A4, câmera fotográfica e telefone celular com gravador de voz (áudio).
  1. 3 APROXIMAÇÃO DIAGNÓSTICA

A intervenção Psicopedagógica gerou os seguintes resultados:

  1. 4 O PROFESSOR

O professor disse que os alunos (as) com menor média escolar são aqueles que as famílias não acompanham devidamente. Que os alunos não se interessam pelas aulas e que, nem se quer, tem os materiais necessários para os estudos. Vale ressaltar que “O psicopedagogo pode e deve intervir nas causas do fracasso escolar, seja nas dificuldades de aprendizagem, nos problemas decorrente delas, na reflexão acerca dos métodos do professor ou na relação professor-aluno. (PIRES, 2009,p. 89. Grifo meu.),

Apontamos as seguintes estratégias a curto prazo: a sala de aula possui  armários,  em perfeito estado e que pode ser usado para guardar os materiais dos alunos para que não percam ou esqueçam em suas casas. Assim, não teremos desculpas quanto a falta de materiais. Nos finais de semana a criança leva para casa, quando for o caso, o caderno de tarefas. Pois, afinal, estamos falando de crianças com 11 anos.

O professor apontou que 10% dos alunos, aqueles que as famílias não fazem um acompanhamento adequado, encontram muitas dificuldades nas práticas de leitura, escrita e Matemática. E, isso é preocupante, pois, na 5 série, esses alunos deveriam dominar completamente tais conteúdos. Ou seja, alguma coisa precisa ser feita para mudar o quadro atual. “O psicopedagogo não deve assumir a função do professor ao intervir no processo de ensino-aprendizagem, mas deve orientar e conduzir a reflexão e vivências que aprimorem essa relação afetiva dele com os alunos.” (PIRES, 2009, p. 90.).

  1. 5 AS MÃES

As mães que responderam o questionário deram as seguintes respostas: a maioria absoluta disse que não tem tempo, pois trabalham fora todos os dias. Quanto a examinar os cadernos das crianças, 5 das 6 disseram que examinam quando tem tempo e uma disse que sempre examina as atividades. Todas as 6 mães responderam que seu filhos só contam o que fizeram na escola quando questionados. Todas disseram que  costumam trocar carinhos com os filhos. Sobre o comportamento das crianças 2 mães disseram que seus filhos são inquietos; uma disse inteligente e 3 mães acham seus filhos tranquilos. Nenhum deles gosta de estudar e todos gostam de brincar, segundo a avaliação das mamães. A brincadeiras que mais gostam, os 4 meninos gostam de jogar bola e as 2 meninas de brincadeiras diversas com as coleguinhas. “O psicopedagogo, no ambiente familiar, deve incentivar a aprendizagem, orientando pais e filhos a agirem de maneira favorável, proporcionando reflexões acerca dos aspectos de sua relação familiar.” (PIRES, 2009, p. 96.).

A situação dessas mães é um tanto complicada, não são relapsas, apenas falta tempo para acompanharem a vida escolar dos filhos. Essas pessoas são da classe social menos favorecida financeiramente e precisam trabalhar em vários locais para prover o sustento da família. A maioria dessas mães são diaristas, cada dia da semana trabalham em locais, casas, diferentes. Trabalham de segunda a sábado, o único dia de folga é o domingo, nesse dia devem fazer os trabalhos domésticos em suas casas. Dessa forma, não há como fazer o acompanhamento adequado dos filhos. As crianças ficam em casa e são acompanhadas até a escola pelos irmãos mais velhos, adolescentes entre 12 e 15 anos.

Nenhuma das crianças tem problemas de aprendizagem. Falta, nesse caso, maior apoio pedagógico da escola. Ou seja, estratégias de ensino mais eficaz para que as crianças aprendam e se desenvolvam como as demais.

Nesse sentido, as estratégias para sanar as reclamações da escola, seria orientação ao professor e Coordenação escolar a respeito das famílias das crianças envolvidas. Elaborar projetos e planos de aulas que induzam as crianças as práticas de aprendizagem prazerosa e significativa.

11 CONCLUSÕES

Percebemos os conceitos de aprendizagem, os principais teóricos e teorias que dão embasamento ao trabalho do psicopedagogo. A Psicopedagogia como área (inter) e transdisciplinar além de seu surgimento e campo de atuação. O psicopedagogo é o profissional competente para, principalmente através da observação, detectar e encontrar soluções para os problemas de aprendizagem. Trabalhando em conjuntos com os professores ou orientado alunos e familiares.

A participação da família no ambiente escolar é de fundamental importância para o desenvolvimento do aluno. Quando a escola e a família trabalham em conjunto, as dificuldades que possam surgir, são resolvidas com mais facilidade. E, além disso, quando a família se faz presente, a criança percebe que seus familiares realmente se preocupam com seu desenvolvimento e aprendizagem.

Percebemos que a presença do psicopedagogo nos ambientes escolares ainda é muito restrita. Muitos ainda desconhecem qual é o verdadeiro papel da Psicopedagogia, para o que serve. Ainda é confundida com a Psicologia.  As DAs – Dificuldades de Aprendizagens, não são diagnosticadas em exames laboratoriais, por isso, não adianta levar o indivíduo que apresente tal problemas, a um médico. O profissional indicado, nesse caso, é o psicopedagogo.

As situações problemas apresentadas servem para compreendermos alguns aspectos que levam ao desinteresse e ao não aprender. As causas são muitas, mas, com todo o embasamento teórico e as práticas psicopedagógicas na atualidade, tais dificuldades de aprendizagem podem ser superadas.

REFERÊNCIAS

ARAUJO, Dora; FILHO, Targino. Gestão da Extensão: meios para interação universidade-sociedade. In 5 Fórum de extensão universitária da acafe, Blumenau. Anais. Blumenau: EDIFURB, 2004.

CATANIA, A. Charles. Aprendizagem. Porto Alegre: Artes Médicas, 1999.

Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10: COLLARES, C. A. L. e MOYSÉS, M. A. A. A História não Contada dos Distúrbios de Aprendizagem. Cadernos CEDES no28, Campinas: Papirus, 1993, pp.31-48.

Descrições clínicas e diretrizes diagnósticas. Organização Mundial de Saúde (Org.). Porto Alegre: Artes Médicas, 1993

FERNÁNDEZ, Alicia. A Inteligência Aprisionada. Porto Alegre: Artemed, 1991.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Intelig%C3%AAncias_m%C3%BAltiplas (Acesso em: 10 de setembro de 2014).

MEDRANO, Carlos Alberto; RODRIGUES, Evelise Vieira Melo. Teoria e Prática da Psicopedagogia Institucional. Centro Universitário Leonardo da Vinci. Indaial: Grupo UNIASSELVI, 2009.

PAÍM, Sara. Diagnóstico e Tratamento dos Problemas de Aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 1985.

SILVA, Daniela Regina da. Psicologia da Educação e Aprendizagem. Associação Educacional Leonardo da Vinci. – Indaial: Ed. ASSELVI, 2006.

SILVA, Daniela Regina da. Psicologia Geral e do Desenvolvimento. Associação Educacional Leonardo da Vinci. – Indaial: Ed. ASSELVI, 2005

STADNIK, Liliana. Introdução a Psicopedagogia. Centro Universitário Leonardo da Vinci. – Indaial: ASSELVI, 2009

ABREVIATURAS

DA > Dificuldade de Aprendizagem

TDAH > Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade

SEM> Sala de Recursos Multifuncional

CID-10> Classificação Internacional de Doenças

OMS> Organização Mundial da Saúde

ZDP> Zona de Desenvolvimento Proximal

TEA> Transtorno do Espectro Autista

Família e Escola: a união quase perfeita

Imagem

1 INTRODUÇÃO

O objetivo deste documento é relatar o Estágio em Psicopedagogia realizado na escola Professor Celso Müller do Amaral, localizada à rua: Ponta Porã nº 6823, jardim Maracanã. A escola situa-se na região Leste da cidade no sentido centro/bairro. O colégio recebeu esse nome em homenagem ao cidadão e professor Celso Müller do Amaral que prestara serviços relevantes à sociedade douradense.

A escola C. M. A. foi criada através do Decreto – 10.039, publicado no Diário Oficial nº. 53537. Início da construção em 28/11/98 e conclusão em setembro de 2000. A primeira autorização de funcionamento foi obtida por meio da Resolução SED nº 1.485/01 de 10/03/2001, publicada no D.O nº 5.471 de 20/03/2001.

O Ensino Fundamental e o Ensino Médio foram autorizados pela Resolução/SED nº 1485/01, de 19 de março de 2001. Os cursos de Educação de Jovens e Adultos, nas etapas do Ensino Fundamental e do Ensino Médio foi autorizado pela Resolução SED nº 1.682 de 19 de dezembro de 2003.

A instituição funciona em consonância com a Constituição Federal artigos: 205, 206, 208, 210, e 211, com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394 de 26/12/96, Estatuto da Criança e do Adolescente.

  Fui recebido na escola pelos professores:

  • Diretor: Fábio Augusto Moreno Múrcia, graduado em Educação Física.

  • Diretora adjunta: Ivanilde Aparecida Taquette, graduada em Letras e especialista em Gestão Escolar.

  • Coordenadora: Elenice dos Santos Gonsalves, pedagoga. (Ensino Fundamental)

  • Coordenadora: Gislene Tardivo Scaliante, graduada em geografia e pedagogia. (Ensino Médio).

A Escola Celso Müller do Amaral está localizada em uma região com pessoas da classe social menos favorecida financeiramente. O colégio conta com 12 salas de aula, com 56 m² cada; consultório médico/odontológico; sala de tecnologia- 12 computadores com internet; cantina; cozinha, onde é feito a merenda dos alunos. Com 2.800 m² de área coberta, ainda comporta uma sala de cinema- com televisor, DVD, retroprojetor. Há também uma biblioteca com amplo acervo bibliográfico, onde os alunos fazem suas pesquisas e, quando necessário, tomam livros emprestados para lerem em casa.

E, naturalmente, no setor administrativo ficam as salas do diretor; coordenação; secretaria; sala dos professores; amplo saguão, onde os alunos ficam em fila, e os (as) professores (as) os conduzem através de dois lances de escadarias, até o piso superior, local das salas de aulas. Para alunos cadeirantes há um elevador. Construída em um terreno de 10.000 m², onde há uma quadra de esportes coberta; campo de futebol de areia, e espaço para uma bela horta.

A escola tem um diretor titular, e um adjunto; Que são escolhidos a cada dois anos através de eleição: quando professores, alunos e pais de alunos, votam nos candidatos. Os candidatos, geralmente são professores da própria escola. Mas, pode ser professor de outra escola desde que concursado no estado. Além disso, os candidatos a diretores de escola fazem uma prova na Secretaria de Educação, na Capital do Estado, para comprovar os conhecimentos administrativos. Se não atingir a média, na prova, não pode ser candidato.

O objetivo da escola Celso Müller do Amaral é proporcionar ao aluno uma educação de qualidade pautada na valorização do conhecimento, levando o aluno a aprender os conhecimentos já consagrados pela humanidade, a construir novos e, ainda, bem conviver com os outros e com o meio ambiente. Para isso, além dos materiais didáticos-pedagógicos, dispõe dos seguintes profissionais:                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                             

1 – Diretor;

1 – Diretor adjunto;

3 – Coordenador pedagógicos;

1 – Professor coordenador;

60 – Professores;

4 – Intérpretes de LIBRAS;

3 – Pedagogos atendem na sala de tecnologia;

1 – Pedagogo atende os alunos que necessitam de aula de reforço no contraturno, que também atua como coordenador da EJA;

1 – Pedagoga com especialização em Educação Especial atende ,na sala de recursos, os alunos com necessidades especiais.

2 – Bibliotecária;

1 – Secretária;

4 – Assistentes de atividades educacionais;

3 – Agentes de inspeção de alunos;

1 – Supervisor de gestão escolar;

1 – Agente de recepção de portaria;

1 – Auxiliar de serviços diversos;

2 – Agentes merendeiras;

6 – Agentes de limpeza.

Do corpo docente: 70% tem pós-graduação; 3 fizeram Mestrado e um Doutorado. Atualmente, a escola conta com 1326 alunos matriculados nos três períodos de funcionamento. Sendo que: no período matutino, atende alunos das séries finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio; no período vespertino, atende alunos matriculados do 1º ao 9º ano; e, no período noturno, Ensino Médio e a EJA – Educação de Jovens e Adultos, equivalentes ao Ensino Fundamental e Médio.

Divisão do número de alunos: Ensino Fundamental: 1º ao 5º ano – 128 alunos; Ensino Fundamental 6º ao 9º ano – 472; Ensino Médio: 1º ao 3º –  175 alunos. EJA, Educação de jovens e Adultos: Ensino Fundamental: 3ª e 4ª fase – 187; Ensino Médio: 1ª e 2ª fase – 364 alunos.

O estágio em Psicopedagogia deu-me  a oportunidade prática, de vivenciar o dia a dia desses profissionais da Educação e da Saúde. Aprender observar e construir estratégias para o bom desenvolvimento Institucional. As pessoa são diferentes, nesse sentido, em uma Instituição escolar há uma diversidade enorme  de ideias, pensamentos diferentes. Isso é bom, mas, para contrabalançar tais ideias e chegar a um denominador comum sem que haja sérios conflitos, é difícil. Conforme Medrano e Rodrigues (2009, p. 25). “Cada integrante de uma organização tem suas concepções, e essas são construídas e reconstruídas conforme suas necessidades, experiências e interações.” Desse modo, a escola como instituição que privilegia o ensino e a aprendizagem, deve saber mediar as opiniões, ideias, sugestões, que seus integrantes colocam em discussões, para tirar proveito disso, beneficiando a troca de informações, experiências de cada um e transformar em novos saberes.

Apresentei-me aos gestores da Escola Celso Müller do Amaral e pedi autorização para realizar o estágio em Psicopedagogia naquela Instituição de ensino. Eles aceitarão, assim, dei início às atividades.

 Depois de alguns esclarecimentos a respeito do estágio, me disseram que ficasse a vontade para a realização das minhas atividades. Porém, em Psicopedagogia devemos ter um início.  Por onde começar? Naquele primeiro momento, eu não poderia dizer que precisava de uma “QUEIXA” para fazer um estudo sobre ocaso. Ou seja, não busquei a escola procurando encontrar reclamações sobre os seus integrantes.

Assim, em um segundo momento, conversando com os professores (as), disseram-me que um dois maiores problemas enfrentados pela escola é a falta de participação da família. “Não adianta convocar para reunião, não aparece quase ninguém.” (Prof. Wagner). “No início, quando eu tinha problemas com um dos meus alunos, eu mandava um bilhetinho para os pais, nunca apareceu nenhum pai, mãe ou responsável. Então comecei a espera-los em dias de reuniões, inutilmente.” (Profa. Valéria).

Percebemos  que os alunos com média abaixo do esperado, são aqueles que as famílias não se fazem presente no dia a dia da educação escolar de seus filhos. Ou seja, se  estão com as notas escolares abaixo da média, não é porque não conseguem aprender os conteúdos escolares. Mas, sim, pela falta de incentivo familiar.

Sendo assim, iniciamos nossa intervenção psicopedagógica a partir da problemática indicada pelos professores.  

2 A INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA

A partir da problemática apresentada pelos professores (as), comecei a elaborar minha intervenção psicopedagógica. O que fazer? Por onde começar? Os desafios são grandes.

Assim, conforme Fernández, (1991, p.23). “Para pensar novas ideias temos que desarmar nossas ideias feitas e misturar as peças, assim como um tipógrafo ver-se-á obrigado a desarmar os clichês, se deseja imprimir um texto em um novo idioma.” Ou seja, não devemos nos orientar pelo que pensamos, pelas ideias prontas.

Qual será o motivo dos pais e mães não darem importância para a vida escolar de seus filhos? Tínhamos a versão dos mestres escolares, mas não, do outro lado, da família.

2. 1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A principal função da Psicopedagogia é estudar e analisar as dificuldades de aprendizagem. Desta forma, o profissional em Psicopedagogia deve ter por objetivo em seu trabalho dentro de uma escola, as questões Institucionais que possam levar a “não aprendizagem”. “[…] o psicopedagogo é um profissional cujo objeto de estudo e trabalho é a aprendizagem em seu estado normal e patológico.” (Pires, 2009, p. 78.).

O psicopedagogo, na instituição escolar, deve sempre estar alerta trabalhando efetivamente, principalmente, os aspectos preventivos. Além, claro, de resolver os problemas que estejam instalados e que de alguma forma atrapalham uma aprendizagem significativa de todos os integrantes da instituição escolar.

A Psicopedagogia Institucional parte do sintoma do grupo em seu contexto histórico-cultural. Dessa forma, realiza a investigação e o diagnóstico psicopedagógico institucional, identifica sintomas bloqueadores do processo  ensino-aprendizagem e os redimensiona por meio de estratégias que possibilitem a aquisição de conhecimentos. Também administra ansiedades e conflitos que possam se refletir na dinâmica intergrupal. (STADNIK, 2009, p. 46.).

Sendo objeto de estudo deste relatório ‘a reclamação da falta de iniciativa ou do envolvimento das famílias no contesto escolar’, informo que a Psicopedagogia também: “Resgata a família no papel educacional como parceira da escola e complemento a ela.” (Standnik, 2009, p. 47. Grifo nosso.).

Sara paín (2008, p. 17) nos informa que a aprendizagem está diretamente ligada as Instituições Família e Escola. O processo de aprendizagem “[…] compreende todos os comportamentos dedicados a transmissão da cultura, inclusive os objetivados como instituições que, específica (escola) ou secundariamente (família) promovem a educação.”

Mas, por outro lado, as queixas da escola sobre a falta de interesse das famílias pode ter seus motivos. Veja o que diz a professora Jerusa Vieira Gomes:

Hoje, poucos são os casos em que Família e Escola, através das APMs, compartilham a responsabilidade sobre a Educação Escolar. Em geral, a Escola promove reuniões para dar explicações – para não dizer fazer queixas – sobre o desempenho e o comportamento dos escolares. Assim, uma a duas vezes por semestre, às vezes por ano, os pais são convidados para uma dessas reuniões. Há também eventos festivos, para os quais eles devem contribuir com dinheiro, donativos, e até mesmo com seu trabalho (festas juninas, quermesses etc.). Resumem-se nisso, quase sempre, as relações Família-Escola. No mais, os pais mantêm-se e são mantidos bastante afastados dos acontecimentos na esfera escolar. (http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_16_p084-092_c.pdf)

 

Ainda conforme a professora do Departamento de Filosofia da Educação e Ciências da Educação da FEUSP – Universidade de São Paulo, (GOMES):

Há, contudo, momentos em que a presença dos pais é desejada: diante da falta grave do aluno, para que eles tomem ciência e ajudem a enquadrá-lo; quando o rendimento (as notas) do aluno é tão baixo que justifica a preparação da Família, para aceitar resignada a futura e inevitável reprovação dele […] (Grifos do autor).(http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_16_p084-092_c.pdf )

 

Percebe-se que as implicações, as causas, segundo alguns teóricos, da não presença familiar nas escolas, são muitas. Sem dúvida é um processo árduo, impossível de ser feito da noite para o dia. Pois, implica conscientização dos dois lados: Escola e Família.

Tradicionalmente a família tem estado por trás do sucesso escolar e tem sido culpada pelo fracasso escolar. Quem não conhece o caso, comum no âmbito das famílias de classe média e das escolas particulares, da mãe que acompanha assiduamente o aprendizado e o rendimento escolar do filho, filha ou filhos, que organiza seus horários de estudo, verifica o dever de casa diariamente, conhece a professora e freqüenta as reuniões escolares? E quem não conhece o discurso, freqüente no âmbito da escola pública que atende às famílias de baixa renda, da professora frustrada com as dificuldades de aprendizagem de seus alunos e que reclama da falta de cooperação dos pais? (CARVALHO, 2000, P. 143-155)

Feito essas considerações, vamos tratar de começar os trabalhos, estudos, pesquisas, coletas de dados, para que possamos chegar a um entendimento a respeito das reclamações dos professores (as) da escola Professor Celso Müller do Amaral, quanto ao não envolvimento familiar no processo escolar de seus filhos.

2. 2 COLETA DOS DADOS E INTERPRETAÇÃO

“Uma avaliação psicopedagógica institucional é uma investigação que parte de uma queixa, de uma problematização, de questionamentos para os quais buscamos respostas e possibilidades de superação.” (MEDRANO e RODRIGUES, 2009, p. 73.).

A coleta de dados foi feia através de um questionário apresentado às famílias e entrevista com a professora. Além de observações ao comportamento dos professores e alunos envolvidos no estudo. A coleta de dados foi realizada com integrantes de uma turma das Séries Iniciais do Ensino Fundamental. A saber: 3° ano.

2. 2. 1 ENTREVISTA COM A PROFESSORA

1) A quanto tempo a professora trabalha nesta escola?

R; 4 anos

2) Quantos alunos estão, efetivamente, frequentando as aulas do 3° ano?

R: 32 alunos

3) Qual o percentual de alunos que estão dentro da média pretendida pela escola para serem aprovados?

R: 70% mais ou menos.

4) O que há de errado com os 30% restantes?

R: Aí que está, eles não se interessam em aprender, falta motivação. A família não comparece. Todas as tentativas de contato com a mãe ou alguém responsável foi inútil, eles não aparecem nem nas reuniões. As crianças não tem problemas relacionados a dificuldade de aprendizagem. O que acontece, na maioria das vezes é que: muitos deles ainda não dominam a escrita e a leitura, são fracos em Matemática. Além disso, sempre falta materiais básicos como lápis, caneta e até caderno. Sempre que possível a Coordenação sede esses materiais. Mas, não é todo dia que a escola pode fazer isso.

5) Nesse sentido, então, é a falta de recurso das famílias a principal causa?

R: Há princípio eu pensava isso, mas, com o tempo, percebi que muitos deles recebiam o material, lápis, caderno, borracha em um dia, mas no outro dia apareciam na aula sem nada. Ou seja, não é que falta instrumentos para estudarem, falta fiscalização por parte dos responsáveis para que tragam seus materiais para a escola. Se na aula de Artes a professora pede para que façam um desenho, a resposta é: – não tenho caderno de desenho, ou não tenho lápis, professora. Aí fica sem fazer, é o que eles querem, ficar sem fazer os exercícios para bagunçar.

6) Qual sua proposta para isso ter um fim?

R: Eu acho que se a família acompanhar de perto, ajudando a escola e os professores, seria a saída, funcionaria.

2. 2. 2 QUESTIONÁRIO APRESENTADO ÀS FAMÍLIAS

Foi difícil, mas conseguimos encontrar algumas famílias para responder nosso questionamento. Encontrei 6 mães que, para não tomar-lhe tempo excessivo, responderam um questionário com 7 questões de múltiplas escolhas. Leia a seguir:

1) Não costumo visitar a escola do meu filho ou filha porque:

(  ) Não tenho tempo, trabalho fora todos os dias.

(  ) Não é necessário ir a escola, dentro do colégio a professora ou professor é o responsável pela educação das crianças.

(  ) Nunca me convidaram para uma reunião

(  ) Meu filho ou filha esta indo bem nos estudos

(  ) Nas reuniões, sempre falam a mesma coisa

OBSERVAÇÕES:_________________________________________________

2) Com que frequência olha os materiais escolares do seu filho (a)?

(  ) Nunca   (   ) Quando tenho tempo    (  ) todos os dias  (  ) Sempre

3) Seu filho ou filha conta o que faz na escola?

(  ) Quando eu pergunto   (  ) Não   (  ) Sempre me conta  (  ) As vezes

4) Sobre o relacionamento afetivo familiar:

a – Costuma trocar carinhos com seu filho ou filha? (  )sim    (  ) não

b – É uma criança   (  ) Tranquila    (  ) Inquieta   (  ) Nervosa  (  ) Inteligente

5) Gosta de estudar?  (  ) Sim     (  ) Não    (  ) Indiferente

6) Gosta de brincar?   (  ) Sim     (  ) Não    (  ) De vez em quando

7) Que tipo de brincadeiras ou jogos mais gosta? _____________________

2. 3 REGISTRO DAS INTERVENÇÕES PSICOPEDAGÓGICAS

2. 3. 1 INTERVENÇÃO

  • Objetivos: Identificar as causas do desinteresse de 30% das famílias dos alunos do 3° ano das Séries Iniciais do Ensino Fundamental, em acompanhar o desenvolvimento escolar de seus filhos (as). Entrevistar a professora e fazer um questionário para as famílias responderem. Além de conscientizar as famílias e a instituição escolar sobre a importância da união para o completo desenvolvimento dos alunos.   

  • Desenvolvimento: apresentação de um questionário as famílias; entrevista com a professora. A entrevista com a professora foi realizada na própria escola. Porém, o questionário feito com as mães dos alunos foi feito em suas residências.

  • Recursos utilizados: o material usado na intervenção foi folhas de papel sulfite – A4, câmera fotográfica e telefone celular com gravador de voz (áudio).

2. 4 APROXIMAÇÃO DIAGNÓSTICA

A intervenção Psicopedagógica gerou os seguintes resultados:

2. 4. 1  A PROFESSORA

A professora disse que os alunos (as) com menor média escolar são aqueles que as famílias não acompanham devidamente. Que os alunos não se interessam pelas aulas e que, nem se quer, tem os materiais necessários para os estudos. Vale ressaltar que “O psicopedagogo pode e deve intervir nas causas do fracasso escolar, seja nas dificuldades de aprendizagem, nos problemas decorrente delas, na reflexão acerca dos métodos do professor ou na relação professor-aluno. (PIRES, 2009,p. 89. Grifo meu.),

Eu aponto as seguintes estratégias a curto prazo: a sala de aula possui vários armários, todos em perfeito estado e que podem ser usados para guardar os materiais dos alunos para que não percam ou esqueçam em suas casas. Assim, não teremos desculpas quanto a falta de materiais. Nos finais de semana a criança leva para casa, quando for o caso, o caderno de tarefas. Pois, afinal, estamos falando de crianças com 8 anos.

A professora apontou que 30% dos alunos, aqueles que as famílias não acompanham, ainda não dominam as práticas de leitura, escrita e Matemática. Mas, isso, é perfeitamente razoável. Essas crianças ainda estão em processos de alfabetização. Ou seja, nem todos aprendem no mesmo ritmo. “ O psicopedagogo não deve assumir a função do professor ao intervir no processo de ensino-aprendizagem, mas deve orientar e conduzir a reflexão e vivências que aprimorem essa relação afetiva dele com os alunos.” (PIRES, 2009, p. 90.).

2. 4. 2 AS MÃES   

As mães que responderam o questionário deram as seguintes respostas: a maioria absoluta disse que não tem tempo, pois trabalham fora todos os dias. Quanto a examinar os cadernos das crianças, 5 das 6 disseram que examinam quando tem tempo e uma disse que sempre. Todas as 6 mães responderam que seu filhos só contam o que fizeram na escola quando questionados. Todas disseram que  costumam trocar carinhos com os filhos. Sobre o comportamento das crianças 2 mães disseram que seus filhos são inquietos; uma disse inteligente e 3 mães acham seus filhos tranquilos. Nenhum deles gosta de estudar e todos gostam de brincar, segundo a avaliação das mamães. A brincadeiras que mais gostam, os 4 meninos gostam de jogar bola e as 2 meninas de brincadeiras diversas com as amiguinhas.

“O psicopedagogo, no ambiente familiar, deve incentivar a aprendizagem, orientando pais e filhos a agirem de maneira favorável, proporcionando reflexões acerca dos aspectos de sua relação familiar.” (PIRES, 2009, p. 96.).l

A situação dessas mães é um tanto complicada, não são relapsas, apenas falta tempo para acompanharem a vida escolar dos filhos. Essas pessoas são da classe  E, precisam trabalhar em vários locais. A maioria dessas mães são diaristas, cada dia da semana trabalham em locais, casas, diferentes. Trabalham de segunda a sábado, o único dia de folga é o domingo, nesse dia devem fazer os trabalhos domésticos em suas casas. Dessa forma, não há como fazer o acompanhamento adequado dos filhos. As crianças ficam em casa e são acompanhadas até a escola pelos irmãos mais velhos, adolescentes entre 12 e 15 anos.

Nenhuma das crianças tem problemas de aprendizagem. Falta, nesse caso, maior apoio pedagógico da escola. Ou seja, estratégias de ensino mais eficaz para que as crianças aprendam e se desenvolvam como as demais.

Nesse sentido, as estratégias para sanar as reclamações da escola, seria orientação a professora e Coordenação escolar a respeito das famílias das crianças envolvidas. Elaborar projetos e planos de aulas que induzam as crianças as práticas de aprendizagem prazerosa e significativa.         

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A intervenção psicopedagógica realizada na Escola Professor Celso Müller do Amaral, a princípio, me pareceu muito complicada. Porém, no decorrer das entrevistas, questionários e observações nos ambientes escolares e familiares, percebi que com alguns ajustes poderíamos consertar as falhas apontadas.

É certo que a importância do acompanhamento da família no processo educativo, é de extrema importância. Porém, com o fim do modelo patriarcal de famílias, onde o pai saia para trabalhar e a mãe ficava em casa cuidando da casa e da educação das crianças, a situação mudou. Ou seja, 80% dessas mães de famílias não tem um companheiro, fazem o papel de pai e mãe ao mesmo tempo. Nesse sentido, como posso culpa-las de não irem as reuniões escolares.

Também apontamos que a escola, além de se preocupar com a não presença das famílias dos alunos no dia a dia escolar, deveria se preocupar, também, com as metodologias aplicadas em sala de aula. Ou seja, tem alguma coisa errada. Pois, se 70% das crianças aprenderam com a metodologia usada, 30% não aprenderam. Nesse sentido, deve ser revistas as práticas pedagógicas, metodologias adequadas, para que todos aprendam.

É isso, a principal medida nesse relatório, seria orientar a professora quanto ao uso de outras maneiras de interagir com os 30% dos alunos retardatários, para que aprendam também.

4 REFERÊNCIAS

CARVALHO, Maria Eulina Pessoa de. Relações entre família e escola e suas implicações de gênero. Cadernos de Pesquisa, nº 110, p. 143-155, julho/ 2000) (Centro de Educação   UFPB)

FERNÁNDEZ, Alicia. Ainteligência aprisionada.Porto Alegre: Artmed, 1991.

GOMES, Jerusa Vieira.  Relações Família e Escola – Continuidade/Descontinuidade no Processo Educativo. Disponível em: http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_16_p084-092_c.pdf Acesso em: 17/01/2012.

MELDRANO, Carlos Alberto. RODRIGUES, Evelise Vieira Melo. Teoria e Prática da Psicopedagogia Institucional. Centro Universitário Leonardo da Vinci. Indaial: Grupo UNIASSELVI, 2009.   

PAÍN, Sara. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem. Porto Alegra: Artmed, 1985.

PIRES, Gisele Brandelero Camargo. Dificuldades de Aprendizagem. Centro Universitário Leonardo da Vinci. – Indaial: Grupo UNIASSELVI, 2009.

STANDNIK,Liliana. Introduçãoa Psicopedagogia. Centro Universitário Leonardo da Vinci. – Indaial: ASSELVI. 2009.

Dicas para interagir com alunos hiperativos

50 dicas para administração da Hiperatividade em Sala de Aula

01 – Antes de tudo, tenha certeza de que o que você está lidando é HIPERATIVIDADE. Definitivamente não é tarefa dos professores diagnosticar a HIPERATIVIDADE, mas você pode e deve questionar. Especificamente tenha certeza de alguém tenha testado a audição e a visão da criança recentemente e tenha certeza também de que outros problemas médicos tenham sido resolvidos. Tenha certeza de que uma avaliação adequada foi feita. Continue questionando até que se sinta convencido. A responsabilidade disso tudo é dos pais e não dos professores, mas o professor pode contribuir para o processo.

02 – Segundo, prepare-se para suportar. Ser uma professora na sala de aula onde há duas ou três crianças com HIPERATIVIDADE pode ser extremamente cansativo. Tenha certeza de que você pode tem o apoio da escola e dos pais. Tenha certeza de que há uma pessoa com conhecimento á qual você possa consultar quando tiver um problema (pedagogo, psicólogo infantil, assistente social, psicólogo da escola ou pediatra), mas a formação da pessoa não é realmente importante. O que importa é que ele ou ela conheça muito sobre HIPERATIVIDADE, conheça os recursos de uma sala de aula e possa falar com clareza. Tenha certeza de que os pais estão trabalhando com você. Tenha certeza de que os colegas podem ajudar você.

03 – Conheça seus limites. Não tenha medo de pedir ajuda. Você, como professor, não pode querer ser uma especialista em HIPERATIVIDADE. Você deve sentir-se confortável em pedir ajuda quando achar necessário.

04 – PERGUNTE À CRIANÇA O QUE PODE AJUDAR Estas crianças são sempre muito intuitivas. elas sabem dizer a forma mais fácil de aprender, se você perguntar. Elas ficam normalmente temerosas em oferecer informação voluntariamente porque isto pode ser algo muito ousado ou extravagante. Mas tente o sentar sozinho com a criança e perguntar a ela como ela pode aprender melhor. O melhor especialista para dizer como a criança aprende é a própria criança. É assustadora a freqüência com que suas opiniões são ignoradas ou não são solicitadas. Além do mais, especialmente com crianças mais velhas, tenha certeza de que ela entende o que é HIPERATIVIDADE. Isto vai ajudar muito a vocês dois.

05 – Lembre-se de que as crianças com HIPERATIVIDADE necessitam de estruturação. Elas precisam estruturar o ambiente externo, já que não podem se estruturar internamente por isso mesmos. Faça listas. Crianças com HIPERATIVIDADE se beneficiam enormemente quando têm uma tabela ou lista para consultar quando se perdem no que estão fazendo. Elas necessitam de algo para fazê-las lembrar das coisas. Eles necessitam de previsões. Eles necessitam de repetições. Elas necessitam de diretrizes. Elas precisam de limites. Elas precisam de organização.

06 – LEMBRE-SE DA PARTE EMOCIONAL DO APRENDIZADO Estas crianças necessitam de um apoio especial para encontrar prazer na sala de aula. Domínio ao invés de falhas e frustrações. Excitação ao invés de tédio e medo. É essencial prestar atenção ás emoções envolvidas no processo de aprendizagem.

07 – Estabeleça regras. Tenha-as por escrito e fáceis de serem lidas. As crianças se sentirão seguras sabendo o que é esperado delas.

08 – Repita as diretrizes. Escreva as diretrizes. Fale das diretrizes. Repita as diretrizes. Pessoas com HIPERATIVIDADE necessitam ouvir as coisas mais de uma vez.

09 – Olhe sempre nos olhos. Você pode “trazer de volta” uma criança HIPERATIVIDADE através dos olhos nos olhos. Faça isto sempre. Um olhar pode tirar uma criança do seu devaneio ou dar-lhe liberdade para fazer uma pergunta ou apenas dar-lhe segurança silenciosamente.

10 – Na sala de aula coloque a criança sentada próxima à sua mesa ou próxima de onde você fica a maior parte do tempo. Isto ajuda a evitar a distração que prejudica tanto estas crianças.

11 – Estabeleça limites, fronteiras. Isto deve ser devagar e com calma, não de modo punitivo. Faça isto consistentemente, previamente, imediatamente e honestamente. Não seja complicado, falando sem parar. Estas discussões longas são apenas diversão. Seja firme.

12 – Preveja o máximo que puder. Coloque o plano no quadro ou na mesa da criança. Fale dele frequentemente. Se você for alterá-lo, como fazem os melhores professores, faça muitos avisos e prepare a criança. Alterações e mudanças sem aviso prévio são muito difíceis para estas crianças. Elas perdem a noção das coisas. Tenha um cuidado especial e prepare as mudanças com a maior antecedência possível. Avise o que vai acontecer e repita os avisos à medida que a hora for se aproximando.

13 – Tente ajudar às crianças a fazerem a própria programação para depois da aula, esforçando-se para evitar um dos maiores problemas do HIPERATIVIDADE: a procrastinação.

14 – Elimine ou reduza a freqüência dos testes de tempo. Não há grande valor educacional nos testes de tempo e eles definitivamente não possibilitam às crianças HIPERATIVIDADE mostrarem o que sabem.

15 – Propicie uma espécie de válvula de escape como, por exemplo, sair da sala de aula por alguns instantes. Se isto puder ser feito dentro das regras da escola, poderá permitir à criança deixar a sala de aula ao invés de se desligar dela e, fazendo isto, começa a aprender importantes meios de auto-observação automonitoramento.

16 – Procure a qualidade ao invés de quantidade dos deveres de casa. Crianças HIPERATIVIDADE frequentemente necessitam de uma carga reduzida. Enquanto estão aprendendo os conceitos, elas devem ser livres. Elas vão utilizar o mesmo tempo de estudo e não vão produzir nem mais nem menos do que elas podem.

17 – Monitore o progresso frequentemente. Crianças HIPERATIVIDADE se beneficiam enormemente com o freqüente retorno do seu resultado. Isto ajuda a mantê-los na linha, possibilita a eles saber o que é esperado e se eles estão atingindo as suas metas, e pode ser muito encorajador.

18 – Divida as grandes tarefas em tarefas menores. Esta é uma das mais importantes técnicas de ensino das crianças HIPERATIVIDADE. Grandes tarefas abafam rapidamente as crianças e elas recuam a uma resposta emocional do tipo eu nunca vou ser capaz de fazer isto. Através da divisão de tarefas em tarefas mais simples, cada parte pequena o suficiente para ser facilmente trabalhada, a criança foge da sensação de abafado. Em geral estas crianças podem fazer muito mais do que elas pensam. Pela divisão de tarefas o professor pode permitir à criança que demonstre a si mesma a sua capacidade. Com as crianças menores isto pode ajudar muito a evitar acessos de fúria pela frustração antecipada. E com os mais velhos, pode ajudar as atitudes provocadoras que elas têm frequentemente. E isto vai ajudar de muitas outras maneiras também. Você deve fazer isto durante todo o tempo.

19 – Permita-se brincar, divertir. Seja extravagante, não seja normal. Faça do seu dia uma novidade. Crianças HIPERATIVIDADE adoram novidades. Elas respondem às novidades com entusiasmo. Isto ajuda a manter a atenção – tanto a delas quanto a sua. Estas crianças são cheias de vida, elas adoram brincar. E acima de tudo, elas detestam ser molestadas. Muitos dos tratamentos para elas envolvem coisas chatas como estruturas, programas, listas e regras. Você deve mostrar a elas que estas coisas não estão necessariamente ligadas às pessoas, professores ou aulas chatas. Se você, às vezes, se fizer de bobo poderá ajudar muito.

20 – Novamente, cuidado com a superestimulação. Como um barro de vaso no forno, a criança pode ser queimada. Você tem que estar preparado para reduzir o calor. A melhor maneira de lidar com os caos na sala de aula é, em primeiro lugar, a prevenção.

21 – Esforce-se e não se dê satisfeito, tanto quanto puder. Estas crianças convivem com o fracasso, e precisam de tudo de positivo que você puder oferecer. O fracasso não pode ser superenfatizado: estas crianças precisam e se beneficiam com os elogios. Elas adoram o encorajamento. Elas absorvem e crescem com isto. E sem isto elas retrocedem e murcham. Frequentemente o mais devastador aspecto da HIPERATIVIDADE não é HIPERATIVIDADE propriamente dita e sim o prejuízo à auto-estima. Então, alimente estas crianças com encorajamento e elogios.

22 – A memória é frequentemente um problema para eles. Ensine a eles pequenas coisas como neumônicos, cartão de lembretes, etc. Eles normalmente têm problemas com o que Mel Levine chama de Memória do Trabalho Ativa, o espaço disponível no quadro da sua mente, por assim dizer. Qualquer coisa que você inventar – rimas, códigos, dicas – pode ajudar muito a aumentar a memória.

23 – Use resumos. Ensine resumido. Ensine sem profundidade. Estas técnicas não são fáceis para crianças HIPERATIVIDADE, mas, uma vez aprendidas, podem ajudar muito as crianças a estruturar e moldar o que está sendo ensinado, do jeito que é ensinado. Isto vai ajudar a dar à criança o sentimento de domínio durante o processo de aprendizagem, que é o que elas precisam, e não a pobre sensação de futilidade que muitas vezes definem a emoção do processo de aprendizagem destas crianças.

24 – Avise sobre o que vai falar antes de falar. Fale. Então fale sobre o que já falou. Já que muitas crianças com HIPERATIVIDADE aprendem melhor visualmente do que pela voz, se você puder escrever o que será falado e como será falado, isto poderá ser de muita ajuda. Este tipo de estruturação põe as idéias no lugar.

25 – Simplifique as instruções. Simplifique as opções. Simplifique a programação. O palavreado mais simples será mais facilmente compreendido. E use uma linguagem colorida. Assim como as cores, a linguagem colorida prende atenção.

26 – Acostume-se a dar retorno, o que vai ajudar a criança a se tornar auto-observadora. Crianças com HIPERATIVIDADE tendem a não ser auto-observadora. Elas normalmente não têm idéia de como vão ou como têm se comportado. Tente informá-las de modo construtivo. Faça perguntas como: Você sabe o que fez? ou Como você acha que poderia ter dito isto de maneira diferente? ou Você acha que aquela menina ficou triste quando você disse o que disse?. Faça perguntas que promovam a auto-observação.

27 – Mostre as expectativas explicitamente.

28 – Um sistema de pontos é uma possibilidade de mudar parte do comportamento (sistema de recompensa para as crianças menores). Crianças com HIPERATIVIDADE respondem muito bem às recompensas e incentivos. Muitas delas são pequenos empreendedores.

29 – Se a crianças parece ter problemas com as dicas sociais – linguagem do corpo, tom de voz, etc – tente discretamente oferecer sinais específicos e explícitos, como uma espécie de treinamento social. Por exemplo, diga antes de contar a sua história, procure ouvir primeiro a de outros ou olhe para a pessoa enquanto ela está falando. Muitas crianças com HIPERATIVIDADE são vistas como indiferentes ou egocêntricas, quando de fato elas apenas não aprenderam a interagir. Esta habilidade não vem naturalmente em todas as crianças, mas pode ser ensinada ou treinada.

30 – Aplique testes de habilidades.

31 – Faça a criança se sentir envolvida nas coisas. Isto vai motivá-la e a motivação ajuda o HIPERATIVIDADE.

32 – Separe pares ou trios ou até mesmo grupos inteiros de crianças que não se dão bem juntas. Você deverá fazer muitos arranjos.

33 – Fique atento à integração. Estas crianças precisam se sentir enturmadas, integradas. Tão logo se sintam enturmadas, se sentirão motivadas e ficarão mais sintonizadas.

34 – Sempre que possível, devolva as responsabilidades à criança.

35 – Experimente um caderno escola – casa – escola. Isto pode contribuir realmente para a comunicação pais – professores e evitar reuniões de crises. Isto ajuda ainda o freqüente retorno de informação que a criança precisa.

36 – Tente utilizar relatórios diários de avaliação.

37 – Incentive uma estrutura do tipo auto-avaliação. Troca de idéias depois da aula pode ajudar. Utilize também os intervalos de aula.

38 – Prepare-se para imprevistos. Estas crianças necessitam saber com antecedência o que vai acontecer, de modo que elas possam se preparar. Se elas, de repente, se encontram num imprevisto, isto pode evitar excitação e inquietos.

39 – Elogios, firmeza, aprovação, encorajamento e suprimento de sentimentos positivos.

40 – Com as crianças mais velhas, faça com que escrevam pequenas notas para eles mesmos, para lembrá-los das coisas. Essencialmente, eles anotam não apenas o que é dito a eles mais também o que eles pensam. Isto pode ajudá-los a ouvir melhor.

41 – Escrever à mão às vezes é muito difícil paras estas crianças. Desenvolva alternativas. Ensine como utilizar teclados. Faça ditados. Aplique testes orais.

42 – Seja como um maestro: tenha a atenção da orquestra antes de começar. Você pode utilizar do silêncio ou bater o seu giz ou régua para fazer isto. Mantenha a turma atenta, apontando diferentes partes da sala como se precisasse da ajuda deles.

43 – Sempre que possível, prepare para que cada aluno tenha um companheiro de estudo para cada tema, se possível com o número do telefone (adaptado de Gary Smith).

44 – Explique e dê o tratamento normal a fim de evitar um estigma.

45 – Reuna com os pais frequentemente. Evite o velho sistema de se reunir apenas para resolver crises ou problemas.

46 – Incentive a leitura em voz alta em casa. Ler em voz alta na sala de aula tanto quanto for possível. Faça a criança recontar estórias. Ajude a criança a falar por tópicos.

47 – Repetir, repetir, repetir.

48 – Exercícios físicos. Um dos melhores tratamentos para HIPERATIVIDADE, adultos ou crianças, é o exercício físico. Exercícios pesados, de preferência. Ginastica ajuda a liberar o excesso de energia, ajuda a concentrar a atenção, estimula certos hormônios e neurônios que são benéficos. E ainda é divertido. Assegure-se de que o exercício seja realmente divertido, porque deste modo a criança continuará fazendo para o resto da vida.

49 – Com os mais velhos a preparação para a aula deve ser feita antes de entrar na sala. A melhor idéia é que a criança já saiba o que vai ser discutido em um certo dia e o material que provavelmente será utilizado.

50 – Esteja sempre atento às dicas do momento. Estas crianças são muitos mais talentosas e artísticas do que parecem. Elas são cheias de criatividade, alegria, espontaneidade e bom humor. Elas tendem a ser resistentes, sempre agarradas ao passado. Elas tendem a ser generosas de espírito, felizes de poder ajudar alguém. Elas normalmente têm algo especial que engrandece qualquer coisa em que estão envolvidas. Lembre-se de que no meio do barulho existe uma sinfonia, uma sinfonia que precisa ser escrita.